Empresários reafirmam potencial para set-boxes

Em: 3 de dezembro de 2007
“Temos competência e tecnologia suficiente para fabricar a quantidade que o mercado interno precisa no momento, ainda que se trate de uma inovação
“Temos competência e tecnologia suficiente para fabricar a quantidade que o mercado interno precisa no momento, ainda que se trate de uma inovação

Uma reunião a portas fechadas entre alguns dos principais representantes da indústria eletroeletrônica do Amazonas e a Suframa (Superintendência da Zona de Manaus) marcou, na manhã de ontem, os bastidores da polêmica levantada pelo ministro das comunicações Hélio Costa sobre a incapacidade do Estado de produzir set-top boxes suficientes para acompanhar a demanda do mercado interno.

De acordo com o presidente da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, a reunião serviu para consolidar o posicionamento dos representantes do setor em relação à tecnologia utilizada e volume da produção do PIM (Pólo Industrial de Manaus), apontados pelo dirigente como suficiente para atender à demanda do mercado popular dos set-top boxes.

Loureiro afirmou ainda que a pauta de discussões incluiu assuntos como preço e qualidade do aparelho, além de servir de reforço junto a autarquia federal para as totais condições das empresas de Manaus em produzir os aparelhos. “Temos competência e tecnologia suficiente para fabricar a quantidade que o mercado interno precisa no momento, ainda que se trate de uma inovação eletroeletrônica que tende a evoluir com a inclusão de outros itens menos populares”, explicou o dirigente.

Em relação ao volume de produção do PIM, Loureiro assegurou que, em outubro, as 12 empresas do segmento, entre elas Flex, Elsys e Thomson, alcançaram cerca de quatro milhões de unidades de set-top boxes, destinados a TV a cabo e transmissão via satélite. “Além disso, já temos empresas com projetos aprovados pela Suframa interessadas em ampliar esse potencial de oferta para o mercado interno, como é o caso da Semp Toshiba que anunciou o início de sua produção para o próximo ano”, acrescentou o dirigente.

Na opinião do representante da Eletros, Miguel Reis, o preço praticado no mercado interno do set-top box ainda está alto, mas o aumento da demanda nos Estados onde a transmissão digital vai começar será suficiente para impactar na queda efetiva dos preços. “O país assumiu o modelo mais sofisticado de tecnologia digital, por isso os modelos mais populares, hoje, chegam a R$ 800. É um preço salgado, sem dúvida, mas vai diminuir”, assegurou.

Afora a controvérsia declaração do ministro das Comunicações Hélio Costa, em outubro, durante a visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o Estado começou a produzir um conversor de sinal digital desenvolvido por especialistas da Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica).

Durante aquela visita, Miguel Jorge se mostrou sensível às reivindicações das indústrias de eletroeletrônicos, mostrando que seu posicionamento foi em resposta aos entraves que o pólo industrial enfrentou durante o primeiro semestre, listados em carta assinada pelas entidades de classe empresariais e de trabalhadores e que o governador do Amazonas, Eduardo Braga, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reunião de ontem, de acordo com Maurício Loureiro, contou com a presença de representantes do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Eletros, Suframa, além do próprio Cieam. “Uma carta explicativa sobre a capacidade das 12 empresas amazonenses será encaminhada aos ministros Dilma Roussef e Miguel Jorge, ao governador interino Omar Aziz, ao presidente Lula e à superintendente Flávia Grosso como forma de estabelecer um diálogo mais aberto com todos os canais do poder público”, esclareceu Loureiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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