Aumento de empregos, de oferta de crédito e redução da inadimplência confirmam a inclusão das classes C e D na chamada ‘nova classe média’ no Amazonas. Segundo os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2010, 9,7% da população possui rendimento nominal de dois a dez salários mínimos, ou seja, entre R$ 1.020 e R$ 5.100, (usando como base de cálculo, a cifra de R$ 510). Em Manaus, esse percentual cresce para 14,2%. Apesar de ainda parecer baixo, o número já encosta na média nacional que é de 14,89% da população.
“A renda vem aumentando e com ela novos comportamentos econômicos estão se firmando tanto aqui quanto no resto do país. Luxos, antes impensáveis como carros, viagens e até apartamentos financiados já são possíveis”, comentou o disseminador de informações do órgão, Adjalma Nogueira.
O gestor de novos negócios da loja de eletrônicos e eletrodomésticos Ramsons, Marcelo Salum, conta que, no ano passado, o incremento das vendas foi, em média, de 25% em todas as linhas, com exceção dos aparelhos celulares que chegaram a 40% de acréscimo nas vendas. Segundo ele, parte desse bom desempenho se deveu à troca por novas tecnologias, somada ao poder aquisitivo dessa faixa consumidora.
“Tivemos um aumento significativo na venda de televisores LCD, porque a classe média está nesse processo de troca da TV de tubo por essa tecnologia. Itens de informática como net books e smartphones também se destacaram em 2011. Um netbook que custava em média R$ 2.500 passou a sair por R$ 1.200 com a mesma qualidade e mais facilidade no pagamento. A dona de casa também passou a buscar mais conforto, trocando os ventiladores pelo ar condicionado do tipo split”, exemplificou.
O vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, lembra que desde o momento em que a inflação se estabilizou, com o Plano Real, a economia já acenava para essa mudança, mais evidente a partir de 2009. “Antes, a inflação devorava o poder de compra. Após esse momento, o crédito começou a ficar mais disponível e, por consequência, tivemos a ascensão das duas classes”, detalhou.
Segundo o economista, em 2011, alguns incentivos do governo federal como as mudanças no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre a linha branca e de IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) sobre os empréstimos particulares favoreceram o consumo da classe média.
“Além disso, tivemos uma intensa concorrência com os produtos importados, no ano passado, que apesar de ser prejudicial, em boa medida, para o PIM, para o comércio foi salutar, uma vez que a competição gera a queda do preço dos produtos, estimulando ainda mais o consumidor”, explicou.
Como resultado, o ano passado, assim como os dois anteriores, foi marcado por uma adequação do mercado para satisfazer os desejos da nova classe consumidora. “Os produtos sofreram uma nova configuração nas lojas, acompanhando o crescimento da demanda por produtos mais populares. Os automóveis de linhas nacionais mais baratas e aparelhos de ar condicionado dispararam na preferência”, informou o vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
A tendência, conforme avaliou é de que o nível de consumo dessa faixa da população mantenha o ritmo forte em 2012.
COMPORTAMENTO – Mercado de olho na nova classe média
Em: 19 de janeiro de 2012
Carros, viagens e até apartamentos financiados estão entre os objetos de desejo dessa nova fatia de consumidores no Amazonas
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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