Este estudo promete fazer uma análise sobre um tema emergente A implantação da ordem capitalista, da indústria moderna, em uma sociedade tradicional com seus papéis definidos significou a destruição das formas peculiares de organização da sobrevivência com seus saberes e valores.
Em princípio essa ordem superior mais organizada e potencialmente forte na sua implantação, capta mão-de-obra, reelabora os mecanismos de construção da vida, e nas expectativas que gera, produz no seu entorno um caos social visível nos impactos sócio-ambientais produzidos, na dissolução dos vínculos sociais tradicionais, no inchamento das cidades e sobretudo, hoje, produz fragilidade da força de trabalho no processo de reestruturação produtiva.
A flexibilização das relações de trabalho gera uma mão-de-obra de baixa remuneração com reduzidos benefícios sociais, produzindo um impacto profundo nas políticas sociais, pressionadas pela redução dos investimentos do Estado na área social.
De acordo com Giddens (1991), a desestruturação é conseqüência da modernidade que conjuga ilhas de excelência com destruição e caos, fazendo com que o subdesenvolvimento seja a outra face do desenvolvimento.A informalidade do trabalho cresce cotidianamente e nela transitam os trabalhadores desempregados e aqueles engajados nas várias formas de trabalho precário, que não têm acesso às garantias sociais e que estão fora das arenas de representação sindical.
A idéia apontada por Singer (1998), no sentido de que “para resolver o problema do desemprego é necessário oferecer à massa dos socialmente excluídos uma oportunidade real de se reinserir na economia por sua própria iniciativa”, reforça a tese de que através da autonomia dos trabalhadores é possível criar novos postos de trabalho, como vêm acontecendo com centenas de cooperativas que estão surgindo no país.
A Coopertáxi, fundada em 1991, possui cinqüenta e cinco cooperados que trabalham no transporte urbano de passageiros desembarcados dos vôos da Varig, Vasp, Lloyd Aéreo Boliviano e Líder, além de serviços prestados que a cooperativa realiza para a Suframa.A contemporaneidade vem exigindo dos trabalhadores e de outros sujeitos sociais a criação de novas habilidades e criatividades, voltadas para a autogestão sob o horizonte do desenvolvimento sustentável das populações e das classes trabalhadoras.
Segundo Maximiano (1981), se estudarmos o passado, poderemos obter elementos que ajudam a administrar o presente e a antecipar o futuro conforme mostra a experiência secular do cooperativismo no mundo moderno. A origem do sistema cooperativo flui de muito longe e de muito fundo. Vem dos arcanos dos trabalhadores ingleses em moinhos de cereais do século 18 (1760).
Em seguida vem a cooperativa de consumo dos tecelões de Fenwick em 1769 e em 1795 cria-se a Oldham Co-operative Supply Company. Em 1823 já existiam 160 associações na França que posteriormente deram origem às cooperativas operárias de produção. Por toda essa nossa análise podemos inferir que essa pode ser uma boa mudança no sistema.
Celso Torres é economista e professor de pós-graduação da Universidade Gama Filho.
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