Por que a economia não cresce mais rapidamente? Há uma série de fatores que freiam o crescimento, indispensável para reduzir as desigualdades que permeiam a sociedade brasileira. Entre eles, ressaltam: baixa capacidade de poupar, reduzida taxa de inovação, deficiência na qualificação da mão-de-obra, infra-estrutura precária, descontrole do gasto público, máquina estatal ineficiente e de baixa produtividade, sistema tributário complexo e anacrônico, ambiente de negócios com baixo grau de segurança e burocracia excessiva.
Esses são os estrangulamentos que brecam o crescimento do país. A tarefa de superá-los ou reduzi-los deveria ser o centro do esforço estratégico do governo. Em face da dimensão das carências, o PAC é um programa insuficiente, aquém das necessidades reais de reconstrução e de ampliação da infra-estrutura.
Essencial ao crescimento, a formação bruta de capital fixo deveria saltar dos atuais 18% do PIB para 25% em uma primeira fase, para, em etapa posterior, alcançar níveis da Índia, em torno de 30%. A crise da educação, em todos os níveis, precisa ser resolvida com um choque de realismo que reconheça as espantosas deficiências da qualidade do ensino. A expansão do gasto público acima do crescimento do PIB tem sido acomodada por sucessivos aumentos da carga tributária. Entretanto, considerando o tamanho da cunha fiscal, há limites óbvios a essa política. O panorama econômico do Brasil no médio prazo depende de decisões políticas difíceis em relação à redução dos dispêndios com a máquina pública.
São desafios complexos. Para equacioná-los, há necessidade da formulação de políticas públicas racionais que tenham continuidade, isto é, que sejam respeitadas e aperfeiçoadas nas mudanças de governo.
Educação
Vale a pena refletir sobre o início de um artigo do sociólogo José de Souza Martins: “As reiteradas e desencontradas notícias sobre o ensino e a educação no Brasil nem sempre tocam no essencial. De um lado, espetaculares estatísticas sobre matrículas nos vários níveis de ensino sugerem que crescente e alta proporção de brasileiros tem acesso à escola e por ela se interessa. De outro lado, porém, notícias de rendimentos escolares muito aquém do mínimo numa sociedade com as aspirações e as necessidades da nossa sugerem que o êxito numérico nas estatísticas seja contrabalançado por fracassos melancólicos no aprendizado. Portanto, muita gente estudando e pouca gente aprendendo. Nossa educação não está preparando as novas gerações para que o Brasil idílico tire as patas do Terceiro Mundo e ponha os pés no mundo moderno e desenvolvido. Porque, se continuarmos nessa relutância educacional e nesses resultados desalentadores, nosso destino será, inevitavelmente, o passado, de quando os brasileiros que trabalhavam eram politicamente classificados de semoventes”. A não ser que a sociedade como um todo passe a valorizar realmente a educação e o saber, não será vencido o desafio de tornar o povo brasileiro intelectualmente preparado.
Internet vicia
De acordo com psiquiatras americanos, o uso excessivo do computador deveria ser considerado vício e incluído na lista de distúrbios clínicos reconhecidos oficialmente. Editorial do American Journal of Psychiatry, da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, EUA, alega que o vício é tão comum que deveria entrar na relação do Manual de Estatística e Diagnóstico de Distúrbios Mentais –principal livro de referência da Associação Americana de Psiquiatria para caracterizar e diagnosticar doenças mentais. Segundo os especialistas, o vício em internet tem quatro componentes principais: 1) uso excessivo frequentemente associado à perda da noção do tempo ou negligência de impulsos básicos; 2) sentimentos de irritação, tensão ou depressão caso o computador esteja inacessível; 3) necessidade de computadores melhores, mais softwares ou mais horas de uso; e 4) reações negativas como brigas, fadiga e isolamento social associados ao uso de computadores. O editorial cita como







