Uma quinzena após a publicação no Diário Oficial da União, da portaria interministerial n° 224, que trata do novo PPB (Processo Produtivo Básico) para terminais celulares com TV digital embutida começam a pipocar as primeiras divergências sobre a validade para a indústria da nova tecnologia a ser produzida no PIM (Polo Industrial de Manaus).
Volume de investimentos a ser aplicado, ampliação da mão de obra, diversificação das linhas de produção e qualidade do produto ‘made in Amazonas’ são alguns dos pontos que geram discussões, segundo o diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra.
Lembrando que o governo cedeu em parte ao pedido da indústria amazonense no tocante à fabricação desses terminais, que antes exigia TV digital em 5% da produção imediata de aparelhos e agora criou período de transição até chegar a esse patamar, Dutra argumentou que a indústria local precisa de tempo para se adaptar ao novo processo fabril. “A instauração de um novo PPB exige planejamento que não vem da noite para o dia. Além disso, a indústria tem um mercado consumidor ainda não afeito a essa nova tecnologia e que precisa ser atendido com a oferta de modelos similares. Por isso, é uma situação um tanto complexa que precisa ser bem avaliada sobre a validade”, afirmou.
De acordo com a portaria interministerial, os fabricantes de celulares poderão se preparar para colocar no mercado modelos com capacidade de recepção de sinais de TV digital até 31 de dezembro de 2011. A partir dessa data até 31 de dezembro de 2012, 3% (três por cento) da produção local de celulares deverão vir com TV digital acoplada. De 2013 em diante, o novo PPB determina que 5% do total de telefones móveis no PIM (Polo Industrial de Manaus) terão como item de série a possibilidade de acesso às emissoras com TV digital da capital amazonense e via internet. “Isso irá perfazer novos investimentos ao longo de todo este ano. Acontece que o mercado consumidor interno já mostrou, até por uma questão de segurança, que tem preferência por adquirir aparelhos de TV e não necessariamente utilizar o celular para assistir programação do canal aberto”, considerou Flávio Dutra.
Evolução tecnológica
Por outro lado, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, afirmou que a mudança das regras do PPB para as indústrias de telefonia vem ao encontro de uma necessidade de mercado que já se vislumbrava há algum tempo. No entendimento do executivo, a nova tecnologia deverá ser amplamente utilizada pelo consumidor, cabendo ao governo federal ratificá-la através de PPBs para que as empresas possam então usufruir dos benefícios da ZFM (Zona Franca de Manaus). “Se assim não o for, muito provavelmente essas empresas elegerão outras áreas para fazer seus investimentos. Hoje, a evolução tecnológica exige que governos e gestores públicos fiquem atentos às oportunidades de negócios e façam constantes ‘upgrades’ em suas legislações”, explicou.
Loureiro disse ainda que o Amazonas terá ganhos importantes com a inserção da nova tecnologia, já que ficará apto a competir de igual para igual com os demais estados que venham a se beneficiar com a Lei de Informática. “Ou nos atualizamos constantemente ou seremos engolidos. Isto, serve para a tecnologia ou mesmo para a burocracia”, arrematou.
Para o diretor de novas tecnologias e mercado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Silas Amorim Abder, a aposta é nas pequenas e médias empresas das quais considera que entre cinco e dez fabricantes locais possam se interessar e ganhar escala no mercado interno. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Barbosa mencionou que para conquistar essas empresas existe um mercado potencial de 350 milhões de espectadores no país e regiões circunvizinhas. “Além disso, há discussões no governo sobre incentivos, como financiamentos à produção pelo BNDES e ao varejo pela Caixa Econômica. É possível a produção em larga escala com vistas a Copa do Mundo deste ano”, arriscou.
Conversores a baixo custo fizeram parte do vocabulário amplamente comentado pelo governo (inclusive estadual) logo após a escolha do padrão que seria seguido na TV digital brasileira, mas depois saíram de moda. Agora, como antes, há uma meta de preço, cujo patamar é de R$ 120, mais o preço do aparelho móvel.
Na opinião do professor doutor em Antropologia Moderna, Marcos Rodrigo Benarroch, nessa discussão sobre validade ou não da TV digital via celular há um ponto que deveria unir governo e iniciativa privada – a cobrança de maior empenho das emissoras de televisão, principalmente a maior delas. “Não basta conquistar os espectadores pelo preço, uma vez que até um conversor que cabe no bolso pode ser uma extravagância para quem não vai perceber grande diferença na maior parte da programação”, finalizou o especialista.







