O custo da construção civil desacelerou no Amazonas em fevereiro. O passivo por metro quadrado ficou 0,27% mais caro no Estado, em relação a janeiro, passando de R$ 1.475,32 para R$ 1.479,37. A alta correspondeu a praticamente à metade da média nacional (+0,56%) do período, e foi bem mais amena do que a registrada no levantamento anterior (+1,22%). Os dados são da pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.
Ao contrário dos meses anteriores, o valor médio do custo dos insumos encolheu 0,31%, ao pontuar R$ 914,81 (fevereiro) contra R$ 917,65 (janeiro). A avaliação do mercado é que a aguardada queda nos preços dos materiais de construção se deve aos impactos das altas da inflação e dos juros no poder de compra das famílias. O acréscimo global do indicador do IBGE foi puxado essencialmente pelos dispêndios das construtoras amazonenses com mão de obra, que emendaram um segundo mês seguido de alta e ficaram 1,23% mais salgados na mesma comparação, saltando de R$ 557,67 para R$ 564,56.
Por conta disso, diferente do ocorrido nos meses anteriores também, o índice de alta do Sinapi do Amazonas ficou aquém da inflação oficial, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pelos preços dos segmentos de educação e alimentação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 1,01%, em fevereiro, desacelerando ante janeiro (+0,54%). A mesma dinâmica também se deu no bimestre, com uma ligeira vantagem do IPCA (+1,56%) sobre o indicador local da construção civil (+1,49%). Na análise dos últimos 12 meses, contudo, os papéis se invertem (+10,54% contra +14,55%, na ordem).
Com a alta arrefecida na variação mensal de fevereiro (+0,27%), o Estado caiu do sétimo para o 24º lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais. Amapá (+4,91%), Sergipe (+1,31%) e Maranhão (+1,18%) registraram os valores mais elevados. Em contrapartida, Acre (+0,20%), Piauí (+0,12%) e Rio Grande do Sul (os dois com +0,11%) figuraram nas últimas posições. O Norte (+0,74%) voltou a registrar a maior alta regional, com cinco Estados ainda assinalando aumento de preços nos insumos. Foi seguido por Nordeste (+0,56%), Sudeste, Sul (ambos com +0,53%) e Centro-Oeste (+0,52%).
Abaixo da média
O custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.479,37) segue abaixo da média nacional (R$ 1.533,96), e caiu da 16ª para a 18ª colocação entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.725,77), Rio de Janeiro (R$ 1.689,50) e Acre (R$ 1.632,71) ainda registram os dispêndios médios mais elevados do país. Na outra ponta, os valores mais baixos ficaram no Rio Grande do Norte (R$ 1.351,86), Sergipe (R$ 1.371,11) e Pernambuco (R$ 1.396,58).
O Estado (R$ 914,81) também se manteve em uma posição intermediária no ranking brasileiro do custo de materiais para a construção civil, recuando da 15ª para a 16ª posição, em uma lista liderada pelo Acre (R$ 1.025,92) e encerrada pelo Rio Grande do Norte (R$ 845,35). Em termos de mão de obra, o Amazonas ocupa uma colocação ainda mais baixa (17ª), em uma lista onde os extremos estão em Santa Catarina (R$ 794,28) e Sergipe (R$ 493,63). As respectivas médias nacionais, por outro lado, foram R$ 922,86 e R$ 611,10.
Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a redução dos preços dos insumos se deve à piora na macroeconomia do país e os efeitos do novo cenário sobre as decisões do consumidor e “os preços de balcão”. O pesquisador salienta, entretanto, que é cedo demais para estabelecer tendências de curto prazo, dados os impactos econômicos negativos da guerra na Ucrânia.
“Apenas a mão de obra variou um pouco, indicando uma possível estabilidade no indicador local, que vinha subindo desde 2020. Outro fator que reforça a possível freada na subida, é a redução de vendas dos materiais de construção, detectada pela pesquisa do comércio”, ponderou. “Mas, na verdade, toda a conjuntura econômica pode ser afetada pelas consequências da guerra, principalmente com o aumento do combustível”, emendou.
Em texto postado na Agência Brasil, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, avaliou que a taxa nacional do Sinapi em fevereiro demonstra que o setor de construção civil, vem se aproximando de taxas mais próximas do período pré-pandemia, após passar por um período de “altas sequenciais atípicas”, por conta do encarecimento dos insumos para construção civil, logo após a primeira onda da pandemia. “É uma situação que acontece desde o segundo semestre de 2021”, reforçou.
“Novo ciclo”
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, concorda que os números apontam um cenário de estabilização nos valores dos materiais. O dirigente também voltou a levantar hipótese de que a nova alta decorre da fase de acabamento em que se encontraria a maior parte das obras realizadas no Estado –estágio que exige um profissional mais especializado e que ganha mais.
“No caso da mão de obra, às vezes as empresas fazem o acerto dos valores da convenção coletiva de trabalho e deixam uma outra parte para janeiro. Mas, neste caso, está sendo pago tudo da mesma forma, desde julho. A influência para a alta veio mesmo da modalidade de serviço aplicado. Mas, pelo tipo de construção que está sendo executada, não há, até onde sei, valores significativos de obras que não sejam no padrão econômico [de imóveis]. Então, a tendência aqui é de estabilização também, pelo menos até a próxima convenção coletiva, marcada para junho deste ano”, comentou.
O presidente do Sinduscon-AM ressalta que não há mais “ambiente” no mercado que sustente novas altas de materiais de construção. Frank Souza ressalta, contudo, que a economia “vive de ciclos”, e aponta que a piora na economia mundial, em decorrência do conflito militar na Europa, pode abater esse movimento de estabilização no nascedouro.
“Acho que, quando formos verificar os números de março, veremos aumentos de preços de insumos. Acho que o custo vai subir, não mais tanto pela Selic, mas sim pelos reajustes dos combustíveis. Essas altas de 18%, na gasolina, e de 25%, no diesel, vão influenciar efetivamente. Houve o ciclo da Covid-19, e agora temos o ciclo da guerra da Rússia com a Ucrânia, que está dando esse impacto, e o governo não está conseguindo segurar. Vamos aguardar para ver”, finalizou.







