Comércio deve contratar efetivo 50% maior para o período natalino

Em: 29 de outubro de 2008
Enquanto o segmento prevê a contratação de aproximadamente 6 mil trabalhadores, o setor industrial busca alternativas para não demitir seu quadro funcional
Enquanto o segmento prevê a contratação de aproximadamente 6 mil trabalhadores, o setor industrial busca alternativas para não demitir seu quadro funcional

Contrariando a tendência de escassez suscitada pela crise financeira, a demanda pela mão-de-obra no Amazonas deve crescer 50% em relação ao ano passado. Na observação do diretor do Departamento de Promoção ao Trabalho da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho), Murilo Alves da Cunha, o setor comercial deve liderar o número de contratações, embalado pelo crescimento das vendas de fim de ano.
Segundo Alves Cunha, o órgão prevê a contratação de 6 mil trabalhadores para o período de fim de ano no segmento comercial, ante a 4 mil trabalhadores admitidos no mesmo período do ano passado para trabalhar no comércio local.
“O comércio contrata muita gente nesse época para atender à população e, mesmo com a crise internacional, não deve ter seu desempenho comprometido”, disse Murilo Alves, que também destacou a importância do trabalho desenvolvido pela CDLM (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), ao oferecer treinamentos necessários para os trabalhadores que ingressam no ramo.
Para o diretor da Setrab, a procura pela mão-de-obra temporária deverá esquentar à partir do fim deste mês, quando as vendas das empresas do setor se intensificam.
Segundo dados do Ca­ged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), nos nove primeiros meses deste ano, o setor comercial do Amazonas admitiu 26.744 trabalhadores, registrando elevação de 15,78% em relação ao período igual de 2007, quando 23.097 trabalhadores estavam em atividade.
Se por um lado, o comércio tem boas perspectivas em relação à geração de empregos, por outro lado o setor industrial deve suspender contratações para os próximos meses. De acordo com o presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Eletroeletrônicos e Similares do Amazonas), Wilson Périco, as indústrias do DI (Distrito Industrial) deveriam contratar 10 mil colaboradores para trabalharem nas produções de fim de ano das indústrias do PIM (Pólo Industrial de Manaus), mas o número de admissões caiu em 50%.

Férias são antecipadas

Segundo Périco, essa foi uma estratégia que as empresas encontraram para não se comprometerem futuramente e, com isso, muitas indústrias devem também reduzir sua margem de produção para poderem continuar competitivas no mercado.
O presidente do Sinaees apontou ainda a antecipação das férias coletivas, que deveriam ocorrer em dezembro e início de 2009, para este mês, como uma outra forma de evitar que trabalhadores das indústrias fossem demitidos. “É uma alternativa, já que a empresa não pode arcar com os custos de segurar um funcionário para uma atividade que não vai ser realizada e, com isso, os impactos na operação industrial tendem a ser minimizados”, frisou Périco, que disse ainda que as férias coletivas também gerem custos para uma indústria, embora menores.
A direção do sindicato das indústrias de eletroeletrônicos pontuou que esse não é o melhor momento para um trabalhador pleitear uma vaga no DI, mas o momento não impede que as pessoas com interesse em ingressar no mercado de trabalho continuem se aperfeiçoando e buscando capacitação para futuras contratações no pólo. “As pessoas que buscam uma vaga de trabalho no PIM tem quer obter uma capacitação diferenciada”, observou Wilson Périco.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, João Brandão da Silva, também descarta a possibilidade de que as empresas do DI venham a diminuir o seu quadro de funcionários, e afirma que a antecipação das férias coletivas foi uma decisão cautelosa das empresas em relação ao momento que o país se encontra.
Brandão acredita também que a união dos sindicatos patronais e dos trabalhadores da indústria é imprescindível neste momento. “O diálogo tem que acontecer, já que tanto os sindicatos dos trabalhadores, quanto os sindicatos patronais têm interesse em manter o nível de emprego para alcançar as metas de crescimento industrial no Estado, buscando soluções, dentro do que é possível, para enfrentarmos os entraves que por algum motivo sejam ocasionados”, pontuou.
Até o final de outubro, 26 empresas deram férias coletivas aos seus colaboradores, sendo que 95% das empresas são as indústrias do pólo de duas rodas, sendo a Honda como uma das primeiras a aderir a essa precaução, liberando cerca de 2 mil trabalhadores no último dia 20 por 15 dias.
De acordo com o sindicato dos metalúrgicos, o número de empresas que concederam férias coletivas aos seus funcionários não deve aumentar, já que no mês de novembro as empresas deverão manter seu nível de produção para continuar atendendo à atual demanda do mercado.
Em relação às demissões, o dirigente acredita que o número de desligamentos está dentro da média anual, e informou que em 2006 foram demitidos 12.983 trabalhadores. No ano passado, o número cresceu 13.104, e esse ano, até o mês de setembro, 11.620 colaboradores deixaram de exercer algum tipo de atividade empregatícia.
“Demitir trabalhadores é a última opção que as empresas devem adotar diante do atual cenário econômico”, con-cluiu o diretor João Brandão.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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