Uma reunião a portas fechadas entre alguns dos principais representantes da indústria eletroeletrônica do Amazonas e a Suframa (Superintendência da Zona de Manaus) marcou, na manhã de ontem, os bastidores da polêmica levantada pelo ministro das comunicações Hélio Costa sobre a incapacidade do Estado de produzir set-top boxes suficientes para acompanhar a demanda do mercado interno.
De acordo com o presidente da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, a reunião serviu para consolidar o posicionamento dos representantes do setor em relação à tecnologia utilizada e volume da produção do PIM (Pólo Industrial de Manaus), apontados pelo dirigente como suficiente para atender à demanda do mercado popular dos set-top boxes.
Loureiro afirmou ainda que a pauta de discussões incluiu assuntos como preço e qualidade do aparelho, além de servir de reforço junto a autarquia federal para as totais condições das empresas de Manaus em produzir os aparelhos. “Temos competência e tecnologia suficiente para fabricar a quantidade que o mercado interno precisa no momento, ainda que se trate de uma inovação eletroeletrônica que tende a evoluir com a inclusão de outros itens menos populares”, explicou o dirigente.
Em relação ao volume de produção do PIM, Loureiro assegurou que, em outubro, as 12 empresas do segmento, entre elas Flex, Elsys e Thomson, alcançaram cerca de quatro milhões de unidades de set-top boxes, destinados a TV a cabo e transmissão via satélite. “Além disso, já temos empresas com projetos aprovados pela Suframa interessadas em ampliar esse potencial de oferta para o mercado interno, como é o caso da Semp Toshiba que anunciou o início de sua produção para o próximo ano”, acrescentou o dirigente.
Na opinião do representante da Eletros, Miguel Reis, o preço praticado no mercado interno do set-top box ainda está alto, mas o aumento da demanda nos Estados onde a transmissão digital vai começar será suficiente para impactar na queda efetiva dos preços. “O país assumiu o modelo mais sofisticado de tecnologia digital, por isso os modelos mais populares, hoje, chegam a R$ 800. É um preço salgado, sem dúvida, mas vai diminuir”, assegurou.
Afora a controvérsia declaração do ministro das Comunicações Hélio Costa, em outubro, durante a visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o Estado começou a produzir um conversor de sinal digital desenvolvido por especialistas da Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica).
Durante aquela visita, Miguel Jorge se mostrou sensível às reivindicações das indústrias de eletroeletrônicos, mostrando que seu posicionamento foi em resposta aos entraves que o pólo industrial enfrentou durante o primeiro semestre, listados em carta assinada pelas entidades de classe empresariais e de trabalhadores e que o governador do Amazonas, Eduardo Braga, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reunião de ontem, de acordo com Maurício Loureiro, contou com a presença de representantes do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Eletros, Suframa, além do próprio Cieam. “Uma carta explicativa sobre a capacidade das 12 empresas amazonenses será encaminhada aos ministros Dilma Roussef e Miguel Jorge, ao governador interino Omar Aziz, ao presidente Lula e à superintendente Flávia Grosso como forma de estabelecer um diálogo mais aberto com todos os canais do poder público”, esclareceu Loureiro.







