Vendas do comércio aquecem na reta final do Dia das Crianças

Em: 12 de outubro de 2022

Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Face: @jcommercio

A reta final para o Dia das Crianças aqueceu o movimento dos shoppings centers de Manaus, mas o fluxo das lojas do Centro e demais bairros de Manaus ficou dentro da normalidade, nesta terça (11). Os comerciantes avaliam que o consumidor anda mais cauteloso, em função do endividamento e das dificuldades no crédito, além das incertezas inerentes à eleição. Mas, avaliam que deve haver uma resposta mais forte nesta quarta (12). Tanto que os centros de compras informam que vão trabalhar no horário normal nesse dia, embora o comércio de rua se restrinja ao horário de 9h às 13h.

Depois de passarem um virtual jejum de vendas nos últimos dois anos, em função das dificuldades impostas pela pandemia e regras de distanciamento social, os lojistas apostam alto no Dia das Crianças. A data é considerada a quarta mais importante para o calendário do varejo, logo atrás do Natal, Dia das Mães e Black Friday. Por isso, aguardam expansão de 4% a 7% nas vendas, conforme as sondagens da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) e do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). Algumas lojas esperam altas de até dois dígitos.

O presidente da FDCL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, observa que o movimento no varejo de Manaus “não foi muito bom” no começo de outubro, mas pondera que o consumidor pode reagir hoje, embalado pelo apelo da data comemorativa. Segundo o dirigente, os shoppings estavam com fluxo “acima do normal” na véspera do Dia das Crianças, mas o Centro só experimentou movimento próximo a esse patamar no sábado (8).  

“Acredito que possa ter ocorrido alguma antecipação de compras neste fim de semana, porque o movimento nas lojas do Centro ficou dentro do normal, nesta terça (11). Acredito que um conjunto de coisas está contribuindo para inibir o potencial das vendas, não apenas as dificuldades econômicas, como também o foco direcionado para a política e as incertezas. Mas, estamos trabalhando para atingir esse crescimento de 4%, mas temos de lembrar também que os preços aumentaram”, considerou.

Antecipação de estoques  

Como não poderia deixar de ser, brinquedos e demais produtos voltados para o público infantil aparecem como carros-chefes da data comemorativa, conforme já apontavam as pesquisas preliminares de intenção de consumo da CDL-Manaus e da Fecomércio-AM. Em sintonia, o grupo Tropical destaca que o movimento para o Dia das Crianças em suas sete lojas –cinco multilojas e dois atacadões –está “excelente”. A expectativa é crescer acima de 10%, ante 2021. Ele destaca, contudo, que isso é “não e à toa” e que foi resultado de “muito trabalho”. 

“Pesquisamos muito e trabalhamos a necessidade de nossos clientes. Também antecipamos as compras programadas para nossos estoques em pelo menos 70 dias antes do normal, autorizando o embarque das mercadorias já em março deste ano. Fizemos isso em função dos problemas logísticos e porque a inflação estava muito alta. Mas, é claro que isso tem um custo para a empresa, porque ficamos com capital parado”, informou o proprietário e diretor da Tropical Multilojas, Allan Bandeira de Melo.

Além de garantir os estoques e buscar oferecer produtos a preços competitivos no mercado, a empresa também está oferecendo brindes, sorteios e brinquedos ao público infantil, no intuito de garantir a meta de vendas. “É claro que uma coisa é venda, e outra é resultado efetivo. Trabalhamos com margens muito apertadas e quando o mercado está muito abastecido e próximo de um ponto de saturação, a situação fica mais difícil. A questão é que o cliente saiu mais pobre da pandemia”, ponderou.

O empresário informa que, apesar das dificuldades, aguarda retorno substancial dos investimentos, não apenas para o Dia das Crianças, mas também para as demais datas do ciclo de festas do último trimestre de 2022. “A boa notícia é que os preços pararam de subir e o nível de emprego está subindo. Por isso, acredito que teremos um crescimento significativo neste fim de ano. O Halloween, por exemplo, deve render vendas ainda melhores do que o Dia das Crianças. Tanto que nos preparamos melhor para ele”, afiançou. 

Freio e antecipação

Já o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag avalia que é cedo demais para arriscar estimativas para o Dia das Crianças, em razão do foco potencialmente limitado da data comemorativa nos brinquedos e artigos infantis. Vale notar, contudo, que os levantamentos de intenções mostraram intenções de compras significativas para outros segmentos, como vestuário, calçados, eletroeletrônicos, artigos esportivos e até perfumaria, instrumentos musicais e relojoaria.

“Ainda assim, é muito pequeno. Não é como o Natal. Em uma loja de departamentos, por exemplo, você vai ver mais movimento nas seções de brinquedos e games mesmo, e fica difícil de avaliar o saldo antes do fechamento da data. A política está atrapalhando porque não se sabe como vai ficar a economia e tem muita gente com o freio de mão puxado. Mas, acredito que teremos resultados positivos para o setor. Até porque o governo adiantou pagamentos de bolsas e demais benefícios, e qualquer dinheiro a mais pode ajudar nas vendas do varejo”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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