Lideranças do PIM e especialistas ouvidos pela reportagem garantem que a indústria incentivada vem demonstrando interesse crescente pelas certificações ambientais e maior engajamento nas práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança). O Polo Industrial de Manaus já conta com cases consagrados na área, principalmente entre suas multinacionais, atentas a um mercado global cada vez mais exigente e vigilante. Mas, a adoção de práticas em torno de uma ‘Zona Franca verde’ vem se tornando gradualmente mais comum também entre organizações de menor porte, fortalecendo a imagem de sustentabilidade do modelo econômico do Amazonas.
Não há levantamentos oficiais, mas não faltam indícios da nova tendência. Em março, a Suframa lançou a Iniciativa “ZFM+ESG”, durante a segunda edição do Fórum de ESG Amazônia, evento promovido pelo Cieam e pela autarquia para mostrar como a aplicação eficiente das diretrizes ESG pode preservar a biodiversidade amazônica, fortalecer as comunidades locais e ampliar a competitividade das empresas. Em paralelo, a edição deste ano do PQA (Prêmio Qualidade Amazonas) está focando no mercado de carbono. Promovido pelo Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria da Fieam, o prêmio é considerado um “Oscar da Qualidade” e já conta com a sustentabilidade em seus pilares.
Padrões e gargalos
Coordenadora da Comissão ESG do Cieam, subcoordenadora da Meio Ambiente, Recursos Naturais e Responsabilidade Social da Fieam, a empresária e diretora da Impram, Régia Moreira Leite, concorda que a cultura ESG e apresenta progressos no PIM. “As indústrias têm avançado significativamente nessa incorporação, com destaque para a gestão ambiental. A adesão às certificações, como a ISO 14000, evidencia comprometimento e maturidade das empresas, com a adoção de processos mais eficientes e de menor impacto ambiental, além de maior controle sobre recursos, sobre resíduos”, destacou.
A iniciativa da Suframa tem sido crucial para fomentar esse movimento, que ainda enfrenta desafios para avançar mais rápido. “A gente convida todas as empresas que não têm a se filiarem ao ‘ZFM+ESG’. Essa parceria está permitindo que esse tema deixe de ser apenas uma tendência para integrar realmente a estratégia de todas as empresas. Todas as empresas podem ter redução de desperdício, riscos e custos com passivos ambientais. Há vários gargalos, desde altos custos de implementação e de fazer uma manutenção com a certificação, até a escassez de prestadores de serviço”, ponderou.
Contador com especialização em gestão empresarial e contabilidade internacional, consultor na área de certificação ESG, e sócio-diretor da Acta Consultores, Anderson Chaves avalia que a maior adesão do PIM à pauta ambiental é impulsionada pela pressão dos mercados internacionais e pelo compromisso das empresas com a sustentabilidade. Ele diz ainda que a Iniciativa “ZFM+ESG” tem sido bem recebida pelo setor produtivo.
Conforme o especialista, a autarquia oferece diretrizes e apoio técnico para ajudar as organizações a compreender e implementar melhores práticas, facilitando o acesso a certificações reconhecidas globalmente. Ele cita os cases de empresas já estabelecidas nesse cenário, como Honda, Electrolux, Yamaha, Visteon, BMW, Tutiplast, Digitron e Impram. “São empresas que possuem certificações ISO 14001 e, em alguns casos, também aderiram a outras iniciativas, como o Programa de Eficiência Energética da Aneel e selos relacionados à gestão responsável de resíduos”, citou.
Segundo Chaves, as empresas cumprem “padrões ambientais rigorosos” e promovem ações sociais e de governança para reforçar seu compromisso com o desenvolvimento sustentável da região. “As vantagens dessas iniciativas incluem redução de riscos ambientais, maior eficiência operacional, fortalecimento da imagem institucional e, claro, a contribuição para a preservação da biodiversidade amazônica. No entanto, ainda existem gargalos importantes, como o custo elevado para a implementação de sistemas de gestão ambiental, necessidade de maior capacitação técnica local e a complexidade logística, especialmente para empresas de menor porte”, frisou.
“Ganhos de eficiência”
O presidente da Fieam e presidente em exercício da CNI, Antonio Silva, ressalta que, embora o ritmo de adoção possa variar entre os segmentos e portes de empresas, há uma clara tendência de valorização dos pilares ambientais no PIM. “As empresas estão cada vez mais cientes da importância das práticas ESG para a sustentabilidade do negócio, a reputação e a atração de investimentos. Os consumidores, investidores e as próprias cadeias de suprimentos globais estão exigindo maior responsabilidade socioambiental das empresas, o que impulsiona a busca por certificações”, justificou.
Para o dirigente, a iniciativa “ZFM+ESG” tende a acelerar e democratizar esse movimento. “A procura por certificações ambientais é significativa entre as empresas de médio e grande porte do PIM, especialmente aquelas com operações globais ou que atuam em setores de maior impacto ambiental. A iniciativa da Suframa, ao oferecer apoio e orientações, tende a acelerar e democratizar o acesso a essas certificações entre as pequenas e médias empresas, que antes poderiam ter mais dificuldade”, ressaltou.
O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Barreto Rocha, também salienta que muitas empresas que já possuem certificações importantes, como a ISO 9001, estão ampliando seus esforços para obter certificações específicas de gestão ambiental. De acordo com o dirigente, a Iniciativa “ZFM+ESG visa incentivar a adoção de práticas sustentáveis por todas as empresas do PIM de forma voluntária, oferecendo um certificado simbólico de participação, sem caráter de certificação formal.
“Várias empresas já estão manifestando interesse em alinhar suas operações aos princípios de ESG. Até o momento, temos as seguintes empresas aderentes: Recofarma, Impram, Technos e PST Eletronics. E muitas estão buscando ou já conquistaram a ISO 14001, a exemplo das empresas dos polos eletroeletrônico e de duas rodas, que vêm adotando práticas mais sustentáveis e buscando selos verdes para consolidar sua responsabilidade ambiental e melhorar sua competitividade no mercado”, frisou.
O vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, Nelson Azevedo, concorda. “O PIM é a planta industrial mais certificada do país e tem ampliado seu compromisso com ESG e certificações reconhecidas internacionalmente, como selo Eureciclo, I-REC e outros. A Suframa tem fomentado essa agenda junto às empresas”, listou.
Já o presidente da Aficam, Roberto Moreno, enfatiza a iniciativa “ZFM+ESG”. “A Suframa vai além com essa iniciativa, esforço de divulgação, apoio e engajamento para envolver as empresas do Polo. Isso, sem dúvida, é importante para fortalecer a cadeia produtiva, obtendo uma rede de ações individuais por empresa, que se juntam aos demais esforços, em uma ação conjunta que é obrigação de todos”, encerrou.







