Fim do embargo europeu faz estimativa de produção de mel crescer mais de 15%

Em: 24 de março de 2008
Direção da Coopflora comemora a vitória afirmando que vai ampliar em mais de 30% o plantel, algo que deverá impactar na produção de pelo menos 8.000 quilos de mel para exportação.
Direção da Coopflora comemora a vitória afirmando que vai ampliar em mais de 30% o plantel, algo que deverá impactar na produção de pelo menos 8.000 quilos de mel para exportação.

Após dois anos de embargo, os apicultores brasileiros comemoraram a derrubada das barreiras sanitárias que impediam a entrada do mel brasileiro nos países europeus.O embargo, iniciado em março de 2006, punha em xeque a capacidade dos produtores de elevar a qualidade do mel brasileiro a partir do controle e monitoramento de resíduos.
No Amazonas, o entusiasmo pela decisão do governo europeu fez os produtores locais projetarem uma safra pelo menos 15% maior ao que consideravam para este ano. O presidente da Coopflora (Cooperativa de Produtos Naturais da Flora Amazônica), Adelmar Katzcipis, explicou que o parecer favorável do mercado europeu, obtido a partir de vistorias realizadas no ano passado, apontou a equivalência dos programas de controle de resíduos do país ao padrão europeu.
Segundo o dirigente, os produtos amazônicos têm grande valor de mercado o que vai implicar num possível aumento da produção local para atender a pelo menos dois compradores.
“Vemos com alegria o retorno do nosso produto a um mercado tão exigente. Por um lado foi bom, por que aproveitamos para ampliar em mais de 30% o plantel, algo que deverá impactar na produção de pelo menos 8.000 quilos de mel para exportação”, explicou Katzcipis, ressaltando que a união dos 52 produtores faz a Coopflora possuir cerca de 10 mil colônias de abelhas africanizadas.
O titular da Sepror (Secretaria de Estado da Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural Integrado), Eron Bezerra, disse que por se constituir num produto essencialmente orgânico, o mel amazônico nunca deveria ter sofrido embargo pelas autoridades européias, já que carrega o diferencial da qualidade e origem amazônica, conceito superior ante os similares de outras regiões.
“O mel brasileiro nunca sofreu restrições sanitárias. O que houve foram manobras políticas de mercado, cuja finalidade foi impedir os produtos locais de concorrer com similares europeus”, assegurou o secretário de produção.

Apicultores estão atentos às novas regras impostas pelos europeus

Eron ressaltou que o fim do entrave em relação à qualidade do mel brasileiro aconteceu quase que simultaneamente ao anúncio do orçamento de R$ 32 milhões destinado às cadeias de expansão, onde o Programa de Expansão da Meliponicultura será um dos contemplados. A contratação de consultores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e o implemento de políticas voltadas para o aperfeiçoamento de novas técnicas de criação foram alguns das ações apontadas pelo secretário a serem consolidadas este ano.
Entretanto, o vice-presidente da Acaiá (Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia em Boa Vista do Ramos), Jair Rodrigues Arruda, ressaltou que apicultores devem ficar atentos às novas regras impostas pelos europeus. Segundo o dirigente, é obrigatória a comprovação de registro do entreposto (empresa exportadora), registro no ministério e comprovação das boas práticas de manejo. “Nossa expectativa é de que, em oito meses, nossas 5.000 colônias de melíponas comecem a produzir pelo menos 4.000 quilos, impactando diretamente numa renda familiar mensal para cada um dos 77 cooperados em torno de R$ 510”, ressaltou. Arruda.

Cenário internacional favorece o Brasil

O dirigente da entidade calculou que o quilo do mel amazonense envasado em Manaus a R$ 20 chegará ao mercado europeu no valor de R$ 100, participando em pouco mais de 10% no volume total exportado pelo país.
Dados da Abemel (Associação Brasileira de Exportadores de Mel) apontam um cenário internacional de comércio favorável à produção brasileira. As vendas externas, segundo a entidade, deverão fechar o ano com 20% a mais de negócios em comparação com o ano passado.
A projeção, segundo a Abemel é de que a cadeia produtiva de mel feche o ano com a movimentação de quase R$ 3 bilhões e entre 35 mil e 45 mil toneladas, para vendas de mel, própolis, geléia real, polinização e produtos relacionados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar