Com exceção de Amazonas e Pará, todos os demais estados da Amazônia possuem Hospitais de Amor, com destaque para Rondônia que, além de um hospital de tratamento, reúne três unidades de prevenção com duas unidades móveis e uma unidade de reabilitação; e Tocantins, com um hospital de tratamento, que ainda não opera em capacidade máxima e está para ser inaugurado oficialmente, mas estão em funcionamento duas unidades de prevenção com duas unidades móveis, e um centro de reabilitação.
Mas, o que é o Hospital do Amor e o que falta para os dois maiores estados da região terem suas unidades?
“O Hospital de Amor, antigo Hospital de Câncer de Barretos (São Paulo), é o maior hospital de câncer do Brasil, hoje referência nacional e em toda a América Latina na área da prevenção, tratamentos, pesquisas e reabilitação. Com 63 anos de fundação, hoje possuí oito unidades de tratamento, 24 unidades de prevenção, 52 unidades móveis e três unidades de reabilitação”, detalhou Charles Pereira Galindo, analista de captação de recursos do Hospital de Amor, de Barretos; e coordenador regional do HA para o Amazonas e Pará.
“O fato de Amazonas e Pará não terem unidades do Hospital de Amor se dá pela falta de interesse dos políticos dos dois estados, pois os valores para construção dessas unidades hospitalares, e para manutenção das mesmas, são provenientes de emendas parlamentares”, disse.
“Mas no Pará já existem projetos para implantação de unidades de prevenção, com aval e promessa de recursos oriundo dos deputados, senadores e governo do estado. Existe também a negociação junto ao Hospital de Amor para a implantação de um hospital de tratamento. Estamos aguardando atitudes dos políticos do Amazonas”, completou.

Atende a todos
Idealizado e inaugurado em 24 de março de 1962 pelo casal de médicos Dr. Paulo Prata, e Dra. Scylla Duarte Prata, atualmente o Hospital de Amor é gerenciado pelo seu filho, Henrique Duarte Prata.
Conveniado com o Ministério da Saúde, o Hospital atende 100% via tabela do SUS, porém o valor recebido não supre os gastos com os atendimentos dos pacientes, e é aí que entra a principal fonte de arrecadação e seus custeios: as doações de pessoas físicas e jurídicas.
“O Hospital de Amor atende no tratamento de todos os tipos de câncer, independente da faixa etária. Também faz o diagnóstico precoce de várias modalidades da doença através dos institutos de prevenção e unidades móveis que promovem o rastreio (atendimentos itinerantes em cidades, distritos e comunidades). Realiza atendimentos voltados a reabilitação de pacientes oncológicos pós tratamento, e não pacientes também, com fábrica própria de próteses e órteses distribuídas gratuitamente para todos os pacientes”, falou.
“O Hospital também é reconhecido nacional e internacionalmente por suas pesquisas voltadas ao tratamento dos mais variados tipos dessa doença”, afirmou.
Mesmo o Amazonas não tendo nenhuma unidade do HA, o agro amazonense está se destacando por ser um grande apoiador do Hospital de Amor, no caso, do vizinho estado de Rondônia.
“Quem está ganhando com essas ações são as unidades daquele estado. Desde o início o agronegócio da região sul do Amazonas vem apoiando o Hospital de Amor de Porto Velho, quando o estabelecimento ainda estava em construção”, revelou.

Falta mobilização
Apuí, Distrito de Santo Antônio do Matupí (Manicoré), Humaitá, Distrito de Realidade (Humaitá), Lábrea, e Distrito de Açuanópolis (Canutama), abraçaram a causa do Hospital de Porto Velho e, anualmente, realizam diversos eventos com o objetivo de angariar fundos para a sua manutenção e funcionamento.
“Os carros-chefes dos eventos são os ‘Leilões Direito de Viver’ que, em 2024, arrecadaram mais de um milhão de reais. Os produtores rurais doam animais, vendidos nos leilões realizados pelos voluntários. Eventos semelhantes acontecem anualmente em nível nacional. Somente dessas localidades citadas foram atendidos mais de mil pacientes, em 2024, nas áreas de prevenção, tratamento e reabilitação”, informou.
“O dia em que a sociedade civil organizada do Amazonas se mobilizar e, junto dos políticos reivindicarem a construção de unidades no Estado, principalmente na área da prevenção e diagnóstico de câncer, o pleito será atendido. O investimento para cada unidade está na casa dos R$ 40 milhões de reais. Apenas para citar como exemplo, volto a citar as unidades de Rondônia e Tocantins, construídas graças a articulações da sociedade civil organizada desses estados junto à bancada federal deles, em Brasília”, contou.
Para saber mais: www.hospitaldeamor.com.br







