A elevação da inadimplência das pessoas físicas em janeiro está relacionada principalmente a despesas típicas de início de ano e foi influenciada por excessos cometidos pelos consumidores na compra de veículos, disse, ontem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel. Segundo ele, a perspectiva é que os atrasos nos pagamentos parem de crescer nos próximos meses.
“O mercado de trabalho está bom, a inflação está caindo e as instituições financeiras estão mais criteriosas na hora de concederem crédito. Isso certamente vai se refletir em taxas menores daqui para a frente”, disse Maciel.
O chefe de departamento do BC também destacou que a concentração de pagamentos no início de ano, como impostos, matrículas escolares e gastos com férias deixa os correntistas com menos recursos. “O início de ano traz pressão sobre as despesas que às vezes resulta em atrasos nos pagamentos”.
Dados divulgados hoje pelo BC revelam que a inadimplência das pessoas físicas atingiu 7,6% em janeiro, no maior nível desde dezembro de 2009 (7,7%). Para Maciel, boa parte do crescimento do calote tem origem em consumidores que financiaram veículos no fim de 2010 e início de 2011 e foram surpreendidos pelas medidas de contenção do crédito anunciadas na época.
“As medidas macroprudenciais tiveram impacto exatamente nesse segmento. As modalidades [de financiamentos] de prazos mais longos ficaram mais onerosas e afetaram esses consumidores”, explicou Maciel. Ele destacou que os empréstimos para a compra de automóveis cresceram 49% em 2010 e 23% em 2011. “Esse ciclo de crédito se reflete nas taxas de inadimplência”.
Despesas aumentam a inadimplência
Em: 29 de fevereiro de 2012
Compras do material escolar para o ano letivo contribuem para a inadimplência
Redação
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