Paulo Okamotto – Presidente do Sebrae
Com o anúncio do acordo de parceria para injeção de US$ 5.1 milhões no setor moveleiro local, o presidente do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, afirmou que os empreendedores amazonenses ainda precisam despertar para políticas ambientais se desejam manter a competitividade no mercado interno.
Jornal do Commercio -O que os estudos do Sebrae apontaram em termos de carência no setor moveleiro do Estado?
Paulo Okamotto – Um dos principais gargalos é a falta de mercado para absorver a demanda. Mas para isso é preciso produzir com boa qualidade e design apurado, além de preços realmente competitivos. Nesse último item, nossos estudos apontaram a grande dificuldade dos moveleiros em agregar valores elevados aos produtos locais, por serem considerados fora dos padrões de preservação ambiental e pelos altos gastos com logística.
JC – E qual seria a possível saída para o setor deslanchar os produtos no mercado mundial?
Okamotto – A solução seria combinar a otimização da cadeia produtiva de madeira e móveis com uma economia no transporte do produto final. A organização desses dois aspectos resolveria o grande gargalo desse setor.
JC – E quais são os anseios das pequenas movelarias locais em relação ao projeto de cooperação com empresas italianas do mesmo setor?
Okamotto– Em resumo, além de maior penetração no mercado interno e na comunidade européia, os moveleiros do Amazonas querem acesso mais facilitado às matérias-primas. Entretanto, ao mesmo tempo em que reclamam menos burocracia dos órgãos ambientais, o uso de tecnologia e a especialização de mão-de-obra destinada à produção nas oficinas locais estão muito aquém dos grandes centros produtores moveleiros nacionais.
JC – Qual a qualidade dos móveis regionais?
Okamotto – Os projetos são bons, mas as linhas de acabamento ainda precisam ser refinadas. Na região, ainda é muito comum módulos de madeira com 10 cm de espessura, isto é, peças inteiras feitas de madeira bruta que não alcançam mais alto valor no mercado como acontecia há alguns anos. A rusticidade não pode ser confundida com pouca economia de matéria-prima. Os móveis rústicos não representam de modo algum peso definitivo na hora da comercialização nos mercados internacionais, já que os consumidores dos países europeus têm forte consciência ecológica. Então temos de trabalhar o conceito de economia e ecologia em nível de exportação, algo que deva simultaneamente unir sustentabilidade e preservação do meio ambiente como forte apelo na conquista de mercado.
JC – Então quais são os diferenciais dos móveis produzidos no Amazonas em relação aos de outras regiões?
Okamotto – Do ponto de vista da obtenção da matéria-prima e da criatividade, os móveis da região têm muito coisa a oferecer, porque temos ampla oferta de madeira. Além do mais, a criatividade dos desenhistas locais é incomparável, pois eles são capazes de manifestações criativas no desenvolvimento de novos modelos e pensar alternativas gráficas voltadas à exclusividade. Mas ainda temos muito a aprender, principalmente em termos de manejo florestal, beneficiamento da madeira, agregação de valores aos móveis produzidos, criação de infra-estrutura e logística condizentes para comercializar esses móveis. Apesar dos produtos da selva terem ampla vantagem em relação aos de outras regiões, ainda precisamos criar estruturas definitivas para a implantação do pólo de movelaria.
JC – Qual a perspectiva do surgimento de um pólo moveleiro no Amazonas em curto prazo?
Okamotto – Há uma grande possibilidade nesse sentido já a partir de 2008. A nossa expectativa é fazer com que a região amazônica seja conhecida como uma das produtoras de móveis politicamente corretos e com qualidade superior para ser vendido no mercado europeu como pe







