A Petrobras, que está investindo R$ 4,58 bilhões no gasoduto Coari-Manaus, garante que no início de outubro o gás natural será entregue à Cigás (Companhia de Gás do Amazonas), que vai fazer a distribuição do produto. Para continuar o transporte de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) entre Urucu e Coari, a estatal informa que foi concluída a construção de um novo duto de GLP neste trecho, que está em funcionamento desde fevereiro de 2009.
Segundo o gerente do Dienor (Departamento de Implementação de Empreendimentos para o Norte da Petrobras), Mauro Loureiro, até setembro deste ano estarão concluídas todas as obras do gasoduto no trecho de Coari até Manaus, assim como as obras de adaptação do duto existente entre Urucu e Coari, que anteriormente transportava GLP e passará a movimentar gás natural.
Capacidade de transporte
Loureiro informou que o gasoduto terá capacidade inicial para transportar 4,1 milhões de metros cúbicos/dia a partir de outubro deste ano, e com a instalação de duas estações de compressão intermediárias entre Urucu e Coari alcançará 5,5 milhões de metros cúbicos/dia que é a capacidade total. “Uma delas ficará na localidade de Juaruna e a outra próxima a Coari”, disse.
Dotado de 661 quilômetros de extensão, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus é apontado pela Petrobras como uma das maiores obras de transporte de gás natural do país. O empreendimento permitirá dispor ao Amazonas o gás produzido na província do Solimões, considerada a segunda maior reserva provada do país (52,1 bilhões m³), segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo).
Ao ser questionado sobre quantas usinas vão ser abastecidas com o gás natural, Loureiro informou que as usinas termelétricas que hoje atendem a cidade de Manaus são Manauara (60 MW), Tambaqui (60 MW), Jaraqui (60 MW), Aparecida (152 MW), Mauá (268 MW), Cristiano Rocha (65 MW) e Ponta Negra (60 MW), que totalizam 725 MW.
O gerente informou que o consumo médio de energia elétrica da capital amazonense é de 730 MW. Com o gasoduto Coari-Manaus, explicou, estas termelétricas, que hoje operam com óleo combustível e óleo diesel, poderão substituir em grande parte estes combustíveis líquidos pelo gás natural. “Além destas usinas, a cidade também é atendida pela hidrelétrica de Balbina, que possui capacidade instalada de 240 MW”, disse.
Atualmente, conforme a Petrobras, cerca de 80% da produção de gás natural na Bacia do Solimões é reinjetada, porque não há gasoduto para levar o produto ao mercado consumidor. O restante é transformado em GLP (gás de cozinha) ou utilizado para consumo interno pela estatal. “O volume de gás natural produzido hoje na Bacia do Solimões, cerca de 10,3 milhões de metros cúbicos/dia, corresponde a um terço do volume contratado pela Petrobras com a Bolívia (30,08 milhões de metros cúbicos/dia)”, informou Loureiro.
Derivados vão ser substituídos
Por ano, as usinas que abastecem a cidade de Manaus e que farão à troca do uso de óleo diesel e óleo combustível, consomem 1,2 bilhão de litros desses derivados líquidos de petróleo, segundo relatório do Plano Anual de Combustíveis emitido pelo Grupo Técnico Operacional da Região Norte da Eletrobrás (Centrais Elétricas do Brasil).
Em 2008, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o consumo somado de óleo diesel (740,4 milhões de litros/ano) e óleo combustível (911 milhões de litros/ano) no Estado do Amazonas para todos os usos (térmico e não-térmico) foi de cerca de 1,6 bilhão de litros/ano.
Levantamento da Petrobras aponta que cerca de 8,9 mil trabalhadores atuaram diretamente na construção do gasoduto Coari-Manaus e outros 26,7 mil empregos indiretos foram gerados a partir da obra. Dos empregos diretos, 70% foram recrutados na própria região. Dos trabalhadores envolvidos no empreendimento, 8,7% eram mulheres (774).
As obras da rede de distribuição de gás natural em Manaus, sob a responsabilidade da Cigás –que estão sendo retomadas neste mês– prometem gerar em torno de 900 empregos entre diretos e indiretos. Recentemente a companhia informou que a Construtora Heca –responsável pelo empreendimento– vai finalizar as obras dos cinco canteiros existentes na cidade e iniciar os estudos técnicos que antecedem a construção e montagem dos dutos para atender o Distrito Industrial.
Inicialmente, a previsão de entrega da rede pela Cigás era setembro e ultimamente esse prazo foi empurrado para dezembro, decorrente do atraso das obras por conta da suspensão do contrato com a Construtura LJA, que vinha fazendo o serviço.
Operação comercial
As empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) deverão ser contempladas com a operação comercial do gás natural que pode ser uma alternativa de redução de custos de produção, principalmente as indústrias metalúrgicas que usam fundição e autofornos, que demanda grande quantidade de energia.
O diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, aponta que as empresas que utilizam o insumo energia poderão se beneficiar do gás natural se tiverem garantia de regularidade no fornecimento do gás, quantidade e preços competitivos. “Até agora não foi divulgado esses detalhes, pois só a partir dessas garantias se poderá ter uma definição de que a mudança da matriz energética realmente será benéfica”, disse.
Redução de custos
Na opinião de Dutra, se houver essa garantia, o gás natural poderá ser uma alternativa de redução dos custos de produção, o que certamente melhorará a competitividade da indústria que trabalha com metalurgia. Dutra explicou que numa linha de fundição o consumo de energia tem um fator altíssimo na composição do custo de produção. “Quanto se liga um alto-forno para fundição a temperatura eleva para acima de mil graus”, informou o dirigente, ressaltando ainda que quando há interrupção de energia, leva de quatro a seis horas para o forno voltar às condições ideais de produção, o que pode prejudicar um dia de trabalho.
Entenda a obra
O gasoduto Urucu-Coari-Manaus interliga o Polo Arara, em Urucu, à cidade de Manaus. O empreendimento é formado por três trechos:
Trecho A (Urucu-Coari) – Já possui um gasoduto que transportava gás liquefeito de petróleo e atualmente encontra-se em obras de adequação para transporte de gás natural. Neste trecho, foi construído um novo duto para transportar GLP, em operação desde fevereiro de 2009.
Trecho B1 (Coari-Anamã) – É onde está a maior extensão da faixa do gasoduto em área alagável, cerca de 40 km, e onde foram adotadas novas metodologias construtivas.
Trecho B2 (Anamã-Manaus) – Há o maior número de comunidades e rodovias próximas à faixa do gasoduto. Em alguns trechos, equipamentos e dutos foram transportados por balsas.







