A produção industrial do Amazonas voltou a crescer no começo do ano, após a retração de dezembro (-1,5%) e a estagnação de novembro. Ao contrário da indústria brasileira, a amazonense pontuou resultados positivos em todas as comparações, o que não foi suficiente para impedir o Estado de perder posições nesses cenários. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta quinta (12).
Em relação a janeiro, a atividade industrial amazonense avançou 1,2%, em um movimento ainda insuficiente para repor a perda anterior neste tipo de comparação (-1,5%). No confronto com dezembro de 2018, houve incremento de 4,4%, resultado bem inferior ao anterior (+12,2%). A indústria do Amazonas também engatou seu sexto mês seguido no azul na variação acumulada dos 12 meses (+5,5%).
O incremento mensal situou o Estado acima da média nacional (+0,9%), mas não impediu sua queda da quinta para a 11ª posição, entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE. Bahia (+10,3%), Pernambuco (+8,7%) e Rio de Janeiro (+3,9%) encabeçaram a lista. Na outra ponta, Pará (-4,2%), Mato Grosso (-2,3%) e Santa Catarina (+0,8%) amargaram os piores índices.
Em paralelo, o aumento de 4,4% em relação a dezembro de 2018 fez a indústria amazonense cair do primeiro para o quarto lugar do ranking mensal do IBGE e em um patamar ainda bem acima da média brasileira (-0,9%). Rio de Janeiro (+9,8%), Bahia (+8,3%) e Pernambuco (+6,7%). Os desempenhos mais baixos ficaram em Espírito Santo (-20,9%), Minas Gerais (-14,2%) e Pará (-6,6%), em um panorama de sete números negativos.
Fora da curva
Oito das 11 atividades da indústria local levantadas pelo IBGE tiveram bom desempenho em relação ao mesmo período do ano passado. O maior número veio de impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos) com alta de 76,6% – a terceira fora da curva dos últimos meses, após uma longa série de quedas. Máquinas e equipamentos (condicionadores de ar, com +74,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +18,1%), outros equipamentos de transporte (motocicletas, com +13,4%) e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (celulares e computadores com +7,9%), entre outros, vieram em seguida.
Na mesma comparação, três atividades da manufatura amazonense amargaram desempenho negativo de produção: produtos de borracha e de material plástico (-14,6%), coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (gás natural, com -5,8%) e indústria extrativa (óleo bruto de petróleo, com -3,8%).
Crescimento e coronavírus
Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que o desempenho da indústria amazonense no primeiro mês de 2020 foi “bem positivo” e, ao apontar crescimento em todas as comparações, sinaliza que haveria uma “boa tendência” para uma repetição dessa performance nos próximos meses.
“No entanto, temos uma circunstância que possivelmente vai trazer reflexo negativo para a produção industrial: a falta de matéria prima para produção, provocada pela propagação do novo coronavírus, a partir dos países asiáticos. Assim, os próximos dados a serem divulgados na pesquisa, referentes a fevereiro, já poderão refletir esse momento do PIM”, ressalvou.
Recuperação e recessão
Na mesma linha, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, diz que os números positivos de janeiro não surpreenderam o setor, dado o desempenho dos meses anteriores e o ambiente econômico comparativamente melhor em 2020. O dirigente reforça, contudo, que o panorama sofreu uma severa piora a partir do Covid 19 e prejuízos econômicos que poderão “afetar seriamente” o PIB de 2020, em questões externas que fogem ao controle do Brasil e do Amazonas.
“Como já tive oportunidade de falar por diversas vezes, os sinais apresentados em 2019, nos davam esperanças de ter um melhor desempenho em 2020. São números que seriam animadores não fosse a situação e o cenário atual da economia seriamente afetada pela pandemia do novo coronavírus. Não há motivo para pânico, e tranquilidade é necessária para podermos enfrentar com disposição uma possível recessão, em decorrência da paralisação de atividades em vários países”, encerrou.






