Consumidor utiliza linhas mais caras

Em: 5 de maio de 2009
Uma análise com base nos números do desempenho do comércio varejista sobre a situação do crédito no Amazonas durante o primeiro bimestre revelou que as linhas de financiamento com taxas de juros mais caras foram as mais usadas pelos consumidores locais
Uma análise com base nos números do desempenho do comércio varejista sobre a situação do crédito no Amazonas durante o primeiro bimestre revelou que as linhas de financiamento com taxas de juros mais caras foram as mais usadas pelos consumidores locais

Uma análise com base nos números do desempenho do comércio varejista sobre a situação do crédito no Amazonas durante o primeiro bimestre revelou que as linhas de financiamento com taxas de juros mais caras foram as mais utilizadas pelos consumidores locais. O cheque especial, que aumentou 4%, e o cartão de crédito, cuja elevação atingiu 18% na comparação com igual período do ano passado, voltou a cair no gosto do manauense na hora de adquirir um produto.
A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), responsável pelo estudo, apontou ainda que essa participação do cheque especial e do cartão de crédito nos dois primeiros meses do ano atingiu 64% de todo o crédito concedido nas compras durante o período.
Essa tendência observada no varejo da capital amazonense chama a atenção quando confrontada com os dados divulgados recentemente pelo Banco Central, segundo o qual a taxa do cheque especial subiu 2,4% em março. Além disso, de acordo com a instituição bancária, no acumulado de 12 meses, houve elevação de 19,3 pontos porcentuais.
O economista-chefe da Fecomercio, José Fernando Silva, analisou que a retomada do fôlego nas vendas a prazo por meio do ‘dinheiro de plástico’ reflete ao mesmo tempo o otimismo na liberação de crédito pelas administradoras de cartão ao cliente e o resultado da falta de recursos financeiros durante o período sazonal de vendas no primeiro bimestre. Mas segundo o especialista, apesar do crescimento das operações de crédito e por cheque especial, em todos os grupos de atividade do comércio local a forma de pagamento predominante ainda foi o pagamento à vista em débito automático ou no dinheiro. “O cartão de crédito para o consumidor consequentemente vem sendo utilizado como uma espécie de cheque pré-datado, um ‘quebra-galho’ para momentos difíceis, embora não estejamos numa espiral inflacionária. Além disso, algumas empresas de porte médio passaram a usar o cartão de crédito corporativo, o que impactou para essa ascensão”, explicou.
De acordo com a Fecomercio, dos pagamentos no comércio varejista manauense durante o primeiro bimestre, perto de 59,5% foram realizados à vista, sendo 34,1% por meio de cartão de crédito e 6,4% por meio de outras formas de pagamento (convênio, cheque pré-datado, vendas à prestação e empenho). “Os números da intenção de compra já mostraram que o consumidor quer ampliar suas compras, o que remete a um retorno da força do cartão de crédito, a esse fortalecimento da moeda plástica junto ao consumidor amazonense neste ano”, resumiu.
Mas para o empreendedor João Marcos Gallucio, atuante no setor de calçados, o novo fôlego no comércio proporcionado pela retomada dos cartões precisa ser cauteloso para se evitar aumento na inadimplência. “O problema é que os consumidores sentiram suas opções de crédito diminuírem e estão sendo levados a buscar nas modalidades mais caras a alternativa para pagamento de seus compromissos e dívidas. Apesar de ser bom para os lojistas, este aspecto é uma das razões da elevação tanto do nível de endividamento dos consumidores, quanto da inadimplência”, analisou.
No caso do cartão de crédito, segundo levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), a taxa cobrada pelas administradoras foi de 10,68% no mês de março e de 237,93% ao ano.
O presidente da FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), Ralph Assayag, prefere acreditar que não exista uma preocupação maior dos lojistas locais em relação aos níveis de inadimplência. “O comércio tem mantido sob controle os níveis de inadimplência, por isso não vejo razão para ficar com pé atrás diante do crescimento nas vendas por cartão de crédito e cheque especial”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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