A menor atratividade da poupança, em decorrência da queda dos juros, assim como a tendência de liberações rotineiras de recursos do FGTS preocupa a construção civil. Mas, as construtoras, assim como as empresas do setor imobiliário, apostam que o financiamento para as atividades deve continuar fluindo em 2020, contribuindo para o crescimento.
A poupança tem rendimento de 70% da taxa Selic, que chegaram ao menor nível da história: 4,5% ao ano. Como consequência, o interesse nas aplicações em poupança diminuiu em 2019. Os investidores depositaram R$ 13,23 bilhões a mais do que sacaram na aplicação, de acordo com divulgação do Banco Central. Isso representa queda de 65,2% em relação à captação líquida – a diferença entre depósitos e retiradas – registrada em 2018 (R$ 38,26 bilhões).
A maior parte da captação líquida ocorreu em dezembro. No mês passado, os investidores depositaram R$ 17,21 bilhões a mais do que retiraram, compensando a retirada líquida em outros meses. Foi o melhor resultado para meses de dezembro desde 2017 (R$ 19,37 bilhões). Vale notar que o pagamento do 13º costuma elevar os depósitos da poupança, no período.
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, diz que a menor atratividade da poupança e o fato de que o FGTS está sendo “cada dia mais atacado” preocupam o setor. De acordo com o dirigente, a tendência é que os fundos imobiliários sustentem a atividade, o que já começa a acontecer, já que o investidor tem na construção civil um retorno maior do que em outras áreas.
“Os recursos do SBPE e do FGTS não acabaram, mas reduziram. A Caixa Econômica parou de investir na faixa 1 e 1,5 do Minha Casa Minha Vida, porque o viés do novo governo e de seu Ministério da Economia é mais liberal e não quer subsidiar nada. O que vai acontecer é que os fundos vão continuar captando e os bancos, aplicando no setor. Mas o dinheiro para financiamento será de mercado e comparativamente mais caro, apesar da Selic menor”, avaliou.
Frank Souza diz que o governo já projetou um investimento imobiliário de R$ 65 milhões para todo o país, em 2020. Trata-se de um inferior ao de 2019 (R$ 85 milhões), “um ano tumultuado”. Mas, segundo o presidente do Sinduscon-AM, a expectativa é que a construção civil, que cresceu 2% do PIB em 2019, avance 4% neste ano, já que a Reforma da Previdência deve proporcionar folga de caixa para investimentos em infraestrutura
“Esses financiamentos para obras privadas e públicas vão acontecer. E o dinheiro para o setor imobiliário vai continuar existindo. Talvez tenhamos um critério de aprovação mais apurado e um mercado mais maduro, sem aquele investidor especulativo, que gerou muito distrato e números irreais. Teremos uma economia mais estabilizada, uma confiança melhor, juros menores, e boa condição de retorno”, amenizou.
Financiamentos securitizados
Na mesma linha o diretor da Comissão da indústria imobiliária da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Henrique Medina, diz que oscilações na poupança são normais, em função da Selic, e que o mercado está preparado para isso. No entendimento o dirigente, o fato de o brasileiro ser conservador nas finanças, garante que a poupança sempre terá seu espaço.
“Isso não vai trazer insegurança ou prejudicar o crescimento do mercado imobiliário. Produtos convencionais, que são financiados pelos recursos da poupança, vão continuar crescendo e o dinheiro vai continuar existindo. E um dos motivos para isso é a decisão da Caixa de criar uma nova modalidade de financiamento atrelada ao IPCA, com acréscimos de 2,95% a 4,95%. Isso dá mais segurança, porque securitiza a carteira”, finalizou.







