Fábricas projetam crescimento de 2,5%

Em: 23 de agosto de 2009
O setor de duas rodas não-motorizado está preparado para um provável aumento de 2,5% ao mês no ritmo de produção ao longo do terceiro trimestre
O setor de duas rodas não-motorizado está preparado para um provável aumento de 2,5% ao mês no ritmo de produção ao longo do terceiro trimestre

O setor de duas rodas não-motorizado está preparado para um provável aumento de 2,5% ao mês no ritmo de produção ao longo do terceiro trimestre, o que pode elevar o atual patamar a números positivos e igualar o atual nível de negócios ao do registrado no ano passado. Pelo menos essa é a expectativa da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), que considerou as potencialidades do mercado nacional de bicicletas e a maior demanda por transportes alternativos de alta qualidade nas regiões Norte e Nordeste como fatores decisivos para o aumento das vendas.
O diretor executivo da Abraciclo, Moacyr Paes, disse que as projeções iniciais de um mercado entre 6 milhões e 6,3 milhões de bicicletas realizadas antes da crise se mantiveram para este ano por conta da elevação sazonal do volume de vendas que acontece no segundo semestre. “Até antes da crise, prevíamos um crescimento médio de 5% até 2012, com produção superando os 7,3 milhões de unidades. Mas, com a crise, esse comportamento não se sustentou. Entretanto, sabemos que o setor conta com eventos como o período de férias, Dia das Crianças e o próprio Natal para aquecer o mercado”, avaliou.
Paes salientou que o incremento do PPB (Processo Produtivo Básico) aprovado no início do ano para alterar os critérios da fabricação de bicicletas com ou sem câmbios em Manaus só agora tem mostrado resultados satisfatórios para as indústrias.
O executivo apontou que as vendas de bicicletas apresentaram durante o primeiro semestre uma queda de aproximadamente 20%, mas frisou novamente que o resultado acumulado de 2009 pode chegar muito próximo ao obtido em 2008. “A retomada do otimismo do consumidor em relação à economia e os novos investimentos das indústrias são fator preponderante nesse novo fôlego do setor. Além disso, com a montagem dos produtos no Brasil, há grande redução de custos, permitindo a comercialização de bicicletas a preços mais acessíveis”, explicou.

Novos produtos

O otimismo também alcançou grandes fábricas locais, como a Brasil & Movimento, detentora da marca Sundown. O diretor comercial da firma, Ulisses Pincielli, asseverou que, após início de ano com vendas reprimidas, a estimativa se volta para um volume pouco abaixo dos 6 milhões de ‘magrelas’ comercializadas em 2008. “Um fenômeno interessante a observar é o crescimento do ticket médio dos produtos vendidos, levando o faturamento das indústrias a igualar ou superar os valores do ano passado”, acrescentou.
Pincielli fez questão de informar que as grandes indústrias nacionais tem investido em novos produtos nestes últimos anos de olho no crescente mercado consumidor das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, fato ressaltado por ele como contribuidor para a manutenção dos investimentos da indústria. “No nosso caso específico, trouxemos ao mercado brasileiro ótimas opções de produtos com a linha ‘Top e Racing’, equiparando-nos às melhores marcas e produtos disponíveis no mercado internacional, segmento que não era atendido plenamente pelas indústrias brasileiras”, destacou.

Especialistas pedem políticas públicas para o veículo

Mas o presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, considera que ainda faltam políticas públicas mais contundentes nas grandes capitais que incentivem o uso da bicicleta ao invés do carro. “Isso traria duplo ganho para a economia. De um lado, a indústria de duas rodas ganharia novo fôlego com a demanda do mercado e, de outro, o setor metal-mecânico responderia com a ampliação das vagas nas linhas de produção”, analisou.

Exercício físico

No entendimento do professor doutor em Educação Física da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Gilmar Couto, na hierarquia do trânsito, a bicicleta tem preferência sobre carros, motos e ônibus. Além de ocupar bem menos espaço nas ruas e avenidas, o especialista considerou que as bicicletas não emitem poluentes e, de quebra, sugerem ao usuário um saudável exercício físico. “Mas, com tantos automóveis que superlotam as vias de Manaus, é possível subir numa ‘magrela’ e encarar a imprudência e falta de educação de motoristas apressados e cada vez mais estressados? É realista incentivar o uso da bicicleta num trânsito que está na beira o caos?”, questionou.
A resposta partiu do próprio analista, segundo o qual, para as ciclovias funcionarem é necessário que exista um político muito corajoso que as implemente no Estado. “Ninguém tem peito de ir contra os carros. Esta é uma indústria muito poderosa. O próprio ministro dos Transportes disse que a bicicleta não é considerada um meio de transporte. O fato é: a ciclovia não rende dinheiro aos políticos. E eles só sobem em bicicleta na época das eleições”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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