Concessionárias de veículos novos fecham o ano com expansão de 10,46%, no Amazonas

Em: 12 de janeiro de 2024

A concessionárias amazonenses de veículos zero quilômetro fecharam 2023 com alta de 10,46% nas vendas. O volume comercializado pelas empresas saltou de 68.334 para 75.485 unidades, em comparação a 2022, em resultado sustentado pelas motocicletas e comerciais leves. Também acelerou 1,58% na passagem de novembro (6.579) para dezembro (6.683) – que teve a mesma quantidade de dias úteis. Em ambos os casos, o Estado seguiu a média nacional. Mas, diferente do ocorrido no restante do país, a comparação com a marca atingida um ano atrás (8.073) resultou em um tombo de 17,22%.

Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e levou em conta todos os tipos de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.

Dezembro registrou licenciamento de 400.018 veículos em todo o país, com elevação de 10,74% frente ao mês anterior (361.218), e alta de 9,03% sobre o mesmo mês de 2022 (366.883). No ano, as vendas expandiram 12,02% (4.108.030). O resultado superou com folga as expectativas da Fenabrave, que davam conta de um incremento de apenas 3,3%. A estimativa da entidade é que 2024 seja ainda melhor, com alta de 13,54%, com “maior oferta de crédito” e “recuperação da indústria”. No Amazonas, no entanto, o setor já se ressente de falta de alguns modelos, por conta da vazante histórica.

Automóveis x motocicletas

Em dezembro, quatro das sete categorias listadas pela Fenabrave tiveram expansão de vendas no Amazonas, na variação mensal. O melhor desempenho veio de implementos rodoviários, que escalou 135%, com apenas 47 unidades comercializadas. Também foi um mês de recuperação para caminhões (+35,71% e 114) e motocicletas (+3,75% e 4.233), além de um leve aquecimento para automóveis (+0,49% e 1.646). As quedas vieram de comerciais leves (-13,89% e 558), ônibus (-18,33% e 49) e de “outros veículos”, como tratores, máquinas agrícolas e carreta (-31,71% e 28).

Os desempenhos foram mais sofríveis e restritos na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com os crescimentos se limitando aos comerciais leves (+0,54%) e implementos rodoviários (+193,5%). Um número pouco superior de categorias conseguiu fugir do vermelho, no aglutinado de janeiro a dezembro. Nesse cenário, as altas se restringiram às motocicletas (17,11% e 48.668), aos comerciais leves (+20,13% e 6.911), e também aos implementos rodoviários (+1,70% e 358).

As motocicletas voltaram a aumentar a diferença em relação aos veículos de quatro rodas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 60,81% (2022) para 64,47% (2023), no comparativo do acumulado do ano. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves reduziu novamente sua fatia na mesma comparação, com 32,79% (2023) contra 35,71% (2022).

Crédito e vazante

De acordo com o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, o segmento, embora tenha tido curta duração, a concessão do incentivo federal pelas MPs 1175 e 1178 ajudou a oxigenar o mercado, em paralelo com a redução dos juros. “No segundo semestre, tivemos um desempenho melhor também, devido a essa baixa e a uma maior flexibilidade no crédito. Nosso crescimento foi de 6% a 10% nas vendas, comparando com o ano anterior. Dezembro foi um mês muito bom e já estamos vendo que 2024 está aquecendo, com as taxas mais baixas”, comemorou.

O empresário assinala que o mercado de pessoas jurídicas segue aquecido e dominante no Amazonas e que, diante do atual cenário, a expectativa é de um crescimento de 10% nas vendas da empresa, em 2024. “As locadoras que sustentam grande parte do mercado, assim como as fábricas. Elas compram o ano inteiro. Estou muito otimista com o que estou vendo esse mês, e acho que o ano vai ser excelente. Se tiver flexibilidade no crédito o crescimento é certo e, pelo que se diz, isso vai acontecer. A queda nos juros e no crédito são essenciais para o nosso mercado”, afiançou.

Diogo Augusto Maia da Silva aponta, por outro lado, que a crise da vazante pode ter deixado uma bomba relógio para o mercado, em caso de uma ascensão mais forte na demanda. “As lojas estão cheias, mas muitos modelos específicos já faltam ou demoram. Passamos agora pelo problema da seca: todos os carros ficaram parados no Porto de Belém e travados nas fábricas, sem poder embarcar, já que foi dada prioridade a perecíveis, como remédios e alimentos. Além disso, as férias coletivas das fábricas aumentaram os prazos de entrega”, alertou. 

“Soluções permanentes”

Em comunicado à imprensa, a Fenabrave prevê um crescimento de 13,54% nas vendas de veículos novos em todo o país, com 4.518.871 unidades. Para automóveis e comerciais leves (2.440.887), a entidade projeta um aumento de 12%, mas a expectativa é ainda melhor para as motocicletas (+16% e 1.834.571). “Prevemos uma possível melhora na oferta do crédito, assim como um ambiente positivo na indústria, que terá mais incentivos para o desenvolvimento de novos produtos, a partir do Programa Mover, recém- anunciado pelo governo”, adiantou o presidente da entidade, José Maurício Andreta Júnior.

Para o dirigente, 2023 foi um ano de “recuperação importante” para o setor, que fechou com mais de 2 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados, pela primeira vez desde 2019. “No entanto, temos que lembrar do impulso das medidas provisórias que estimularam o setor, o que mostra que é necessária a busca de soluções permanentes que mantenham o mercado aquecido, já que se trata de um setor que conta com 7.400 concessionárias, instaladas em mais de 1.000 municípios e que respondem por mais de 300 mil empregos e por 5% de participação no PIB nacional”, ressalvou.  

Segundo Andreta Júnior, além dos estímulos fiscais – concedidos por meio das Medidas Provisórias 1175 e 1178 –, a melhora do crédito, com início do ciclo de redução da taxa de juro, nos últimos meses do ano, foi fundamental para a alta de dois dígitos. “A disponibilidade e o custo do crédito têm muita influência na decisão de compra dos consumidores. Com a ligeira melhora na inadimplência, no último trimestre de 2023, percebemos que houve uma maior disponibilização de crédito por parte das instituições financeiras e isso foi captado pelo mercado”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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