Em revisão publicada nesta semana (20), o Fundo Monetário Internacional reduziu em 0,1 ponto percentual sua projeção para o crescimento da economia global em 2020 (3,3%). Em contraste, o FMI elevou suas apostas na economia brasileira em 0,2 ponto percentual, situando o desempenho do país (+2,2%) em um patamar acima da média da região (+1,6%), o que animou as lideranças classistas ouvidas pelo Jornal do Commercio.
O recuo nos números mundiais se deve ao avanço abaixo do esperado em mercados emergentes (principalmente Índia); à agitação social na América do Sul, Europa e Ásia; ao impacto econômico de desastres ambientais decorrentes de mudança climática (especialmente na Austrália, Caribe e África); a tensões geopolíticas entre Irã e EUA; e a disputas comerciais entre norte americanos e chineses.
O aumento das expectativas em relação à economia brasileira, por outro lado, se deve principalmente à aprovação da Reforma da Previdência, a projeções mais otimistas para o setor de mineração – após a tragédia de Brumadinho (MG) – e à melhora das condições macroeconômicas do país, com inflação e juros em queda. O FMI ressalta, entretanto, que o Brasil deve seguir com as reformas de Estado e ficar atento ao peso da folha de pagamento do setor público.
O otimismo é menor para 2021 e espera-se que a nação verde e amarela deve avance em linha com a expansão da América Latina (+2,3%) – o número foi revisto para baixo em relação à ultima projeção. O incremento nas economias emergentes em geral deve ser de 4,4% e 4,6%, respectivamente, conforme apontam os números da mais recente atualização do relatório World Economic Outlook, divulgado no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça).
Reformas e eleições
“O dólar voltou a subir nestes dias e a alta deve causar dificuldades para a indústria, com o maior custo dos insumos. Mas, a bolsa não caiu. Ou seja, não há problema de falta de confiança na economia brasileira. E nosso PIM vem acompanhando bem essa tendência de recuperação, apesar dos ataques à Zona Franca”, ponderou o vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo.
O dirigente salienta que, embora a Reforma da Previdência “já tenha acontecido”, deixando mais folga de caixa para a gestão das contas públicas, o país ainda deve empreender mais reformas de Estado para consolidar a confiança do investidor – em especial o estrangeiro – e impulsionar o crescimento da economia brasileira em ritmo sustentado.
“Precisamos das reformas Administrativa, Política e Tributária. A primeira é mais fácil. Da segunda, ninguém fala, e a terceira deve vir fatiada, com uma primeira mexida apenas nos impostos federais. Em ano político, as coisas ficam muito mais difíceis. Essas mudanças vêm de acordos, e as eleições para prefeitos devem dificultar que saiam em Estados e municípios”, justificou.
Oportunidades e desafios
Em entrevista recente, concedida à Rádio Mix de Manaus, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, fez avaliação semelhante, ao apontar seu prognóstico do setor para 2020 e traçar um cenário econômico que, em suas palavras, traz mais otimismo e confiança ao investidor. Mas, não deixou de apontar que ainda falta segurança jurídica para as empresas – especialmente as da ZFM.
“Temos muito otimismo. O governo federal conseguiu aprovar a Reforma da Previdência, um marco de sua gestão. Os números apontam para um equilíbrio nas contas públicas pela primeira vez em dez, 12 anos. Mas, há desafios na Reforma Tributária e devemos deixar de ser expectadores para sermos mais assertivos, mostrando o que temos de bom a oferecer ao país. Temos também uma Reforma Administrativa, que vai ser muito importante para o governo. Mas, a incerteza e a instabilidade jurídica afugenta qualquer investidor. Temos que buscar um equilíbrio e dar longevidade às regras do jogo”, listou.
Investimento e burocracia
Indagado sobre os rumos da economia brasileira e o sobre o que falta a ser feito para gerar crescimento sustentado, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, lembrou que o investimento estrangeiro direto no Brasil subiu 25%, conforme a Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Investimentos). Em seu melhor resultado em sete anos, o país subiu de nono para o quarto principal destino de recursos estrangeiros produtivos no mundo – nas Américas, só ficou atrás dos Estados Unidos.
“A inflação caiu e os juros estão no mais baixo patamar da história do Banco Central. O desafio é manter esse nível de preços e de crédito. Outra questão que vem melhorando é a redução da burocracia, pela MP da Liberdade Econômica. Isso foi importante e esperamos que continue assim e que as esferas municipal e estadual sejam o mais céleres possíveis, principalmente nos licenciamentos”, finalizou.







