Emprego formal no interior ainda aguarda melhores dias

Em: 2 de agosto de 2019
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A criação de empregos no interior do Amazonas melhorou em junho, mas ainda se manteve em baixa. Apenas sete dos 22 municípios amazonenses listados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e apresentaram alta no saldo de postos de trabalho com carteira assinada em todas as comparações de períodos. 

A lista inclui Autazes, Boca do Acre, Fonte Boa, Humaitá, Itacoatiara, Manicoré e Nova Olinda do Norte. O total de municípios amazonenses nessa situação em junho – que inclui ainda a capital – foi superior ao de maio (seis), mas ainda está abaixo do registrado em março (11) e abril (oito). 

Benjamin Constant, Manacapuru e Parintins, que haviam pontuado positivamente em todos os cenários no mês anterior, caíram para o campo negativo no confronto mensal. Apenas Eirunepé se saiu mal em todas as comparações, enquanto Coari registrou seu primeiro incremento mensal do ano.

Entre maio e junho, sete municípios ficaram acima da média estadual (+0,38%), incluindo Manaus (+0,42%). Os maiores índices vieram do Careiro (+5,36%) e de Manicoré (+4,61%). Em número absoluto de criação de vagas, o melhor resultado do interior ficou novamente em Iranduba (+45), superado de longe pela capital (+1.748). Os maiores cortes vieram de Parintins (-114 empregos) e São Paulo de Olivença (-10,81%). Fonte Boa e Borba pontuaram estabilidade.

No acumulado do semestre, 11 municípios ficaram acima da média amazonense (+1,30%), a mesma quantidade do mês anterior. Os destaques positivos vieram de Manacapuru (+8,68%) e Autazes (+6,95%). A capital (+1,24%) ficou abaixo da média nessa comparação. Em números de postos de trabalho, os campeões foram Manaus (+5.114) e Manacapuru (+261). As maiores quedas permaneceram em Coari (-18 vagas) e Careiro (-2,08%).

Em 12 meses, dez municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,63%), em um total de 16 que fecharam no azul. Os maiores incrementos relativos vieram de Fonte Boa (+20,83%) e Autazes (+20,82%). Os saldos mais expressivos em termos absolutos vieram, novamente, de Manaus (+10.692) e Manacapuru (+388). Na outra ponta, Iranduba (-8,43% e -185 vagas) ainda sustenta a pior posição nesse tipo de comparação.

Atividades em crise

Atividades mais frequentes no interior do Amazonas, como agropecuária e administração pública, voltaram a figurar entre os setores econômicos com piores números no Caged, em junho. Depois de um ensaio de recuperação, a primeira voltou a mergulhar entre maio e junho (-0,03%), amargando quedas também no acumulado (-0,30%) e em 12 meses (-0,15%).

Já a agropecuária se recuperou em relação a maio (0,86%), gerando saldo de 30 postos de trabalho celetistas. Mas, acumula decréscimos no primeiro semestre (-11,08%) e no aglutinado de 12 meses (-0,83%), com a consequente eliminação de 479 e 32 vagas, respectivamente.

Em conversa com o Jornal do Commercio, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, atribuiu a queda no saldo de empregos na atividade aos efeitos da cheia dos rios e informou que os segmentos mais atingidos do setor primário foram a fruticultura – principalmente banana –, além da mandioca e da pecuária.

Obras e pagamentos

O prefeito de Coari, Adail Pinheiro Filho, disse que a administração municipal está realizando uma série de obras por toda a cidade e destacou que a Secretaria Municipal de Infraestrutura aumentou seus quadros, realizando a contratação de profissionais no setor de construção civil. Em resposta anterior, a estimativa de geração de empregos por esse esforço foi calculada pela prefeitura em cerca de 800 vagas.

“Além disso, estimulamos a economia constantemente, mantendo pagamentos de servidores em dia e garantindo dinheiro em circulação no município. Isso influencia diretamente na geração de emprego e renda de nossa cidade. Outra medida que deve aquecer ainda mais a economia será o adiantamento de parte do 13º dos servidores, que será feito ainda no começo de agosto”, comentou.

Pecuária e turismo

Ex-presidente da AAM (Associação Amazonense dos Municípios) e prefeito de Autazes, Andreson Cavalcante, atribui os números positivos de criação de empregos no município, ao fortalecimento dos setores pecuário e de turismo, bem como às diversas obras locais, com destaque para as rodovias.

“A tendência é seguirmos assim. Contamos, atualmente, com oito fábricas de laticínio no município e fizemos, na semana passada, uma feira agropecuária que ajudou a alavancar o setor, com mais crédito e assistência técnica. Além de gerar mais empregos, as obras também estão ajudando no turismo, principalmente nos segmentos ecológico e de pesca esportiva”, finalizou. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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