A criação de empregos formais no interior do Amazonas melhorou significativamente em agosto. Além da capital, 14 dos 21 municípios amazonenses listados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e tiveram variação positiva no saldo de postos de trabalho com carteira assinada em todas as comparações. Três deles, contudo, conseguiram isso apenas pontuando estabilidade.
A lista inclui Autazes, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Careiro, Fonte Boa, Humaitá, Itacoatiara, Manicoré, Maués, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tefé. O total de municípios amazonenses do interior nessa situação em julho foi superior ao de julho (nove) e junho (sete) e até ao de março (11) deste ano.
Lábrea, Manacapuru, Nova Olinda do Norte e Parintins, que haviam pontuado bem em todos os cenários no levantamento anterior, caíram para o campo negativo. Coari e Eirunepé voltaram a mergulhar após o ensaio de retomada de julho, e amargaram queda em todas as comparações. Em Iranduba, as altas mensais e do acumulado do ano ainda não se refletiram no balanço do aglutinado dos 12 meses.
Entre julho e agosto, nove municípios cresceram acima da média do Amazonas (+0,43%) e de Manaus (+0,42%), um a mais do que no mês anterior. O melhor índice veio de Manicoré (+3,33%) e o maior número absoluto de vagas ficou em Itacoatiara (+89), superado de longe pela capital (+1.758). Os cortes mais severos vieram de Manacapuru (-26 empregos) e de Parintins (-1,48%). O saldo mensal de empregos em Autazes, Borba e São Paulo de Olivença, por outro lado, foi zero.
No acumulado do ano, 13 municípios superaram o incremento do Estado (+2,39%), dois a mais do que o registrado em julho. O destaque positivo veio de Manicoré (+8,39%), superando a média da capital (+2,34%). Em números de postos de trabalho, o campeão do interior do Amazonas ainda é Manacapuru (+239) – superado de longe por Manaus (+9.644). As maiores quedas permaneceram em Coari (-21 vagas) e Eirunepé (-2,20%), os únicos dados negativos do período.
Em 12 meses, 13 municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,86%), a mesma quantidade apresentada no mês anterior. O maior incremento relativo veio Fonte Boa (+20,41%). O saldo mais expressivo em termos absolutos ainda está em Manacapuru (+308). Na outra ponta, Eirunepé (-5,93%) e Iranduba (-75 postos de trabalho) sustentaram as piores posições nesse tipo de comparação, em um universo de apenas três resultados negativos.
Atividades em crise
Setores econômicos dominantes no interior do Amazonas, como agropecuária (+1,23%), administração pública (+0,02%) e indústria extrativa mineral (+0,72%), esboçaram melhora nos números do Caged, entre julho e agosto, com saldo positivo de 52, 2 e 11 postos de trabalho, respectivamente.
Seus índices acumulados, entretanto, seguem em terreno negativo. O segmento extrativo ainda conseguiu avançar nas contratações de janeiro a agosto (+3,07% e 46 vagas), mas amargou retração em 12 meses (-0,19% e três postos de trabalho). Agropecuária e administração pública recuaram em ambos os aglutinados, com destaque para a variação da primeira no ano (-0,97%) e para o saldo da segunda em 12 meses (-58 empregos).
Soluções conjuntas
O presidente da AAM (Associação Amazonense de Municípios), Júnior Leite, ressaltou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a entidade representante do movimento municipalista estadual “atua fortemente” na elaboração de projetos e no desenvolvimento de ações e políticas públicas “em sentido macro”, voltadas para solucionar a questão da geração de emprego e renda no interior.
Júnior Leite acrescenta que a entidade realiza o acompanhamento periódico dos indicadores para aquele que é “um dos gargalos para a economia interiorana”, além de propor soluções conjuntas. Cita como exemplo a parceria de cooperação técnica firmada com o governo do Estado – por meio da Ciama –, em setembro de 2019. O acordo prevê a capacitação e habilitação das administrações municipais para participar de licitações e contratos, principalmente em nível federal, para projetos de infraestrutura, saneamento e segmentos com reflexos diretos na geração de emprego e renda.
“Neste sentido, cabe à AAM propor estas novas vias e a cada gestor, desenvolver e adotar os modelos e práticas que julgar os mais corretos para a realidade de sua localidade, uma vez o Amazonas tem dimensões geográficas e características sociais, econômicas e ambientais únicas em cada um de seus 62 municípios”, arrematou.
Gastos e prisão
A reportagem do Jornal do Commercio tentou contato com as prefeituras de Eirunepé e Coari, mas foi informada de que o retorno não seria possível, pois o prefeito de Eirunepé, Raylan Barroso (DEM) estava na zona rural do município e com o telefone fora da área de serviço, e que a prefeitura de Coari não poderia prestar declarações no momento.
Apesar dos recuos no saldo de empregos, Eirunepé é um dos dois municípios amazonenses – juntamente com Amaturá – alertado pelo TCE-AM em relação a gastos excessivos com pessoal, conforme documento publicado do Diário Oficial do órgão, em 24 de setembro. No primeiro semestre, a prefeitura de Eirunepé gastou R$ 38,94 milhões para esse fim, 2,71% a mais do que a margem permitida (54%).
Já o prefeito de Coari, Adail Filho (PP), teve sua prisão prorrogada nesta segunda (30), juntamente com a ex-vice – e atual deputada estadual –, Mayara Pinheiro (PP), e o presidente da Câmara Municipal, Kleiton Batista. Os três foram detidos durante a Operação Patrinus, por suposto envolvimento em esquema de desvio de dinheiro público no município. A prefeitura de Coari está atualmente sob a gestão da procuradora do município, Laura Coelho.







