Após um recuo de 6,8% em abril, a produção industrial no Amazonas avançou livre de influências sazonais 11,7% em maio. Com o resultado, o índice de média móvel trimestral aumentou 1,5% entre maio e abril, após o Estado fechar uma sequência de sete meses em queda, acumulando perdas de 18,7% no período.
Os números fazem parte da pesquisa da conjuntura industrial divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que destacou setores como os de produtos alimentícios e concentrados para bebidas que fecharam maio crescendo 18,2% em relação ao mês anterior, além do segmento eletroeletrônico de mídias virgens, cujo avanço foi de 14,3% em igual período de comparação.
Em relação a maio do ano passado, de acordo com o IBGE, a produção da indústria local apresentou recuo de 9,5%. Seis dos onze segmentos analisados pela pesquisa foram decisivos para esse resultado negativo, destacando-se o desempenho dos eletroeletrônicos e equipamentos de comunicações (-21,5%) e do setor componentista do polo de duas rodas (-29,5%).
O presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, disse que os números oficiais sobre o avanço na produção das mídias virgens no polo industrial não foi surpresa, já que o ciclo de cortes na taxa básica manteve-se ao longo dos primeiros seis meses, ajudando a equilibrar os custos financeiros e industriais com a capacidade de compra dos consumidores das classes B e C, eventuais compradores do setor. No entendimento do executivo, a política de benefícios fiscais no âmbito estadual foi fundamental para a indústria amazonense se posicionar entre os melhores desempenhos do país. “Acreditamos que a retomada do crescimento industrial não leve o tempo que se estimava no início do ano, durante a crise. Com essa visão, as indústrias de mídias virgens e os eletroeletrônicos, como um todo, veem que os números apontam para o reaquecimento e estabilização das vendas no varejo durante este segundo semestre”, disse.
Expectativas devem ser mais otimistas
O setor de mídias virgens pretende avançar 5,5% sobre o nível de produção observado em 2008 (5,62 milhões de unidades de compact disc, inclusive CD-Rom) até o fim deste ano. Por outro lado, os eletroeletrônicos almejam apenas 2% acima do patamar produzido no ano passado (596,11 milhões de unidades). Ainda assim, otimismo é a palavra de ordem da atual situação no setor coordenado por Périco.
Outro que se mostrou animado com a forte possibilidade de manutenção do crescimento da produção industrial foi o diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Moacyr Alberto Paes. O executivo explicou que todos os produtos que apresentaram retração até o momento são ligados ao crédito e, portanto, dependentes da disposição dos consumidores endividarem-se dentro de um quadro de incertezas, o que explica o desempenho abaixo do razoável nas linhas fabris. “Apesar do mau humor do mercado, a produção do polo de duas rodas manteve os empregos em troca de alguns benefícios. Na essência, as montadoras sentiram uma pequena recuperação na produção e nas vendas, o que nos leva a fazer uma boa expectativa para o segundo semestre”, avaliou.
No contexto cabe bem o pensamento do vice-presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) Ronaldo Mota, que aventou em entrevistas anteriores que a produção de motos é o grande desafio para o governo este ano, porque suas vendas estão diretamente ligadas ao crédito e abarcam uma quantidade considerável de mão-de-obra. “Existe uma demanda reprimida no mercado de motos. Resolver isso é desafio para o governo. Nossa expectativa é, conforme preveem os indicadores econômicos, que esse quadro comece a mudar a partir de julho”, disse.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, o economista Silvio Campos Neto explicou que a percepção de uma recuperação da economia global mais lenta e sujeita a recaídas derrubou os preços das commodities no semestre, repercutindo negativamente nos preços dos ativos brasileiros, como ações e a própria moeda nacional. Por outro lado, segundo o especialista, a visão exposta do atual ambiente não se configura em uma reversão para um cenário de estresse, mas sim um período de instabilidade, reflexo das incertezas ainda existentes. “A melhora mais consistente dos indicadores econômicos, que deverá ocorrer gradualmente ao longo deste segundo semestre, irá recolocar os mercados na trajetória de recuperação moderada nos próximos meses”, completou.
A opinião dos executivos ficou refletida na Pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial, que mostrou que 67% dos empresários entrevistados irão rever suas estimativas de faturamento para o 3º trimestre de 2009. Destes, 71% estão elevando as suas previsões de faturamento e apenas 29% pretendem reduzir as estimativas.
Ainda de acordo com a pesquisa Serasa, a indústria praticamente empata com o setor de serviços com 66% e 64%, respectivamente, na proposta de revisão para cima. A região Norte, com o Amazonas puxando os indicadores, é de longe a mais otimista com 91% dos empresários declarando que reverão suas estimativas de faturamento para cima, seguida do Nordeste com 79%, Centro Oeste (75%), Sudeste (69%) e Sul (66%).
Média nacional
Também no índice acumulado nos cinco primeiros meses do ano houve recuo em todas as áreas pesquisadas. As retrações acima do recuo da média nacional (-13,9%) ficaram no Espírito Santo (-30,1%), Minas Gerais (-22,8%), Amazonas (-17,8%), Rio Grande do Sul e São Paulo (ambos com -14,6%) e Santa Catarina (-14,1%). Registraram taxas negativas, porém acima da média, Bahia (-12,5%), região Nordeste (-10,9%), Pernambuco (-9,7%), Rio de Janeiro (-8,7%), Pará (-8,3%), Ceará (-6,3%), Goiás (-5,9%) e Paraná (-3,7%).
A comparação do desempenho no primeiro quadrimestre do ano frente ao mês de maio mostrou redução no ritmo de queda da atividade industrial na maior parte (dez) das áreas pesquisadas, acompanhando o movimento do índice nacional, onde o setor passou de -14,7% de crescimento nos quatro primeiros meses do ano para -11,3% em maio.







