Comerciantes querem mais espaço

Em: 4 de julho de 2014
Lojistas defendem transformação de ruas como a Marcílio Dias em corredores de veículos
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Lojistas defendem transformação de ruas como a Marcílio Dias em corredores de veículos

As ações para revitalização do Centro de Manaus vêm ganhando fôlego extra com a adesão de comerciantes formais ou não, aos processos de reordenamento da área. ACA (Associação Comercial do Amazonas), camelôs e lojistas têm em reuniões com a Semc (Secretaria Municipal do Centro), lançando propostas para a melhoria de um dos setores mais movimentados da capital e que se encontra em quase abandono.
As frequentes reuniões entre os comerciantes, Semc e PMM (Prefeitura Municipal de Manaus) são de extrema importância para a revitalização do Centro e o ‘cara a cara’ entre os interessados têm surtido efeito, conta o presidente da ACA, Ismael Bicharra. “Desde o início da gestão Arthur Neto e da criação da Semc, temos tido uma proximidade enorme. São reuniões ordinárias e extraordinárias onde somos ouvidos com toda a atenção”, disse.

Mobilidade e ambulantes
Em recente reunião da ACA, na última quarta-feira (2), novas propostas para solucionar antigos problemas foram discutidas. A de maior impacto e que pode desafogar as ruas da área comercial dando mais mobilidade e dinâmica a região, propõe que a rua Marcílio Dias seja transformada em corredor para automóveis. Há tempos sendo usada como calçadão, a via se encontra tomada por ambulantes que devem ser remanejados para os shoppings populares. “Ainda esperamos a definição de datas para a mudança. No projeto consta a abertura de mais baias para carga e descarga e a definição de horários para estes serviços”, conta Bicharra.
Segundo o presidente da ACA, a Enrique Martins já tem agendada a retirada dos ambulantes. “As negociações já estavam adiantadas e no próximo dia 19, os informais passarão a ocupar em definitivo, o shopping popular Galeria Espírito Santo,” fecha.

Reordenação dos camelôs
Com a inauguração do shopping popular Galeria Espírito Santo inicia-se enfim a reordenação dos ambulantes do Centro. Com 323 vagas, a galeria será definitiva e a intenção é transformar o ambulante em microempresário e tirá-lo da informalidade, explica o titular da Semc, Glauco Luzeiro.
“Com recursos do Fumipeq (Fundo Municipal de Fomento à Micro e Pequena Empresa) o ambulante poderá se formalizar e com isso reivindicar suas demandas. O trabalho para reorganizar o Centro inicia agora. Ainda em setembro inaugura a Galeria dos Remédios e no começo do de 2015 o shopping popular do T4,” resume Luzeiro. Na desapropriação da Galeria Espírito Santo foram gastos R$ 5,6 milhões. Outros R$ 6 milhões foram pagos na desapropriação da Galeria dos Remédios, entre a estrutura para o local definitivo e a provisória.
Quanto a proposta de abertura da Marcílio Dias para o trânsito de automóveis, o secretario afirma que ainda é algo a se definir, mas que a prefeitura já conta com projetos para receber os ambulantes que sairão do local. “Antes da proposta da ACA os camelôs já sabiam do remanejamento, sei que pode haver alguma resistência mas estamos prontos”, conta. Após a reordenação a Semc tem parceria com a Sempab (Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento) para evitar que novos ambulantes ocupem a área.

Resistência
Mesmo entendendo que a retirada dos camelôs dará uma repaginada no visual, os lojistas da Marcílio Dias mostram-se preocupados e alegam que a ação, junto a abertura da rua para automóveis, ocasionará uma queda nas vendas. Gerente de uma importadora na via, France Moura está receosa, “Não fomos consultados sobre a abertura. Nem sabíamos até agora. Creio que só irá trazer prejuízos. Alguns carros já estacionam atrapalhando a área. Com isso a rua se tornará mais estreita, espantando os clientes”. Para a gerente é consenso entre os lojistas que os camelôs servem de chamariz para compras. “Quando eles não trabalham, sentimos uma queda no movimento. A área já é tradicional para este tipo de comércio”, disse a gerente.
Outro que teme prejuízos é o camelô Cláudio Freire, trabalhando na Marcílio Dias, o ambulante diz ter freguesia e que a ida para as galerias inibe o cliente. “As galerias não são atrativas e teremos queda nas vendas. Quanto aos carros na rua, estes só atrapalham, quase não vemos fiscalização e logo será um grande estacionamento”, resume.
Coleta seletiva
Vista como uma vitória dos comerciantes e da população, a coleta seletiva de lixo gerado por transeuntes e lojas da rua Marechal Deodoro e avenida Eduardo Ribeiro começa a ser realizada na próxima segunda-feira (7), mas os trabalhos de conscientização já iniciaram. Equipes da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos) vêm alertando os comerciantes sobre o que será coletado e os horários de coleta. Este acompanhamento será feito até a consolidação do projeto.

Segurança
A área da Praça da Matriz começa a receber obras de revitalização, mas ainda precisa de um reforço na segurança. Desse a retirada do box da PM que ficava no local, os empresários associados à ACA vêm mantendo um contêiner com policias militares para a segurança. “A área é de grande perigo e prejudicial ao comércio, já que o consumidor sente medo em andar por ali. O empresariado hoje paga o contêiner, mas esperamos que a PMM dê continuidade a proposta”, disse Bicharra.
De acordo com Bicharra, a iniciativa de reforçar o policiamento veio de necessidades urgentes da categoria. “Como entidade empresarial, às vezes vemos o que a prefeitura não vê e agimos com mais celeridade. É assim com a segurança e com as barreiras na época das cheias”, resume.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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