O ICI (Índice de Confiança da Indústria), indicador síntese da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, subiu pela segunda vez consecutiva, informou ontem a FGV (Fundação Getúlio Vargas). O indicador avançou 0,5% em outubro em relação a setembro. No mês passado, o ICI havia subido 0,4% na comparação com agosto.
O ICI é um indicador cujo cálculo é baseado em cinco tópicos da Sondagem da Indústria, três sobre expectativas e dois sobre situação atual. Os resultados desses tópicos compõem dois indicadores, o ISA (Índice da Situação Atual) e o IE (Índice de Expectativas). A partir dessas respostas, a FGV elabora o resultado do ICI dentro de uma escala que vai de zero a 200 pontos, sendo que o desempenho do indicador é de queda ou de elevação se a pontuação total das respostas fica abaixo ou acima de 100 pontos, respectivamente. Os dados atualizados do índice mostram que, de setembro para outubro, o indicador subiu de 113,4 pontos para 114,0 pontos, na série com ajuste sazonal.
Na análise da FGV, a melhora na confiança foi causada principalmente pelas expectativas mais otimistas em relação aos próximos meses. O ISA (Índice da Situação Atual) mostrou alta de 0,3% este mês, após cair 0,3% no mês passado, na série com ajuste sazonal. O IE (Índice de Expectativas) apresentou taxa positiva de 0,7% este mês, após subir 1,3% em setembro.
Na comparação com outubro do ano passado, o ICI registrou alta de 6,3% esse mês, uma elevação menos intensa que a taxa positiva de 9,0% registrada em setembro, na mesma base de comparação, na série sem ajuste sazonal. Em relação a outubro do ano passado, nos dados sem ajuste sazonal, houve aumentos de 9,2% e de 3,4%, respectivamente, para o índice de Situação Atual e para o indicador de Expectativas, em outubro deste ano. O levantamento para cálculo do índice foi realiado entre os dias 4 e 27 deste mês, em uma amostra de 1.191 empresas do segmento industrial.
Capacidade instalada
O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade
Instalada) da indústria, na série com ajuste sazonal, alcançou patamar de 85,2% em outubro, após registrar nível de 85,0% em setembro, segundo informou a FGV. O desempenho de outubro foi o maior patamar do Nuci desde junho deste ano, quando o uso da capacidade alcançou 85,5% na série com ajuste sazonal.
A Fundação Getúlio Vargas informou ainda que, com o resultado, a média do trimestre de agosto a outubro ficou em 85,0%, o mesmo nível da média do trimestre de julho a setembro.
Conforme a FGV, este é o sexto mês seguido em que o Nuci médio trimestral oscila no intervalo entre 84,8% e 85,2%. Na série de dados sem ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em outubro foi de 86,4%, patamar superior ao apurado em setembro, quando atingiu 85,9%.
Otimismo acompanha ritmo da atividade
A avaliação que o coordenador de Indicadores Industriais da FGV, Aloisio Campelo, faz da evolução em outubro dos índices que compõem a Sondagem da Indústria da Transformação é de uma moderação em linha com o ritmo da evolução da atividade industrial. Esta moderação se mostra tanto pelos indicadores que refletem o momento atual de expectativas como os de demanda externa.
O avanço registrado em outubro, de acordo com Campelo, ocorreu por conta, principalmente, das expectativas mais otimistas com relação aos meses seguintes. Para o coordenador, após a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a volta da cobrança integral do tributo, os fatores industriais estão voltando a se comportar dentro da normalidade.
“O IPI ajudou a economia a sair mais rápido da crise em duas etapas. De dezembro de 2009 para janeiro deste ano, a economia se acelerou por conta da redução ou isenção total do imposto sobre alguns produtos. De março para abril, quando o incentivo foi retirado, a economia se ressentiu e, agora, está voltando ao normal”, explicou.
O coordenador acrescentou que, nos dois momentos, houve corrida do consumidor às compras, com destaque para a compra de bens duráveis. No terceiro trimestre, veio a dúvida sobre como se comportaria a economia. Naquele momento, houve desaceleração do ICI. Agora, está ocorrendo a normalização, mas os dados quantitativos da indústria, de acordo com a sondagem de outubro, sinalizam para um crescimento, apesar de alguns setores, como o de aço, estarem sofrendo com as importações.
Segundo Campelo, um setor que está reproduzindo bem as nuances geradas pelo incentivo fiscal é o da construção civil. A construção desacelerou no terceiro trimestre e agora já começa a apresentar sinais de recuperação, indicando que, na média, a indústria como um todo está crescendo.







