Estatais do setor de energia levam cinco de sete lotes de transmissão

Em: 7 de novembro de 2007
Primeiro e maior lote, com 720 km de extensão, ligando Colinas (TO) a São João do Piauí (PI), foi arrematado pela Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista.
Primeiro e maior lote, com 720 km de extensão, ligando Colinas (TO) a São João do Piauí (PI), foi arrematado pela Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista.

As empresas estatais ganharam a maior parte dos lotes de linhas de transmissão leiloados ontem pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), no Rio de Janeiro. Das sete linhas, as estatais ficaram com cinco. Os principais lotes, no entanto, foram arrematados por empresas estrangeiras.
Ao todo, a Aneel leiloou sete lotes que prevêem a construção, operação e manutenção de 1.941 quilômetros de novas linhas e quatro subestações de energia.

O primeiro e maior lote, com 720 quilômetros de extensão, ligando Colinas (TO) a São João do Piauí (PI), foi arrematado pela Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), controlada pela colombiana ISA. A oferta foi de receita anual R$ 28,9 milhões, com deságio de 56,6% sobre o proposto pela Aneel.

O segundo lote, com 400 quilômetros de extensão, entre São João do Piauí (PI) e Milagres (CE), ficou com a espanhola Cymi Holding por R$ 13,7 milhões, com deságio de 56,86%.

O consórcio liderado pela estatal Eletronorte levou a linha entre Maggi (MT) e Nova Mutum (MT), de 402 quilômetros, por R$ 14,9 milhões, com deságio de 53,5% sobre os R$ 32,14 milhões propostos. O consórcio é composto por Eletronorte (45%), Bimetal Indústria e Comércio (20%) e a italiana Terna Participações (35%).

No quarto lote, a vencedora foi a Eletrosul. A estatal levou a linha de 233 quilômetros entre Presidente Médici (RS) e Santa Cruz (RS) com oferta de receita anual de R$ 3,8 milhões, com deságio de 48%.

A Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) ganhou a linha entre Jardim (SE) e Penedo (AL), que terá 110 quilômetros. A proposta de R$ 2,8 milhões teve deságio de 40%.

A estatal Copel construirá a linha entre as cidades paranaenses de Bateias e Pilarzinho, de 29 quilômetros. A empresa arrematou por R$ 665 mil, com deságio de 52,85%. O último lote ficou com a Eletronorte, com proposta de R$ 2,1 milhões te deságio de 51%. A linha liga duas subestações em São Luís (MA) e tem 36 quilômetros. O leilão teve deságio médio de 51,26%, segundo a Aneel. Para o diretor Romeu Rufino, o nível dos deságios indica que as linhas foram atrativas para os investidores.

Cymi Holding tem maior deságio

O maior deságio foi obtido pela empresa espanhola Cymi Holding, enquanto o menor deságio foi da Chesf. O presidente da estatal, Dilton da Conti, chegou a questionar como as empresas conseguiram bancar deságios tão elevados.

“A questão não é se o estipulado pela Aneel é o certo ou não. O que se deve ver são as questões de financiamento, os possíveis subsídios que existem. As condições não estão tão isonômicas entre as estatais e as empresas estrangeiras”, afirmou.

O executivo ressaltou que a Chesf “não está fazendo sacrifício empresarial” para obter o direito de construir as linhas de transmissão levadas a leilão. Mesmo assim, acrescentou, a empresa vai continuar concorrendo.

A Chesf disputou no leilão de ontem três linhas de transmissão, e obteve êxito em apenas uma delas. As duas derrotas da Chesf foram justamente nos dois lotes ganhos por empresas controladas por capital estrangeiro.

Além da Cymi, que pagou o maior deságio do leilão, a Cteep, controlada pela colombiana ISA, pagou 56,6% a menos do que o proposto pela Aneel para duas linhas entre as cidades de Colinas (TO) e São João do Piauí (PI).

Romeu Rufino considerou normal o fato de as estatais terem ganho cinco dos sete lotes do leilão. Os leilões anteriores haviam sido dominados por empresas estrangeiras.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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