Após o cancelamento de contratos em virtude da pandemia, as escolas particulares começam a ganhar fôlego. O Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado), registrou aumento de mais de 50%, na procura pela recontratação dos serviços, em comparação a 2019. A demanda ocorre principalmente no ensino que atende a educação infantil, área mais afetada com o rompimento das matrículas.
A retomada dessa fatia de alunos traz expectativa para as matrículas em 2022. “Os alunos estavam todos em casa em razão da pandemia e agora os pais estão se sentindo mais seguros”, avalia a vice-presidente da entidade Laura Vital. Ela atribui a confiança a dois fatores: a vacinação completa entre os adultos, e a permanência dos protocolos de segurança.
De acordo com Laura, como forma de estratégia, o Sindicato tem orientado os estabelecimentos associados que utilizem o selo Sinepe para que consigam mostrar para os pais que a escola tem credibilidade e segurança. “É o que selo representa”.
“Outra estratégia é orientar os nossos gestores a fazer cursos, capacitações para que eles consigam ter um treinamento melhor técnico para que consigam administrar melhor as escolas. A gente está dando todo esse suporte de orientação com vários temas diferentes como inclusao”.
Em relação aos valores, ela explica que o Sindicato não intervém porque isso é uma decisão de acordo com cada escola com a sua planilha de custo. “O Sinepe não faz nenhuma orientação com relação ao aumento das mensalidades a porcentagem”.
O início do ano letivo de 2021 foi sinônimo de preocupação para muitos pais, reflexo da pandemia que atingiu a vida financeira de várias famílias. Sem saber o destino da retomada das atividades escolares, a insegurança do cenário esbarrou no compromisso de preservar o pagamento das mensalidades escolares de quem mantém filhos na rede privada de ensino. Na época houve um aumento significativo no cancelamento de matrículas de alunos dos estabelecimentos que concentram as creches.
“O maior impacto foi nesse ambiente pelo fato de ser mais difícil dar um suporte remoto das aulas para essa faixa etária. Naquele período, alguns pais prometeram retorno e outros não, mas muito em função da insegurança, porque são crianças e tem muito contato, seria muito difícil obedecer as propostas sanitárias pela idade e pela questão do desenvolvimento da criança mesmo”.
Levantamento realizado pelo Sinepe-AM, no segundo semestre do ano passado, indicava que 100% dos estabelecimentos tiveram cancelamentos de matrículas. Ao menos 83% dos estabelecimentos entrevistados informaram cancelamentos no ensino infantil, que compreende a faixa etária de 0 a 5 anos. Já os cancelamentos de contrato das crianças dos 6 aos 10 anos de idade chegaram ao percentual de 11%.Na ocasião, a crise financeira foi o principal motivador apontado pelas instituições
Matrículas 2022
Com a recuperação gradativa, o setor projeta alta acima de 50% nas matrículas em 2022. E apostam num maior aquecimento em relação a 2019.
A contadora Tatiana Reis, 37, está entre a fatia de pais ou responsáveis que pretende retornar com o filho de 4 anos à creche. Ela conta que rescindiu o contrato logo que o pico da pandemia no Estado aumentou. “Eu também fui obrigada a trabalhar em home office o que ampliou essa necessidade. Fomos obrigados a nos adequar a toda situação. Mas já está garantida a volta dele para o ambiente escolar”.
Por dentro
De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) a matrícula de crianças na escola passou a ser obrigatória dos 4 aos 17 anos de idade. A obrigatoriedade de matrícula na rede de ensino vale não só para a rede particular como também para a rede pública.
A matrícula nos anos iniciais da educação infantil, antes dos 4 anos, ou seja creche e berçário, não tem obrigatoriedade. Certamente por isso, foi o segmento de ensino que mais sofreu com cancelamentos.







