O volume de importações do setor industrial amazonense apresentou queda de 37,06% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo os números mais recentes divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). De acordo com representantes do setor, isso ocorreu devido à diminuição na quantidade de pedidos que puxou para baixo a produção e, consequentemente, resultou no declínio da aquisição de insumos pelas indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus).
No ano, as importações contabilizaram US$ 8.10 bilhões, contra US$ 12.87 bilhões em 2008. Para o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Pólo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques, o resultado negativo ainda é reflexo da crise financeira internacional e mostra que a indústria ainda não se recuperou totalmente. “A crise passou e a economia brasileira está crescendo, mas o PIM ainda está se recuperando de forma lenta e não veremos números animadores até 2010, em relação a importação de insumos industriais”, profetizou.
O representante da Aficam disse ainda que a queda era esperada “porque não poderá haver crescimento nas importações se os pedidos do comércio diminuem; além disso, quase toda as importações do PIM são de insumos para a conclusão dos produtos fabricados aqui”.
A Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) observou o número negativo com expectativa de crescimento, apesar de não arriscar um percentual. “A federação esperava essa queda nas importações, porque, se as fábricas não tinham pedidos, não havia necessidade de comprar insumos, isso é natural”, ponderou o diretor-executivo da Fieam, Flávio Dutra.
O executivo aposta na recuperação das importações nos próximos relatórios da Suframa, considerando que dos nove meses pesquisados, houve crescimento em seis. “Não é aconselhável comparar 2009 com o ano passado, ainda mais neste fim de ano que foi o auge da crise em 2008. Se compararmos o quadro deste ano poderemos verificar elevação das importações e podemos esperar um recuperação no início do próximo ano”, apostou Dutra.
A ZFM (Zona Franca de Manaus) foi criada com o objetivo de abastecer o mercado interno e não se preocupa em bater recordes no quesito importação, conforme explicou a superintendente da autarquia administradora da ZFM (Suframa), Flávia Grosso.
“Durante o estabelecimento da ZFM, a economia brasileira era muito fechada e existia uma lista onde constava a proibição de aproximadamente 2.000 produtos para importação. As fábricas de Manaus surgiram para atender esta demanda, que naquela época e ainda hoje é por eletroeletrônicos”, esclareceu Flávia.
O diretor-executivo da Aceam (Associação de Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, reforçou o posicionamento da superintendente da Suframa, dizendo que o modelo ZFM foi desenhado para suprir a falta de mercadorias consideradas de uso comum e que na época eram proibidas pelo protecionismo da economia brasileira. “Não devemos fazer comparações dos indicadores de importação do PIM, já que este não é objetivo das fábricas. O objetivo é produzir produtos de qualidade, com preços competitivos e que atendam o mercado interno com segurança e, desta forma, manter equilibrada a balança comercial”, finalizou o dirigente da Aceam.
Importações só devem recuperar vigor em 2010
Em: 4 de dezembro de 2009
Apesar do aquecimento do mercado, a expectativa da Aficam e da Fieam é que as compras de componentes estrangeiros vão demorar para igualar os níveis do pré-crise
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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