Sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que o setor industrial brasileiro utilizou menos sua capacidade de instalada no mês de janeiro, na comparação com a média desse período.
Trata-se do segundo mês consecutivo em que a entidade aponta esse fenômeno, o que não ocorria desde a eclosão da crise financeira global de 2008.
Na mesma pesquisa, a confederação também detectou que o nível de produção está em queda. Pela metodologia desse levantamento, um nível acima de 50 pontos representa expansão, e abaixo desse patamar, uma redução.
O índice para a capacidade instalada caiu de 48,2 pontos em dezembro para 45,2 em janeiro. No caso do índice de evolução da produção, a pontuação recuou para 46 no mês passado, ante 44,7 em dezembro de 2010.
Expectativa de expansão
Para fevereiro, as expectativas dos empresários industriais apontam para a expansão em todos os itens pesquisados: o índice que reflete as projeções para a demanda teve uma leitura de 61,3 pontos, acima da média histórica (59,6); o mesmo quadro se repetiu no tocante às exportações (51,6 pontos), compras de matérias-primas (58,8 pontos) e número de empregados (54,6 pontos).
A sondagem da Confederação Nacional da Indústria é elaborada a partir de questionários enviados 1.449 empresas, de grande (198), médio (413) e pequeno porte (838). A pesquisa desse mês foi realizada entre os dias 31 de janeiro e 14 de fevereiro.
Setor teria se antecipado à queda da demanda
Na avaliação do economista da CNI, Marcelo Azevedo, a queda no uso da capacidade instalada da indústria foi provocada pela redução da demanda. “A indústria se antecipou e ajustou a sua produção ao perceber que a demanda está em declínio desde o final do ano passado”, explicou.
O número de janeiro ficou abaixo do nível de dezembro do ano passado (48,2 pontos), que já indicava a redução do ritmo da atividade industrial. Essa queda não ocorria desde a crise econômica mindial, em 2008.
Mesmo com a queda no índice de ocupação da capacidade instalada, as empresas mantiveram os estoques estáveis, com 50,4 pontos. O número demonstra que a redução na atividade era esperada pela indústria.
Exportadores em destaque
O maior destaque é para o setor exportador, cuja expectativa subiu de 49 para 51,6 pontos. Entre as grandes empresas, a expectativa subiu para 54,4 pontos ante 49,8 medidos em janeiro. O otimismo com relação à demanda aumentou de 58,2 pontos para 61,3 pontos.
A partir dessa edição, as pesquisas sobre o nível de utilização da capacidade instalada, evolução de estoques, evolução de número de empregados e expectativa de número de empregados passam a ser feitas mensalmente.







