Depois perder força na virada do ano, o INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas recuou 0,07% na passagem de janeiro para fevereiro, na contramão da média nacional (+0,25%), que seguiu novamente trajetória de alta. O valor do metro quadrado no Estado desceu de R$ 1.145,69 para 1.144,89, sendo R$ 633,27 relativos a materiais e R$ 511,62 oriundos da mão-de-obra.
Enquanto o passivo da força de trabalho permaneceu estável no setor pelo segundo mês seguido, os dispêndios relativos a insumos para a atividade recuaram na comparação com o mês anterior (R$ 634,07). Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).
O pequeno decréscimo situou o custo da construção civil do Amazonas em um patamar bem abaixo da inflação oficial do período. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou 0,25% em fevereiro – a menor taxa para os meses de fevereiro desde 2000 –, conforme divulgado pelo mesmo IBGE. Em 12 meses, o indicador acumulou 4,01% de alta – abaixo do custo acumulado da construção civil amazonense no mesmo período (+5,42%).
O aumento comparativamente menor de janeiro fez o Estado cair do 20º para o 24º lugar no ranking nacional de maiores custos da atividade. Bahia (+0,57%), Espírito Santo (+0,54%) e Mato Grosso do Sul (+0,48%) ocuparam os primeiros lugares. Em sentido inverso, Distrito Federal (-0,25%), Amapá (-0,11%) e Roraima (-0,10%) ficaram no fim de uma lista com cinco resultados negativos.
Abaixo da média
O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.165,13). Assim como nos meses anteriores, o Estado voltou a ficar em 14º lugar entre os maiores valores. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.335,54), seguida por Acre (R$ 1.295,80) e Rio de Janeiro (R$ 1.292,22). Os menores custos foram para Sergipe (R$ 1.002,55), Rio Grande do Norte (R$ 1.041,98) e Pernambuco (R$ 1.046,09).
O custo de mão-de-obra do Amazonas permanece inferior à média nacional (R$ 552,52), segurando o Estado na 15ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 690,39) ocupou o primeiro lugar, seguido de Rio de Janeiro (R$ 665,22) e São Paulo (R$ 637,22). Em contraste, Rio Grande do Norte (R$ 457,45), Sergipe (R$ 457,49) e Ceará (R$ 468,72) ficaram com os valores mais baixos.
Diferente do ocorrido nos meses anteriores, o custo de material puxou os números para baixo. Ainda assim, o Amazonas ficou bem acima da média nacional (R$ 612,61), elevando o Estado do décimo para o 12º lugar entre os maiores valores no Brasil. Acre (R$ 723,83), Distrito Federal (R$ 683,47) e Rondônia (R$ 679,62) encabeçaram a lista. Os menores valores foram para Sergipe (R$ 545,06), Espírito Santo (R$ 550,61) e Paraná (R$ 563).
“Os números do custo da construção em fevereiro demonstram uma estabilidade nos preços. E estamos justamente em uma época de baixa sazonalidade da atividade. Chuvas e Carnaval não combinam com construção. É um dado que favorece aqueles que estão construindo nessa época”, assinalou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ao Jornal do Commercio.
“Tipo econômico”
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, lembra que o fato de não haver variação no custo da mão de obra é normal, dado que o dissídio dos trabalhadores ocorre apenas em meados do ano. O dirigente acrescenta ainda que em torno de 90% dos imóveis construídos no Estado são do tipo econômico e, portanto, demandam matérias mais baratos. O que encarece mesmo, segundo Souza, é o frete.
“Temos também uma tributação que ajuda na questão das isenções e o preço do material talvez não fique tão caro. E há a variação do valor, segundo a fase da obra. Inclusive esse período chuvoso faz com que muito material mais caro, de áreas externas, não consiga ser aplicado e acaba dando uma diferença na cesta. Mas, no geral, estamos dentro da média. Você pode observar uma constante de valores, mesmo em relação ao resto do país”, finalizou.







