Com a variação de julho de 2023, a alta acumulada em 12 meses pelo IPCA-15 desacelerou a 3,19%. Trata-se da menor elevação desde setembro de 2020 (2,65%). Nesse recorte, o avanço era de 3,40% até junho.
O índice oficial de inflação do Brasil é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também divulgado pelo IBGE.
Como a variação do IPCA é calculada ao longo do mês de referência, o resultado de julho ainda não está fechado. Será conhecido no dia 11 de agosto.
O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. Sua variação é coletada entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência dos dados neste caso, de 15 de junho a 13 de julho.
EXPECTATIVA POR DECISÃO SOBRE JUROS
A divulgação do IPCA-15 ocorre às vésperas da nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central). O encontro está agendado para a semana que vem, nos dias 1° e 2 de agosto.
Com a trégua da inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados vêm pressionando o BC pelo corte na taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.
Analistas preveem que o Copom iniciará o ciclo de redução da taxa na próxima reunião. A principal dúvida de parte dos economistas é a respeito da intensidade do corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto percentual.
ENERGIA E ALIMENTOS MAIS BARATOS
Segundo o IBGE, a deflação de 0,07% do IPCA-15 em julho foi puxada pela queda dos preços da energia elétrica residencial.
A conta de luz teve baixa de 3,45% após a incorporação do chamado Bônus de Itaipu nas faturas. É um crédito pontual em razão do saldo positivo na comercialização de energia da usina binacional em 2022.
Com o impacto da conta de luz, o grupo habitação recuou 0,94% em julho. Assim, contribuiu com -0,14 ponto percentual para a baixa do IPCA-15. Ainda nesse segmento, houve queda nos preços do botijão de gás (-2,10%).
O IBGE também ressaltou que o grupo alimentação e bebidas teve deflação de 0,40% em julho. Foi a segunda principal contribuição (-0,09 ponto percentual) para a queda do IPCA-15, atrás apenas de habitação.
O resultado de alimentação e bebidas está relacionado, principalmente, à deflação da alimentação no domicílio (-0,72%), que já havia recuado em junho.
O IBGE destacou as quedas dos preços do feijão-carioca (-10,20%), do óleo de soja (-6,14%), do leite longa vida (-2,50%) e das carnes (-2,42%). A batata-inglesa (10,25%) e o alho (3,74%), por outro lado, ficaram mais caros.
A alimentação fora do domicílio (0,46%) acelerou em relação ao mês anterior (0,29%). O resultado foi puxado pela alta mais intensa do lanche (de 0,34% em junho para 1,02% em julho).
Além de habitação e alimentação e bebidas, os preços dos grupos artigos de residência (-0,40%) e comunicação (-0,17%) também recuaram neste mês no IPCA-15.
GASOLINA MAIS CARA
Do lado das altas, o ramo de transportes teve o principal impacto positivo (0,13 ponto percentual) e a maior variação (0,63%) entre os segmentos pesquisados.
O avanço desse grupo foi puxado pela subida dos preços da gasolina (2,99%). De forma individual, o combustível foi o subitem com o maior impacto positivo (0,14 ponto percentual) no IPCA-15 de julho.
Ainda em transportes, o IBGE registrou alta de 4,70% nos preços das passagens aéreas, que haviam subido 10,70% em junho.
Já o automóvel novo (-2,34%) e o automóvel usado (-1,05%) tiveram quedas no índice deste mês. Na tentativa de estimular o setor automotivo, o governo federal apostou em um programa de descontos para os chamados carros populares.
O QUE DIZEM OS ANALISTAS
Parte dos analistas passou a ver mais chances de o IPCA encerrar o ano dentro do teto da meta de inflação do BC. É algo que estava fora do radar no início do ano.
O centro da meta perseguida pela autoridade monetária é de 3,25% em 2023, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais (4,75%) ou para menos (1,75%). O IPCA estourou o teto em 2021 e 2022.
Andréa Angelo, estrategista de inflação da corretora Warren Rena, projeta inflação de 4,70% em 2023, dentro do intervalo da meta. A Warren reduziu a projeção para o IPCA de julho, a 0,04%.
Na visão de Angelo, o IPCA-15 deste mês “chamou atenção para o bom desempenho da inflação de serviços”.
Para Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, a divulgação desta terça “não poupou notícias benignas na dinâmica inflacionária”. Ele passou a prever corte de 0,5 ponto percentual na Selic em agosto.
Já Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital, manteve a projeção de redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros.
“O IPCA divulgado hoje aponta para uma trajetória de desinflação nos núcleos, mas espera-se que a variação nos próximos meses não seja a mesma observada nesta apuração”, disse.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, afirmou que o IPCA-15 foi influenciado por dois fatores sem repetição nos próximos meses. Trata-se do Bônus de Itaipu e do programa de descontos em automóveis, já encerrado.
Moreno também afirmou que, apesar de continuarem rodando em patamares elevados, os núcleos de inflação do BC, que excluem elementos voláteis e não recorrentes, vieram abaixo do esperado em julho (0,09%), assim como a inflação de serviços, que teve alta de 0,36%.
“A inflação em 12 meses deve voltar a subir nos próximos meses. Isso deve acontecer porque o cálculo começará a ser impactado pela saída das deflações de julho, agosto e setembro de 2022. Projetamos que a inflação acumulada em 12 meses vai voltar para um patamar acima de 5% em setembro”, ponderou.
O Itaú Unibanco, por sua vez, afirmou que a leitura do IPCA-15 de julho “corrobora o cenário de desinflação em curso, embora a inflação mais ligada a componentes inerciais e de mercado de trabalho siga em trajetória lenta de recuo”.
O IPCA de julho, segundo o banco, deve mostrar um número ligeiramente acima de zero, impactado por uma deflação de alimentos e energia elétrica, mas com aceleração nos preços de automóveis novos com o fim do programa de descontos no início deste mês.
IPCA-15 tem primeira deflação em dez meses com queda da conta de luz e de alimentos
Em: 25 de julho de 2023
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Comunidade científica alerta para risco de interferência nas eleições
23 de setembro de 2026

Dólar aproxima-se de R$ 5,17, com notícias do exterior e eleições
23 de setembro de 2026

Estudo prevê até 13,3 mil mortes no Brasil com calor do Super El Niño
23 de setembro de 2026

II Cenatec começa nesta quinta-feira (24) em Manaus; inscrições seguem abertas
23 de setembro de 2026

Coberta de fumaça, Manaus tem ar considerado péssimo e queimadas aumentam no estado
23 de setembro de 2026

SESI celebra 80 anos em Manaus e reúne lideranças para discutir educação, inovação e futuro
23 de setembro de 2026

Abraciclo promove Pit Stop Educativo em Manaus e reforça atenção a motociclistas
23 de setembro de 2026

Empreendedores com CNPJ chegam a 35% e atingem recorde no Brasil
23 de setembro de 2026