Estudo desmente bancos na polêmica sobre “Plano Verão”

Em: 26 de novembro de 2008
Quando falta dinheiro, os bancos pegam emprestado com outros bancos e, quando sobra, emprestam para outras instituições financeiras
Quando falta dinheiro, os bancos pegam emprestado com outros bancos e, quando sobra, emprestam para outras instituições financeiras

Estudo divulgado ontem no Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) pelo ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster, demonstrou que os bancos ficaram com a metade do dinheiro não repassado aos donos de cadernetas de poupança à época do Plano Verão e lucraram cerca de R$ 200 bilhões com ele.
“Os bancos tinham R$ 9 bi de poupança na época do Plano Verão e aplicaram R$ 3,4 bilhões no SFH (Sistema Financeiro de Habitação). Em números redondos, significa dizer que a cada 100 cruzados novos captados com poupança, 35 eram investidos em financiamentos habitacionais. Outros 15 iam para o compulsório do Banco Central. O restante era destinado a aplicações livres. O descasamento, portanto, era de 49%”, explicou Troster.
O economista apresentou ainda a diferença de rentabilidade entre a poupança e o CDI (taxa interbancária). “Essa diferença mostra como os bancos ganharam. Quando falta dinheiro, os bancos pegam emprestado com outros bancos e, quando sobra, emprestam para outras instituições financeiras. A taxa média dessas operações interbancárias é o CDI. Só no primeiro ano, a diferença entre a poupança e o CDI foi de 22,91%, mais do que os 20,46% de correção (devida aos poupadores) que está em discussão”, acrescentou. Ou seja, em apenas um ano (1989), a aplicação do CDI rendeu mais para os bancos do que a diferença entre o IPC e a LFT de janeiro de 1989, que está sendo questionada na Justiça. Segundo Troster, de 89 até hoje, a diferença entre as duas taxas é de 680%. “Se o dinheiro tivesse ficado na poupança, o total hoje seria de R$ 29 bilhões. Se tivesse sido aplicado em CDI, seria de R$ 228 bilhões, o que daria um lucro (aos bancos) de R$ 200 bi”, esclarece. O valor, demonstra o estudo, é 7,8 vezes maior que o devido aos poupadores, no caso de todos entrarem na Justiça. A cifra corresponde ao total de ativos do Bradesco, terceiro maior banco do país. Mas o valor ainda é muito longe do que os bancos terão que pagar aos poupadores: faltando um mês para acabar o prazo para entrar com ação, apenas 10% recorreram à Justiça.
Para Troster, os bancos não terão nenhum problema em pagar o que devem aos poupadores, mesmo se todos os que foram prejudicados entrassem na Justiça. “São R$ 29 bilhões (se todos os poupadores entrarem na Justiça) . Esse valor corresponde a cerca de 1% dos ativos dos bancos e é menos do que o lucro no primeiro semestre”. Só no primeiro semestre de 2008, os bancos lucraram R$ 30 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar