Depois de entregar mais de 4.000 títulos de terras a produtores rurais do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai regularizar nos próximos dois anos os donos que não obtiveram o documento de posse nos últimos cinco anos na Amazônia. O compromisso do presidente foi feito por ocasião da assinatura de dois convênios firmados com o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que visam à ampliação do trabalho de legalização fundiária no Amazonas. Dessas parcerias, com recursos da ordem de R$ 8 milhões, mais de 3.000 famílias em 23 municípios serão beneficiadas.
Segundo o presidente, o termo Amazônia Legal é apenas para efeito do mapa geográfico, mas do ponto de vista da propriedade não é porque, em linhas gerais, os produtores não são cidadãos de direito. “Nós agora queremos que cada um se sinta mais cidadão dessa região”, disse.
Diante dessa legalização que o presidente se comprometeu a fazer, ele avisou que não será proibida a exploração por parte das indústria de madeira na Amazônia. Para isso, Lula disse que o extrator terá que trabalhar com a madeira certificada, com um manejo correto da floresta. “Pode-se utilizar e ter madeira para o resto da vida, sem permitir que haja depredação”, disse.
O presidente disse estar cansado de viajar pelo mundo e ouvir os gringos dando palpites sobre a Amazônia. “Temos que informar que cada vez mais isso aqui é nosso, eles já acabaram com a floresta deles. Então por favor deixem a gente cuidar da nossa da nossa”, disse.
Lula aproveitou para pedir o apoio dos governadores e prefeitos no sentido de levantar o número de trabalhadores que se encontram nessa situação, visando à possibilidade de dar a cada pessoa o título da terra em que está produzindo.
Ele disse que um trabalhador rural que não tem o título da terra onde trabalha não pode tomar R$ 10 emprestado da Caixa Econômica. “Uma pessoa com o título de propriedade de uma terra com 10 metros quadrados vira gente, proprietário; vamos resolver também a questão do título urbano”, disse Lula, ressaltando que em 2003, por ocasião de sua posse, todo crédito que o Brasil tinha era R$ 380 bilhões e hoje ultrapassou R$ 1,4 trilhão.
Hoje, o Banco do Brasil sozinho tem todo o crédito que o país tinha há seis anos. “Queremos regularizar o produtor para ele poder emprestar e incrementar sua produção e com isso gerar riqueza.”
Região deve explorar riquezas, diz Lula
O presidente também chamou a atenção para o aproveitamento da riqueza existente na região a partir da biodiversidade da Amazônia, que, se bem aproveitada poderá tornar este Estado assim como os demais da região ricos. Ele citou que “Channel” é um perfume de luxo feito com essências da Amazônia, assim como uma infinidade de remédios que são produzidos no mundo com produtos da biodiversidade da região.
“Quantas madeiras temos aqui, se for feito o manejo correto – cortando uma e plantando dez”. Até 2010, disse que virá muitas vezes ao Amazonas, quando estará governando mas também ajudando alguns companheiros a se eleger.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu uma agenda extensa em Manaus ontem iniciando pela visita dos trabalhos de construção da ponte sobre o Rio Negro, que vai ligar Manaus a Iranduba.
As obras avançam em etapas diversificadas que envolvem as sondagens, fundações, cravações, concretagem das estacas de camisas metálicas, que medem até 70 metros e lançamento de vigas. O presidente Lula elogiou o andamento das obras da ponte, parabenizando o governador do Estado por sua construção, que conta com investimentos de R$ 574 milhões com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As obras são realizadas por intermédio do Consórcio Rio Negro, formado pelas empresas Camargo Corrêa e Construbase.
O terminal Hidroviário de São Raimundo foi a segunda visita feita pelo presidente Lula e comitiva, formada pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB), Átila Lins (PMDB), Rebecca Garcia (PP), os senadores João Pedro e Jéferson Praia, entre outros.
O terminal flutuante será destinado a operar no município de Manaus, através de um ponto que será acoplado a uma rampa fixa, pavimentada em concreto. A principal finalidade é permitir o atraque das balsas que trarão caminhões, veículos leves e passageiros com cargas embarcadas.
No fim da tarde, Lula inaugurou o SPA Antonio Aleixo e o Hospital e Maternidade Chapot Prevost, ambos no bairro Antônio Aleixo. À noite, o governador Eduardo Braga e o presidente Lula entregaram duas obras destinadas à habitação popular em Manaus. Trata-se do Conjunto Habitacional Cidadão 9 e o Lar Azamor Gonçalves Pinheiro, ambos na zona leste da cidade.
Borracha ganha preço mínimo no Estado
A partir de um decreto assinado pelo presidente Lula com os governadores da região, o Amazonas é o primeiro Estado brasileiro a adotar o preço mínimo da borracha, estabelecida em R$ 3,50 o quilo, pelo governo federal. O lançamento contou com a presença de extrativistas do interior amazonense, cuja maioria foi seringueiros, oriundos do município de Manicoré, na região do Madeira.
Lula disse que a rodovia BR-319 é imprescindível e garantiu que vai ser feita. Ele disse que tem uma parte feita –de Manaus em direção a Porto Velho, o mesmo acontecendo de lá para Manaus– só está faltando apenas o meio da rodovia que está estulhado, mas garantiu que vai desestulhar essa área pelo bem da Amazônia, do povo e do progresso. “Daqui há alguns anos, quero vir aqui no Amazonas e o Alfredo Nascimento vai me convidar para me levar de carro até Porto Velho tomando cuidado e não vamos pisar em nenhum calango e nenhuma perereca, cobra, tudo que vier, a gente vai desviar”, disse, ressaltando que o Brasil não pode deixar de se desenvolver por ignorância dos governantes. “Todos queremos preservar, cuidar, mas se faz necessário fazer isso para melhorar a vida dos mais sofridos. Atualmente se gasta três vezes mais andando de barco para se chegar em Manaus”, completou.
Copa do Mundo
Apesar de ter dito que não poderia dar palpites sobre Copa de 2014, o presidente Lula acabou admitindo não ter dúvida nenhuma de que o Amazonas deverá ser escolhido como uma das subsedes da Copa porque se quiserem mostrar a Amazônia para o mundo, nada mais justo do que o Estado ser um dos escolhidos. Como presidente da República, Lula disse que gostaria que a Copa acontecesse nas 27 cidades da federação. “A Fifa já aumentou de 10 para 12 cidades, o que é muito bom”, disse ressaltando que o Amazonas leva uma grande possibilidade e grande chance de ser escolhida por conta da biodiversidade que é uma grande atração.







