Embargo da Turkis deixa pescador sem renda

Em: 27 de outubro de 2009
O embargo no aquário Turkis, empresa especializada na venda de peixes ornamentais e responsável por 70% da comercialização regional, deixou 2.000 pescadores “piabeiros” desempregados, sendo a grande maioria em Barcelos (a 405 km de Manaus)
O embargo no aquário Turkis, empresa especializada na venda de peixes ornamentais e responsável por 70% da comercialização regional, deixou 2.000 pescadores “piabeiros” desempregados, sendo a grande maioria em Barcelos (a 405 km de Manaus)

O embargo no aquário Turkis, empresa especializada na venda de peixes ornamentais e responsável por 70% da comercialização regional, deixou 2.000 pescadores “piabeiros” desempregados, sendo a grande maioria em Barcelos (a 405 km de Manaus). O embargo foi decretado pela Justiça de Altamira (Pará), numa operação deflagrada pela Polícia Federal paraense.
O proprietário da Turkis, Asher Benzoken, disse que há 70 dias sua empresa foi interditada judicialmente sob a justificativa de que estariam sendo averiguados alguns problemas de uma organização cliente que comercializa peixe ornamental em Altamira. “Minha empresa foi embargada e não me explicaram o motivo”, reclamou o empresário ontem, no plenário da ALE (Assembleia Legislativa do Estado), em audiência pública solicitada pelo deputado Walzenir Falcão (PMN).
Asher Benzoken disse que a única informação obtida é de que a Turkis estaria comercializando espécies proibidas. Segundo ele, por meio de parecer técnico, o Ibama-AM (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renoveis no Amazonas) negou tal prática, deixando claro que a Turkis não atua com espécies proibidas, mas a situação não se reverteu. “No meio de 2 milhões de peixes fiscalizados até poderia ter um ou outro diferente, o que não caracteriza ilegalidade”, justificou.
O empresário informou que há 30 anos a Turkis comercializa peixes da região -em sua maioria cardinal e crisóstomo, entre outros- e adquire algumas espécies de outros Estados, mas tudo dentro da portaria estabelecida pelo Ibama. “Minha empresa comercializa 70% do peixe ornamental vendido na região, isso significa que mais de 2.000 pescadores estão sem renda atualmente”, lamentou.
O assessor da Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado, José Leland, informou na audiência pública que pelo menos 300 famílias estão passando fome e que 6 milhões de peixes piabas já foram devolvidos ao ambiente natural. Ele apontou que a Turkis é uma das quatro empresas que estão operando com peixe ornamental hoje no Estado. “As outras três comercializam juntas 30% dos peixes ornamentais, o restante é vendido pela Turkis”, disse.
Segundo Leland, atualmente o Estado exporta 25 milhões de unidades de peixe ornamental, o que credencia o Amazonas como o maior exportador de peixe ornamental de água doce. Desse total, apenas 3% é comercializado no Brasil enquanto mais de 90% vai para 36 países de cinco continentes, entre os quais Ásia, Europa e EUA.
O peixe ornamental é a vida de Barcelos. Leiland informou que 75% da receita do município vêm da atividade. O município, que já teve 13 empresas do setor, foi reduzido a quatro. “Os empresários enfrentam sérios problemas, como a baixa do dólar ante o real e a falta de espaço nos voos”, apontou.
Com o embargo, Leland disse que Belém superou Manaus nas exportações. Ele informou que o Amazonas exporta em torno de US$ 2,3 milhões em peixes ornamentais anualmente, porém, neste ano deve sofrer uma queda de faturamento para algo em torno de US$ 1,2 milhão. Já o Pará deve exportar em torno de US$ 2 milhões.

No município, crise começa no preço pago aos “piabeiros”

A crise enfrentada pela pesca ornamental no Amazonas, na calha do rio Madeira, especialmente em Barcelos -o maior produtor de piabas-, além de Santa Isabel do Rio Negro (a 628 km de Manaus), começa pelo baixo preço pago aos pescadores de piabas, que recebem, em média, R$ 0,05 por peixe capturado. Ao ser exportado, o mesmo peixe chega a valer US$ 2 num petshop dos Estados Unidos.
Diante do que foi exposto na audiência, o deputado Walzenir Falcão disse que é preciso encontrar uma forma de disciplinar e fazer um escalonamento em algumas espécies, como também tratar da viabilidade das exportações, além de tentar chegar a um preço mínimo para o pescador junto aos empresários que adquirem seus produtos e exportam. Ele contou que, recentemente, teve conhecimento de que hoje um pescador está faturando uma média mensal de R$ 180, ou seja, menos da metade do salário mínimo. “Quero acreditar que isso não esteja acontecendo”, comentou.
Walzenir Falcão disse que reconhece que os empresários do setor têm seus prejuízos, mas que é preciso rever o preço pago hoje aos “piabeiros”.
Como líder do governo, o deputado Sinésio Campos (PT) destacou que, para tratar das pendências que envolvem o setor de peixe ornamental, se fazem necessárias parcerias com as prefeituras municipais, principalmente naquelas situadas nos municípios produtores de peixes ornamentais.
Sinésio Campos defendeu a necessidade de que esse assunto seja tratado de forma mais profunda, porque envolve a vida de milhares de pais de família que dependem da atividade e que estão sendo prejudicadas. O deputado propôs que seja feita uma nota de apelo nesta reunião para ser encaminhada aos órgãos federal e estadual que cuidam da atividade de peixes ornamentais, a fim de que o tema seja tratado com maior profundidade.
O representante da Secretaria de Estado da Produção Rural, José Leland, assegurou que a pesca ornamental está se consolidando no Amazonas, que tem capacidade para exportar dois milhões de peixes ornamentais por mês. O que falta, segundo ele, é uma política mais agressiva para tratar o setor que passa pela cadeia produtiva, fomento e organização sindical.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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