A fila do desemprego do Amazonas voltou a encolher no primeiro trimestre, em período marcado por aumento de oportunidades principalmente no comércio e na construção. O rendimento e a massa salarial também cresceram, mas a taxa de informalidade seguiu o mesmo caminho e ainda é uma das maiores do país. A taxa de desocupação subiu de 7,3% (144 mil pessoas) para 8,3% (153 mil) na virada trimestral. O confronto com igual intervalo de 2025 (10% ou 199 mil), no entanto, mostrou queda substancial. O Estado seguiu a média nacional (6,1%), assim como ocorrido em outras 15 unidades federativas brasileiras.
O nível de ocupação, por outro lado, também foi menor. Em torno de 54,9% da força de trabalho do Amazonas contava com ocupação remunerada no primeiro trimestre, ou 1,76 milhão de pessoas. Ficou abaixo do trimestre anterior (56,8% e 1,82 milhão), em desempenho comprometido principalmente pela administração pública. O resultado também ficou aquém do apresentado entre janeiro e março de 2025 (55,7% e 1,78 milhão), graças à perda de fôlego nas contratações da indústria e “outros serviços”. É que apontam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgados pelo IBGE, nesta sexta (15).
A fatia de trabalhadores sem carteira assinada sofreu repique. Segundo o IBGE, a taxa de informalidade aumentou de 51,5% para 53,2%, na virada do último trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026, somando 914 mil pessoas nessa condição. O percentual, contudo, ficou praticamente igual ao registrado em igual intervalo do exercício anterior (53,3%), em um contexto de aumento vegetativo na força de trabalho do Amazonas. Mais uma vez, o Estado superou a média nacional (37,3% ou 38,1 milhões) e se mantém na terceira posição do ranking brasileiro, logo atrás Maranhão (57,6%) e Pará (56,5%).
Em acréscimo, a taxa composta de subutilização de força de trabalho, que mensura a proporção de pessoas que gostariam de estar ocupadas, mas não estão efetivamente procurando emprego, subiu de 14,6% para 16,9% na virada trimestral, totalizando 345 mil pessoas. O contingente de desalentados – e que desistiran de buscar trabalho – aumentou de 63 mil para 66 mil, na mesma comparação. “A taxa de desocupação elevou 1 ponto percentual entre os trimestres e a principal razão foi a queda das pessoas ocupadas”, sintetizou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
“Desafio severo”
No primeiro trimestre de 2026, o Amazonas contava com mais de 3,21 milhões de habitantes com 14 anos ou mais – idade apontada pelo IBGE como “apta ao trabalho”. A maioria dos ocupados estava na categoria de “empregado” (1,06 milhão). Dentro desse grupo, 64,62% vinham do setor privado (685 mil), mas apenas 63,65% (436 mil) estavam formalizados. A falta de carteira de assinada é mais ampla entre os trabalhadores domésticos: 69 mil entre 80 mil. O setor público (298 mil) tinha só 13 mil pessoas com registro celetista, enquanto 176 mil eram militares ou funcionários estatutários. A quantidade de trabalhadores por “conta própria” ficou em 522 mil e o de empregadores, em 47 mil. Apenas o segundo grupo tinha maioria com CNPJ.
“Apesar dos bons números de ocupação, o Estado ainda convive com um patamar elevado de informalidade. Muitos trabalhadores ainda exercem suas atividades sem o amparo da carteira assinada ou de registros formais, o que limita o acesso a direitos previdenciários e à segurança jurídica”, ressaltou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM considerando que esse ainda é um “desafio severo” a ser superado pelo mercado de trabalho do Amazonas.
A massa de rendimentos do trabalho no Amazonas – que reflete o quanto os salários brutos dos trabalhadores contribuíram para a economia local – refletiu essa dinâmica. Ficou em R$ 4,54 bilhões, 1,30% mais fraca do que nos três meses anteriores (R$ 4,60 bilhões), mas 6,57% maior diante do mesmo acumulado do ano passado (R$ 4,26 bilhões). O “rendimento médio real” dos trabalhadores locais aumentou de R$ 2.695 para R$ 2.770, ante o trimestre anterior, uma diferença de 2,78%. No confronto com o valor capturado no mesmo aglutinado de 2025 (R$ 2.480), o incremento foi de 11,69%.
“O crescimento do volume total de recursos injetados na economia através dos salários é um indicador de vitalidade. Com mais dinheiro circulando na mão dos trabalhadores, cria-se um círculo virtuoso que beneficia desde o pequeno produtor local até os grandes prestadores de serviço”, assinalou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM.
“Motor de oportunidades”
O grupo que reúne administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (355 mil) somou a maior parte dos trabalhadores ocupados, mas desidratou. Na sequência, estão comércio e reparação de veículos (326 mil); agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (254 mil); indústria em geral (208 mil); serviços de informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias (134 mil); serviços de transporte, armazenagem e correio (110 mil); serviços de alojamento e alimentação (108 mil); construção (106 mil); “outros serviços” (85 mil); e serviços domésticos (76 mil).
Apenas três dos dez agrupamentos de atividades econômicas acompanhados pelo IBGE aumentaram seus contingentes de trabalhadores na virada trimestral: serviços de alojamento e alimentação (+9,8%), agropecuária (+9%) e serviços de transporte e correio (+6,9%). Já o confronto com o primeiro trimestre de 2025 mostrou avanço também para três atividades: comércio (+5,8%), construção (+4,9%) e agropecuária (+0,8%). Em contrapartida cinco setores registraram recuo nos empregos em ambas as comparações, com destaque para indústria (-4% e -9,2%, respectivamente).
“O setor comercial se consolida como principal motor de novas oportunidades de trabalho neste início de ano, apesar de ter reduzido o número de empregados entre os trimestres. Em contrapartida, os desligamentos na Industria e na administração pública, indicam um ponto de atenção a ser observado nos próximos trimestres”, arrematou Adjalma Nogueira Jaques.







