Num cenário caótico, a economia começa a sentir os reflexos das sucessivas greves deflagradas desde o início do ano em vários setores essenciais. No comércio, as compras on-line fazem parte da lista dos mais prejudicados, com a proximidade do Dia das Crianças –uma das datas mais importantes para o setor. Segundo o Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), com a greve dos Correios, que respondem por cerca de 50% das entregas do setor, o desempenho das vendas on-line deve sofrer uma queda justamente porque os consumidores que buscam produtos com preços mais baratos pela internet sabem que suas compras não chegarão a tempo.
De acordo com o presidente do Corecon/AM, Marcus Evangelista, indústria, comércio e serviços –que dependem diretamente dos Correios para distribuição de correspondência e mercadorias –são os grandes prejudicados. “Ainda é cedo para mensurar os prejuízos mas, com certeza, quanto mais tempo durar a paralisação, mais perdas devem se configurar no cenário”, analisou.
Evangelista diz que, em relação ao pagamento de faturas, a greve não deverá atrapalhar em demasia, por ser possível quitar débitos através de meios alternativos, como internet banking, casas lotéricas ou supermercados credenciados. “Acredito que o grande problema mesmo será com o envio e entrega de mercadorias que, essencialmente, é o principal serviço prestado pelos Correios”, afirmou.
Greve dos Bancários
A paralisação dos bancários, segundo o titular do conselho dos economistas, impede que milhares de pessoas possam fazer os pagamentos de contas e tributos normalmente, e acabam empurrando toda essa demanda para as casas lotéricas, correspondentes bancários ou caixas eletrônicos. O resultado são grandes filas nesses estabelecimentos. “É importante frisar que a falta de informação sempre gera confusões desnecessárias entre a população que, no afã de fazer os pagamentos em dia, não entende que a greve, por não ser uma situação gerada pelo consumidor, não deve trazer como consequência multas e juros”, alertou Evangelista.
Os fornecedores e credores devem disponibilizar novos meios e condições de pagamentos para que eles não sofram ônus. No entanto, cabe ao consumidor buscar essas condições.
Em Manaus, cerca de 85 agências bancárias estão com as portas fechadas devido à greve da categoria, de acordo com o presidente do SEEB-AM (Sindicato dos Bancários do Amazonas), Nindberg Barbosa. Praticamente todas as unidades dos bancos públicos, em particular a CEF (Caixa Econômica Federal) e o Basa (Banco da Amazônia), foram paralisadas. Com exceção do BB (Banco do Brasil), que está com 65% de suas atividades bancárias suspensas por conta do movimento grevista na capital amazonense. Além dos bancos privados Santander e HSBC que aderiram à paralisação.
Nindberg Barbosa ainda afirmou que os trabalhadores não receberam nenhuma contraproposta da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) nem do Sindicato Patronal para o encerramento da greve, que foi deflagrada na quinta-feira passada (19) para reivindicar reajuste salarial de 11,93%, entre outros benefícios.
Febraban aguarda posicionamento sobre proposta
A Febraban informou que não há outra contraproposta de negociação agendada. A entidade frisou, em nota, que continua no aguardo de uma posição do sindicado dos trabalhares em relação à proposta global que sugere reajuste salarial de 6,1%, além dos salários, pisos e benefícios também sofrerem a correção.
Na proposta da Febraban, o piso salarial passará para R$ 2.182,36 para os bancários que exercem a função de caixa com jornada de trabalho fixada em seis horas/dia. Entre outros benefícios, estão previstos reajuste do auxílio-refeição, que sobe para R$ 22,77 por dia, a cesta alimentação reajustada para R$ 390,36 por mês, além da 13ª cesta no mesmo valor e do auxílio-creche mensal de R$ 324,89 por filho até 6 anos de idade.
No Amazonas
No Amazonas, os bancários permanecem em greve e querem reajuste salarial de 11,93%, mais a participação nos lucros. Bancários dos municípios de Manacapuru, Maués, Iranduba, Parintins e Tabatinga começaram a aderir ao movimento, na manhã de terça-feira (24). Segundo Nindberg Barbosa, algumas das 80 agências bancárias do interior do Estado também devem aderir à greve. “Tivemos notícias de agências do interior que já aderiram a greve. O movimento se fortifica a cada dia”, disse.
Já a permanência dos funcionários em frente às agências também serve para orientar os clientes sobre as reivindicações do movimento grevista, segundo o líder sindical. “As pessoas têm que entender que a nossa melhoria também é a delas. Uma das nossas reivindicações é a contratação de novos funcionários para aumentar a qualidade no atendimento e diminuir o tempo de espera nas filas dos caixas”, garantiu Nindberg.
A greve nacional dos bancários entrou no sexto dia ainda mais forte, e continua crescendo em todo o território nacional. As paralisações afetaram mais de 9 mil agências e centros administrativos de bancos públicos e privados nos 26 Estados e Distrito Federal, um crescimento de 23,8% em relação à sexta-feira (20). As informações foram enviadas a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) através dos 143 sindicatos que integram o Comando Nacional dos Bancários.







