Medicina através dos tempos

Em: 12 de setembro de 2025
Museu reúne peças de várias especialidades médicas possibilitando uma interessante e curiosa viagem pela história.

Você consegue imaginar como eram os utensílios e equipamentos médicos usados há 50, 80, 100 anos atrás? Pois se conhece os atuais, vale a pena uma visita à Casa Couceiro – Museu e Café. Com certeza espanto e curiosidade farão parte de sua visita ao se observar a evolução desse material expostos em uma casa secular na rua Lobo d’Almada, 451 – Centro, bem ao lado da Santa Casa de Misericórdia. Detalhe: o espaço só será inaugurado oficialmente, e aberto ao público, no dia 18 de outubro, Dia do Médico, e as visitas devem ser agendadas pelo 9 8149-0182.

“Desde criança sempre gostei de colecionar, aquelas coisinhas de menina, figurinhas, papeis de carta, bonequinhas. Durante a faculdade de medicina, no Rio de Janeiro, já colecionava objetos antigos, ou seja, há mais de 25 anos. Até hoje visito feirinhas de antiguidade pelo mundo. Conheço 51 países”, falou a médica cardiologista Kátia Couceiro, que comprou a casa antiga somente para montar o Museu.

“Coloquei esse nome, Couceiro, em homenagem aos meus pais Wilson e Gercy Couceiro, sobrenome português”, informou.

Geralmente não costumamos esquecer da maioria das coisas que fazemos pela primeira vez. Assim foi com o primeiro objeto médico guardado por Kátia, um marcapasso, afinal, como cardiologista Kátia é especialista em ‘estimulação cardíaca artificial’ ou, traduzindo, ela implanta marcapassos em pacientes com batimentos lentos ou irregulares do coração.

Além do primeiro marcapasso, hoje sua coleção possui uma variedade de outros modelos, inclusive do primeiro utilizado no Brasil, em 1964.

Tétricos trépanos incas, que serviam para perfurar crânios
Tétricos trépanos incas, que serviam para perfurar crânios

Coleção de marcapassos

A primeira sala do Museu é dedicada, lógico, à cardiologia. As estantes estão repletas de estetoscópios (conhecidos por praticamente todos os cardiologistas terem um pendurado no pescoço e identificarem, inclusive, outras especialidades médicas), esfigmomanômetros (nome difícil até de pronunciar é o popular medidor de pressão), eletrocardiogramas (aparelhos que, nos filmes, mostram gráficos em movimento, indicando os batimentos do coração. Quando os gráficos ficam em linha reta, significam que o paciente se foi), e os marcapassos. Cada um desses objetos mostra sua evolução tecnológica, ao longo dos tempos. O primeiro marcapasso, desenvolvido em 1932, por exemplo, pesava 7 kg. O mais moderno, hoje, pesa apenas 2 gr e tem um modelo no Museu.

A sala seguinte Kátia denominou de Ala do Boticário, ou da Farmácia.

Chama a atenção um dos expositores repleto de frascos de vidros coloridos, brancos, marrons e azuis, onde antigamente, os boticários guardavam os remédios.

“Muitos destes frascos são ingleses e franceses”, disse.

Ampolas também fazem parte do acervo, mais termômetros, e balanças de precisão (tipo aquela que simboliza o signo de Libra), encapsuladores de comprimidos e um cortador de comprimidos, de metal, estranhamente no formato de um pequeno jacaré.

Na terceira sala, a réplica das assustadoras máscaras com bico usadas por médicos durante o surto de Peste Negra, na Europa. No bico eram colocadas ervas aromáticas, como mirra, cânfora e outras especiarias, pois se acreditava que a doença era transmitida pelo ar fétido. Tais máscaras tinham a mesma proteção zero das usadas durante a pandemia de covid19.

Chama a atenção uma secular cadeira de rodas feita de carvalho, moderna para a época, mas, com certeza, bem desconfortável para quem precisava ficar ali o dia inteiro.

Neste espaço, um café com bolos e doces, para relaxar observando ao redor.

Kátia montou um gabinete médico com objetos de decoração antigos
Kátia montou um gabinete médico com objetos de decoração antigos

Atlas de 1876

A quarta sala reúne instrumentos de várias especialidades médicas: aparelhos para surdez como o Pinard, tetravô do estetoscópio; escarradeiras, cujo nome já diz tudo, inclusive uma de bolso; fetoscópio, aparelho usado para examinar o feto dentro do útero materno; e algumas peças tétricas como os trépanos incas, que serviam para perfurar crânios; ou a serra manual, utilizada na Primeira Guerra para amputar membros; e um anuscópio de madeira junto a outros atuais. Pelo nome dá para se saber em qual parte do corpo esse aparelho era, e é, usado para exames.

Na sala do andar superior estão dispostas várias peças antigas, não necessariamente médicas, como máquinas de datilografia e fotográficas, telefones, rádios e uma biblioteca com um dos objetos mais antigos do Museu, com data: um atlas de anatomia francês, de 1876, colorido, e com peças que sobressaem das páginas. Esta sala também homenageia a enfermagem através de Florence Nightingale (1820/1910), italiana considerada a fundadora da enfermagem moderna.            

Finalizando a visita, na última sala Kátia montou uma espécie de gabinete médico com objetos de decoração antigos e bastante ecléticos.

“Hoje o Museu possui 450 peças catalogadas, com seus respectivos históricos, de quem eram e onde foram adquiridas. Ainda guardo várias outras, que com o tempo irão sendo acrescidas ao acervo, mas com o que temos aqui já para saber, um pouco, de como a medicina evoluiu, e continua a evoluir”, concluiu.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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