Follow-Up – Trânsito caótico

Em: 24 de abril de 2008
No ritmo alucinante em que cresce o número de veículos em Manaus, sem a ampliação do sistema viário, em breve os transportes, especialmente os automóveis.
No ritmo alucinante em que cresce o número de veículos em Manaus, sem a ampliação do sistema viário, em breve os transportes, especialmente os automóveis.

No ritmo alucinante em que cresce o número de veículos em Manaus, sem a ampliação do sistema viário, em breve os transportes, especialmente os automóveis, vão parar. Está sendo seguido aqui, insensatamente, o modelo de São Paulo. Andar de carro, que já foi um prazer, é hoje um suplício. O trânsito é nervoso, com todos estressados. Caminha-se para o caos.
O custo econômico dessa distorção reduz a produtividade e gera mal-estar generalizado. O trânsito é um problema sistêmico, próprio de cidades grandes e mal planejadas, que no Brasil vem sendo tratado pontual e casuisticamente.
Trata-se de gargalo importante que afeta a economia urbana, extremamente preocupante em uma cidade (sede da ZFM) de 2 milhões de habitantes, responsável pela geração de cerca de 90% do PIB estadual. Se o problema não for equacionado e solucionado, num esforço conjunto dos governos federal (Suframa), estadual (Seplan) e municipal, sob a responsabilidade técnica de profissionais experientes, com boa formação em engenharia de trânsito, todos os setores da economia serão prejudicados. Sem falar na redução do bem-estar social. Está sendo criado em Manaus, de forma acelerada, um fator de expulsão de investimentos e pessoas. Qualidade de vida e infra-estrutura –física, humana e científica– de boa qualidade são mais importantes que incentivos fiscais para atrair negócios e promover desenvolvimento econômico. Em São Paulo, onde o problema é gravíssimo, o trânsito vem sendo estudado por especialistas.

Transporte e urbanismo

Para Ciro Biderman, professor da FGV-SP e do MIT, economista que estuda a relação entre transporte e urbanismo, no Brasil as políticas públicas colocaram os carros à frente do transporte coletivo: “Não há alternativa ao carro em São Paulo. É um erro atribuir às pessoas a decisão de usar o carro porque há uma decisão política anterior”. Isso ocorreu quando as cidades brasileiras decidiram seguir o modelo norte-americano, uma mistura de gasolina barata e baixo subsídio ao transporte público. Na Europa, a gasolina é cara e o subsídio a metrô e ônibus é alto.

Carro e transporte coletivo

É um mito, segundo Biderman, que, na América, ninguém está disposto a trocar o carro pelo transporte público. O melhor exemplo para ele é Bogotá, capital da Colômbia, onde 85% dos moradores vão ao trabalho de ônibus. Biderman diz que São Paulo precisa de um choque cultural similar ao que foi aplicado em Bogotá.
O que vale para o trânsito de São Paulo vale para outra cidade. A solução para o trânsito caótico de Manaus está no desenvolvimento do transporte coletivo confiável, pontual, limpo e confortável. Não basta construir viadutos e vias expressas.

Competitividade

De acordo com estatísticas relativas a 2007 do IMD, na Suíça, que publica anualmente um ranking da produtividade mundial, considerando 55 países, os Estados Unidos continuam sendo o mais competitivo. O Brasil ocupou o 49º lugar.
A produtividade é um indicador de grande importância para o crescimento econômico. Os dez primeiros colocados na lista dos mais competitivos em 2007 são: EUA, Cingapura, Hong Kong, Luxemburgo, Dinamarca, Suíça, Islândia, Holanda, Suécia e Canadá. Os 10 últimos: Ucrânia (46º), México (47º), Turquia (48º), Brasil (49º), África do Sul (50º), Argentina (51º), Polônia (52º), Croácia (53º), Indonésia (54º) e Venezuela (55º).

Alzheimer

Quem bebe ou fuma em demasia corre maior risco de desenvolver mais cedo a doença de Alzheimer do que aqueles que são moderados em qualquer das duas atividades. A afirmação é de um estudo apresentado na semana passada durante a 60ª reunião anual da Academia Norte-americana de Neurologia, em Chicago. O novo estudo destaca que esses dois fatores estão entre os mais importantes para tentar prevenir o Alzheimer. Os excessos são sempre prejudiciais à saúde. A moderação é o segredo da prevenção.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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