Inclusão da Venezuela traz ânimo

Em: 31 de julho de 2012
Resgate de negócios com a Venezuela e incremento das exportações do Amazonas para combater o desaquecimento da indústria local
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Resgate de negócios com a Venezuela e incremento das exportações do Amazonas para combater o desaquecimento da indústria local

Resgate de negócios com a Venezuela e incremento das exportações do Amazonas para combater o desaquecimento da indústria local. Essas foram as principais vantagens apontadas pelo presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, em relação à inclusão do país no Mercosul, marcada para ser oficializada hoje, pelos presidentes dos países que formam o bloco.
De acordo com dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a Venezuela é o terceiro maior comprador de produtos do PIM, deixado para trás apenas pela Argentina e pela Colômbia. No entanto, a relação entre o Estado e país já foi melhor. Desde 2006, a Venezuela ocupava a 2ª posição no ranking de compradores de produtos do polo industrial, colocação na qual permaneceu até 2008. A partir de 2009, as compras foram diminuindo gradativamente.
O ritmo da queda foi forte. O volume de vendas do Amazonas para o país caiu 70% em cinco anos. Os últimos dados fechados do Mdic mostram que no ano passado, as compras venezuelanas totalizaram US$ 87,20 milhões contra os US$ 285,61 milhões gastos pelo país em 2006, ano em que a relação de venda entre o PIM e o país registrou seu ápice.
Já este ano, os números do primeiro semestre mostram crescimento de 37,58% (com US$ 51, 661 milhões) em comparação ao mesmo período do ano passado (US$ 37,550 milhões).
O resultado indica uma recuperação que pode ser intensificada pela inclusão do país no ‘bloco’. A expectativa do dirigente do Cieam é de menos dificuldades na relação comercial entre os dois países com medidas como a extinção das tributações nas operações de exportação entre Brasil e Venezuela.
Além disso, no sentido inverso, a compra de materiais venezuelanos por parte do Amazonas também deve ser facilitada pela proximidade estratégica com o país, ligado pela BR-174. Fato que, de acordo com os especialistas, aumentaria as importações de lá para cá, que já chegaram a render US$ 29,97 milhões ao PIM e hoje somam menos da metade. “Todos os segmentos devem ser beneficiados, especialmente o eletroeletrônico. Não vejo desvantagem na inclusão”, avaliou.
O presidente do Sinaees-AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Celso Piacentini, confirmou o benefício para o setor mas disse não acreditar em grandes mudanças para a situação da indústria amazonense, uma vez que o PIM possui grandes dificuldades que a inclusão por si não tem o poder de solucionar. “Não mexe nosso ‘ponteiro’ – da produção industrial – de forma tão significativa”, opinou.
Já o economista e vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Tursimo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, ponderou sobre as desvantagens do acordo. Segundo ele, os maiores entraves são diplomáticos. “O Brasil lidera o Mercosul e praticamente comandou a entrada do país venezuelano, contra a vontade do Paraguai, excluído da decisão pelo processo de impeachment do ex-presidente Fernando Lugo. Isso pode trazer uma resposta pouco favorável do Paraguai para nós em vários quesitos entre eles na questão energética. É uma decisão que pode ser desfavorável sim, mas a médio e a longo prazo”, analisou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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