A possível formação de uma Comissão Especial para apurar as causas da crise do sistema energético da cidade de Manaus e exigências à presidente da República, Dilma Rousseff (PT), para mudar a diretoria executiva da empresa Amazonas Energia Eletrobras foram iniciativas definidas na sessão de ontem da Assembleia Legislativa, com o objetivo de buscar soluções imediatas contra os “apagões” em Manaus.
As oscilações do sistema energético causaram imensos prejuízos, no último final de semana, ao comércio, ao Distrito Industrial da Suframa e às residências no Centro e nos bairros situados, principalmente, nas zonas norte e leste, as mais populosas da capital, onde registrou-se um grande número de eletrodomésticos danificados.
Depois de darem explicações sobre os “apagões” ao governador do Estado, Omar Aziz (PSD), na tarde de ontem, os diretores da Amazonas Energia, por sugestão do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Sinésio Campos (PT), devem comparecer à ALE-AM para debater com os deputados medidas urgentes para combater a crise. Autores da propositura apontando para a Comissão Especial, os deputados Marcelo Ramos (PSB) e Marcos Rotta (PMDB) defenderam a participação de representantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na frente de luta contra os “apagões”, que deverá contar com o apoio dos membros da bancada federal do Estado no Congresso Nacional. “Nosso objetivo é não apenas investigar os “apagões”, mas defender a urgência de investimentos no setor”, disse Rotta ao Jornal do Commercio.
Discursando durante o Pequeno Expediente da ALE-AM, Marcelo Ramos chegou a defender a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o setor energético, mas reconsiderou sua posição por assentir que a Comissão Especial, enfatizada por Rotta, possuía maior abrangência, inclusive por seu caráter misto. “Lembro que a Câmara Municipal de Manaus já formou uma CPI sobre a questão e produziu um relatório que não serviu para nada”, destacou Marcelo. O presidente da ALE-AM, deputado Ricardo Nicolau (PSD), remeteu a questão para a Procuradoria Jurídica da Casa analisar a legalidade da Comissão Especial. “Precisamos ver se a ALE-AM tem competência para a Comissão Especial, CPI ou outra providência que não nos complique do ponto de vista jurídico”, esclareceu, com o consentimento do plenário. Por enquanto, as providências iniciais ficam por conta da Comissão de Serviços Públicos, presidida pelo deputado Marco Antônio Chico Preto (PSD), que vai marcar a data para o debate dos deputados com os diretores da Amazonas Energia.
Para o deputado Marcos Rotta, a Comissão Especial é o ideal, contando com a contribuição de membros da Ufam e da UEA, e agindo em articulação com deputados federais e senadores do Estado no Congresso. Segundo ele, o objetivo é sensibilizar a presidente Dilma Rousseff a mudar o corpo diretor da Amazonas Energia e forçar a empresa a realizar mais investimentos para revitalizar o parque elétrico de Manaus. Por meio da sua Comissão de Defesa do Consumidor, Rotta ingressará com ações contra a Amazonas Energia junto à Anel (Agência Nacional de Energia) e ao Procon. “Não podemos mais nos conformar com as mentiras de diretores como o senhor Tarcísio Rosas, que esteve na ALE-AM e mentiu para nós ao dizer, em audiência pública, que Manaus tinha sobras de energia, ele é um mentiroso”, desabafou Rotta. Outros parlamentares, como Belarmino Lins e Wanderley Dallas, ambos do PMDB, José Ricardo Wendling (PT), Luiz Castro (PPS) e Orlando Cidade (PTN) lamentaram a crise energética e os “apagões”, chegando a questionar se o Linhão de Tucuruí quando entrar em funcionamento, em 2013, terá estrutura suficiente para atender as demandas do setor.
Exigências à Dilma e Comissão Especial da ALE contra ‘apagões’
Em: 21 de março de 2012
Deputados irritados com a crise energética em Manaus querem mudanças na diretoria da Amazonas Energia
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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