Embora recuse a admitir qualquer ensaio eleitoral com relação a 2012, o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa está no jogo para suceder o prefeito Amazonino Mendes e dispara suas baterias contra a atual administração municipal, sem poupar também o governo estadual. Ele afirma ser prematuro falar de política eleitoral, mas faz questão de apontar o que denomina “gargalos da cidade de Manaus”, critica Amazonino pela forma como conduz a opção pelo BRT (Bus Rapid Transit) como o modelo de transporte ideal para a Copa 2014 e garante que o trânsito da capital ficou complicado porque o governo do Estado deturpou o projeto original da Avenida das Torres.
Como dirigente e líder partidário, Serafim diz apostar na força do PSB (Partido Socialista Brasileiro) nas eleições do próximo ano e entende que o candidato à prefeitura será escolhido “no momento certo, podendo ser qualquer um de nós, eu, o Marcelo Serafim ou qualquer outro companheiro”. Parlamentarista convicto, ele é a favor da coincidência de mandatos e de cinco anos para os chefes executivos governarem Estados e municípios, sem direito a reeleição.
Serafim assegura que o PSB terá papel importante no processo eleitoral de 2012, inclusive em função das demandas surgidas com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol que será disputada no Brasil em 2014. Para ele, a capital precisa ser bem preparada e, para tanto, deve saber enfrentar desafios e superar problemas e “gargalos angustiantes” como o destino final do lixo, a questão energética, o transporte coletivo, portos e aeroportos.
Sobre o sistema de transporte ideal para os próximos anos, Serafim concorda com o modelo BRT, mas lamenta que a prefeitura de Manaus não tenha apresentado projeto algum nesse sentido, apesar das sucessivas manifestações de Amazonino Mendes na imprensa. “O BRT é a melhor solução, contudo, a prefeitura não tem projeto sobre ele e só o governo federal possui condições de financiamento, uma vez que há uma total desarticulação entre os governos estadual e municipal para realizarem o empreendimento”, considera, ressaltando que, enquanto isso, “o relógio do tempo é implacável e todos têm que correr atrás das coisas”.
O ex-prefeito também é cético quanto a medidas que o governo federal precisará adotar com vistas a Copa. “A questão do nosso aeroporto é exclusiva do governo federal, da Infraero, e o governo mente desde 2005 quando eu era prefeito e me prometeram um rosário de coisas, nada saiu do papel, até hoje estamos esperando”, sustenta. Sobre os portos, ele sugere que os investimentos se encontrem na região da antiga Siderama. “O acesso para o Distrito Industrial é melhor, é mais dinâmico, os contêineres trafegariam com mais racionalidade, os portos devem ficar sob a responsabilidade da iniciativa privada”, diz.
Conforme Serafim, o trânsito é outro “gargalo” que o governo do Estado e a prefeitura de Manaus terão que equacionar até 2014. Ele destaca a Avenida das Torres como uma grande obra que ajudou a dinamizar o tráfego de veículos na capital, e entende que o trânsito poderia ter melhorado bastante se o governo não tivesse deturpado o projeto original da avenida. “O projeto original inclui uma passagem de nível na altura da Ephigênio Sales, era o correto, mas estragaram tudo desviando o fluxo de veículos para a Estrada do Aleixo, o resultado é um engarrafamento horrível”, comenta.
Serafim garante que os viadutos existentes ajudaram a melhorar o tráfego urbano, mas adverte que as demandas da Copa de 2014 e o aumento do número de veículos exigem a construção de mais viadutos na cidade. “Seriam novos viadutos abrangendo a Bola do São José e áreas de ruas e avenidas como Paraíba/André Araújo, Salvador/Recife e Maceió/João Valério”, analisa o ex-mandatário, reconhecendo, entretanto, as dificuldades financeiras da prefeitura para arcar com esse volume de obras. “Claro que a Prefeitura teria que buscar parcerias, recursos internacionais”, aconselha.
“Há uma total desarticulação”, critica Serafim
Em: 23 de maio de 2011
Embora recuse a admitir qualquer ensaio eleitoral com relação a 2012, o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa está no jogo para suceder o prefeito Amazonino Mendes e dispara suas baterias contra a atual administração municipal, sem poupar também o governo
Redação
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