Dólar em baixa põe em xeque custos do Polo Industrial

Em: 1 de abril de 2011
Nem mesmo a alta de 0,12% na cotação do dólar desta quinta-feira, 31 (R$ 1,631), disfarçou os ‘fios brancos’ da indústria do Amazonas
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Nem mesmo a alta de 0,12% na cotação do dólar desta quinta-feira, 31 (R$ 1,631), disfarçou os ‘fios brancos’ da indústria do Amazonas

Nem mesmo a alta de 0,12% na cotação do dólar desta quinta-feira, 31 (R$ 1,631), disfarçou os ‘fios brancos’ da indústria do Amazonas. A moeda americana teve queda de 1,51% na última quarta-feira, sendo cotada a R$ 1,629, o menor valor desde 27 de agosto de 2008 (R$ 1,622).
O economista e auditor fiscal da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), Afonso Lobo, explana que um dos principais impactos deve prevalecer na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). “À medida que o dólar vai caindo, vai diminuindo a receita”, analisou.
Por outro lado, Lobo ressalta que o dólar baixo deve facilitar a produção das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus), tendo em vista que os insumos ficam mais baratos, o que resulta no aumento da competitividade. “O custo do produto diminui, consequentemente, o preço final também”, destacou.
Entretanto, a desvalorização é uma ‘faca de dois gumes’. Segundo o presidente do Sinaees/AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a disputa com os produtos importados, principais concorrentes dos itens da ZFM (Zona Franca de Manaus), fica mais acirrada, já que eles também sofrem uma redução na sua tabela de preços.
Além disso, Périco comenta que a produção amazonense precisa de componentes nacionais, os quais, por sinal, estarão mais caros devido a valorização do real. De acordo com o dirigente, nas indústrias de eletroeletrônicos, 80% dos insumos são importados, enquanto nas de duas rodas, este número é menor, em virtude da verticalização do setor.
O vice-presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Genoir Pierosan, avalia que o saldo é simples: para quem exporta, a situação é péssima, e para quem importa, mais favorável.
Ele salienta que o segmento de motocicletas e similares é voltado principalmente para o mercado interno e não deve sofrer neste sentido. “Se a gente for analisar, o polo de duas rodas mais importa do que exporta”, enfatizou.
O representante do Sinmen realça que, no geral, o setor metalúrgico atende os dois processos e, na tentativa de evitar este problema, reduz as exportações e assume os prejuízos para manter os clientes. “Genericamente falando, se eu comercializo um produto por US$ 2.000, tenho que permanecer com este preço, sendo que daqui está mais caro, então minhas receitas vão ser menores”, considerou.

Reação em cadeia

O economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Francisco Assis Mourão, esclarece que quem exporta vende em dólar, porém, recebe em reais. Ele detalha que o sistema econômico é uma reação em cadeia e é influenciado por qualquer acontecimento.
Exemplo disso é o setor de construção civil. Por enquanto, segundo o superintendente do Sinduscon/AM (Sindicato de Construção Civil do Estado do Amazonas), Cláudio Guenka, não há qualquer sinal do fogo que parece esquentar as discussões na indústria, pois o setor não sofre impacto direto, seja positivo ou negativo, em virtude dos insumos serem fabricados na região. No entanto, se houver qualquer interferência na fabricação dos materiais de construção, o cenário muda de figura.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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