Um tipo de atividade comercial atípica começa a tomar espaço na economia amazonense. São as “factorings”, empresas de fomento mercantil que misturam prestação de serviço e compras de ativos financeiros, sejam ações, dinheiro, letras de câmbio e, principalmente, cobrança de cheques de terceiros, contribuindo para o fluxo de caixa de pequenas e médias empresas.
Em todo o país, o mercado, que tem 27 anos, de acordo com a Anfac (Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil), movimenta R$ 5,5 bilhões, com um portfólio de 141 mil empresas clientes de pequeno e médio portes. Os dados indicam que as associadas contribuíram para viabilizar transações econômicas industriais, comerciais e de serviços e, ainda, para sustentar 2,2 milhões de empregos diretos e indiretos de seus clientes.
No Amazonas, o mercado das “factorings” é recente, tendo iniciado na década de 1990. O Sinfac (Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Fact do Amazonas) contabiliza que as empresas de fomento mercantil do Estado, juntas, contribuam com a movimentação de 1,5% da fatia total de mais de R$ 5 bilhões gerados pelas atividades em todo o país, e empregam quase 300 colaboradores. “O Sinfac tem 12 empresas de fomento mercantil devidamente associadas, mas o Estado conta com quase 30 empresas em atividade no mercado”, explicou o presidente do Sinfac, Mário Ricardo Gomes.
Atividade de risco
Tanto quanto toda atividade comercial que traz riscos, a de fomento mercantil não é exceção à regra, sendo necessário ficar em alerta aos perigos das negociações, principalmente para quem compra cheques. “A concorrência é grande e perigosa em razão da inadimplência de muitos clientes. Tanto cedente quanto sacado precisam ter boa fé e o operador precisa ficar em alerta para possíveis vícios nessa transação”, informou Gomes, referindo-se a possíveis “combinações” entre emitente e recebedor do cheque. “É raro, mas pode acontecer”, acrescentou.
Segundo a administradora e advogada da Pontual Factoring, Magda Raquel Guimarães Ferreira dos Santos, são grandes os riscos de se trabalhar com direitos creditórios e créditos mercantis, pois embora pareça que as factoring têm grande margem de lucro, o risco do negócio também é grande e todo o lucro pode ser perdido com algumas operações não honradas pelos clientes ou sacados. “O maior risco é não receber o valor do título adiantado. Algumas empresas têm por regra pagar aos seus fornecedores com depósito em conta e não por meio de boleto. Assim, o nosso cliente desconta a duplicata e depois recebe do sacado na época do vencimento. A factoring desembolsou o recurso e não o recebe de volta. O ideal seria que as empresas sacadas respeitassem a cobrança enviada por boleto”, afirmou.
Regras para evitar dinheiro de ‘origem duvidosa’
De acordo com o presidente do Sinfac, outra garantia para a empresa é estar apoiada pelo sindicato, que além de suporte técnico e jurídico gratuitos, também oferece cursos para as equipes se especializarem e oferecerem melhor serviço aos clientes. “É necessário obedecer normas para agregar valores e melhorar tecnicamente a operação dos negócios. Ofereceremos um curso de agente de fomento mercantil com informações sobre a utilização do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Fazenda”, informou. O Coaf é o mecanismo utilizado para detectar a origem do dinheiro que será recebido pela empresa de fomento mercantil e que, segundo o Sinfac também é utilizado pelos bancos, evitando o recebimento de dinheiro de origem duvidosa e resultante de “lavagem” financeira.
A empresa de Magda Guimarães, com oito anos no mercado, já fomentou mais de 400 organizações de pequeno e médio porte na cidade. “O cliente sempre procura agilidade nas operações e uma saída fora os bancos. Isso nos dá diferencial no mercado, porque ajuda sua empresa a impulsionar seus negócios de uma forma rápida e segura”, disse. Segundo ela, o público de factoring “é aquele empresário que não tem restrição de crédito no banco, mas que tem ótimos clientes”.
Mercado aquecido
Economicamente, as operações das “factorings” dão lucro de acordo com o mercado, principalmente das micro e pequenas empresas. “Todo o país está aquecido e a ‘factoring’ acompanha o mercado. À medida que a economia cresce, as empresas de fomento compram mais ativos gerados por vendas a prazo e também faturam mais”, explicou Mário Ricardo Gomes. Para ele, a contribuição das empresas de fomento para a economia local é grande, pois possibilita à empresa fomentada receber de imediato créditos futuros aumentando seu poder de negociação e concessão de créditos ao seu cliente. Já para a administradora da Pontual, outra contribuição das “factorings” dentro do contexto econômico atual é ser uma alternativa de recursos até para grandes empresas. “Por conta da crise financeira, o crédito bancário tornou-se cada vez mais escasso e as operações de ‘factoring’ se tornaram uma nova alternativa de recursos, além dos bancos”, finalizou.







