O setor naval local está sentindo o peso da crise global. O número de encomendas encurtou ultimamente 30% -entre o fim de 2008 e janeiro de 2009, quando comparado a igual período do ano anterior-, conforme apontou o Sindicato da Indústria da Construção Naval de Manaus.
Formado por quatro grandes empresas e 30, entre pequenas e médias, que atuam na construção de barcos, botes e reparos navais, os fabricantes do setor atendem encomendas tanto de barcos de madeira como ferro e alumínio para transporte de cargas e passageiros, além de passeio.
O presidente da entidade, Francisco Ritta Bernardino, disse que, até meados do ano passado, este mercado estava reagindo positivamente, porém começou a recuar no terceiro quadrimestre de 2008. Ele explicou que os financiamentos obtidos junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construção de balsas e rebocadores deram um impulso positivo ao setor. “O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, tem ajudado muito o setor naval amazonense, inclusive ajudando na liberação desses financiamentos”, contou o dirigente e empresário .
A construção da ponte sobre o Rio Negro vai ser de grande ajuda para o setor. Ritta Bernardino explicou que um sonho antigo dos empresários da construção naval era transferir seus estaleiros e carreiras para o outro lado do rio Negro. “Com a ponte vai se concretizar essa idéia”, disse o dirigente, ressaltando que as contratações de barcos são resultantes do crescimento populacional dos municípios interioranos que não têm acesso a grande Manaus por via terrestre. “O turismo também ajuda a aquecer o setor”, completou.
A demanda por embarcações de alumínio está aumentando gradativamente no Estado. Bernardino explicou que a procura tem sido incrementada de acordo com a necessidade de transportes de cargas e passageiros. “São barcos mais velozes e econômicos, além de durarem mais e terem melhor vedação contra vazamentos”, informou.
No fim de outubro do ano passado, por ocasião da penúltima reunião do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas), os conselheiros aprovaram para o setor naval local três projetos para fabricação de botes, lanchas e barcos de alumínio, com investimentos totais de aproximadamente de R$ 7 milhões e a geração de 71 empregos diretos.
Os empresários do setor da construção naval não querem comentar o atual momento de finanças apertadas, preferindo aguardar o desenrolar do cenário econômico mundial. O proprietário do Estaleiro Cruzeiro, Orlando Furtado, disse que momentaneamente os negócios estão devagar. Ele explicou que a maior demanda de encomendas do estaleiro é oriunda do Acre, para onde fabricam balsas e empurradores. “O Acre tem uma situação atípica, por conta do baixo calado do rio, que quando seca fica intransitável, logo as embarcações funcionam por um período de seis meses e o restante do ano ficam paradas”, explicou.
Segundo Furtado, 97% da produção do Estaleiro Cruzeiro é voltada para a demanda do Acre, atendendo muito pouco o Amazonas, que funciona como um porto de apoio.
Novos projetos
De acordo com o diretor da MA Consultoria, economista Marcus Evangelista –que acompanha vários projetos de construtores locais e da Coopnaval (Cooperativa de Construtores do Polo Naval de Novo Airão)-, mesmo diante da turbulência registrada na economia mundial, alguns projetos para construção de embarcações e balsas estão em andamento, projetados para serem avaliados e aprovados pelos conselheiros do Codam, na primeira reunião de 2009, marcada para acontecer no próximo dia 19.
Evangelista informou que o consórcio da ponte sobre o Rio Negro está influenciando de forma positiva para o setor por conta da construção de balsas.







