Manaus pode socorrer outras regiões

Em: 24 de fevereiro de 2014
Enquanto várias regiões correm risco de apagão, Manaus tem energia de sobra no sistema
Enquanto várias regiões correm risco de apagão, Manaus tem energia de sobra no sistema

Manaus pode ser uma alternativa para a ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), caso o risco de desabastecimento de energia que assombra o país venha a acontecer nos próximos meses. Segundo o diretor-técnico de Geração e Transmissão da Eletrobras Amazonas, Tarcísio Estefano, atualmente a capacidade de energia instalada em Manaus é superior à demanda máxima necessária para atender à capital e as demais cidades conectadas, como Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.
Segundo a empresa, Manaus não corre riscos devido ao fato de que a nossa principal fonte de energia é térmica.Tarcísio explica que neste período, mais de 50% da energia é proveniente do gás natural de Urucu (no município de Coari), uma outra parcela é proveniente da Usina hidrelétrica de Balbina, outra parte utiliza óleo como combustível. Podendo haver a complementação com energia da linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus, o Linhão de Tucuruí. “Portanto, sem necessitar da energia proveniente do ‘linhão’. Isso quer dizer que, caso haja necessidade, Manaus poderá enviar excedente de energia para o SIN (Sistema Interligado Nacional). Mas, essa decisão cabe a ONS, que também definiria as quantidades a serem exportadas”, explica.
Apesar dos constantes problemas de energia enfrentados pelos moradores da região, Tarcísio afirma que existe sobra na demanda local e não haveria prejuízo local, caso parte da energia fosse demandada para outras regiões. “Nos dias de hoje, estamos vivendo o inverno amazônico, o que significa dizer que, o pico de consumo de energia em Manaus, normalmente, ocorre entre os meses de setembro e outubro. Atualmente, estamos com o consumo menor e, portanto, com sobras de energia em Manaus e região. Como existe sobra, não haveria prejuízo local”
A capacidade energética para atender Manaus e região atualmente é de 1600 MWt (megawatt), a situação máxima histórica de consumo já registrada na região foi de 1.356 MWt, no dia 24 de setembro de 2013. Mas o Estado conta ainda com o Linhão de Tucuruí, que tem uma capacidade de 1.800 MWt e poderia ser usado no processo. “As grandes linhas de transmissão têm o objetivo de promover o intercâmbio de energia entre diferentes regiões. É uma “via de mão dupla”. Sobras de uma determinada região podem ser transferidas para outras e vice e versa. Essa é a função também do ‘linhão’ de Tucuruí”, explica.
Toda a geração instalada em Manaus está sendo mantida, até que o Linhão de Tucuruí venha a operar em definitivo. Atualmente o sistema esta atuando em fase de testes, mas já está disponível para ser utilizado quando necessário. “O Linhão deve operar em definitivo após esse período experimental. Um dos objetivos do ‘linhão’ é de que, quando houver sobra de energia hidráulica no SIN, possamos desligar algumas usinas térmicas. Essa definição também cabe ao ONS”, explica.
Manaus está interligado ao SIN, desde o dia 9 de julho de 2013, em caráter experimental. Em 2013 houve um aumento de consumo de energia na região na ordem dos 6,5%. A maior parte da energia gerada no Estado é consumida pelas residências que abrangem 34% do total da energia consumida no ano. Em seguida vem o setor residencial que corresponde a 29%, seguido pelo comércio com 21%. As demais formas de consumo abrangem os 16% restantes. No ano passado o Gás Natural foi responsável por 50% da energia consumida por Manaus. Atualmente opera através de uma usina de 575 megawatts e há outra usina de 583 megawatts em construção.
Em 2014 houve um aumento de 3,5% na tarifa residêncial e redução de 10% na industrial. Segundo site da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a tarifa de energia do Amazonas é a 53º mais cara entre as 64 disponíveis no país. Com um custo de R$ 0,27685 o kWh (quilowatt-hora).

Lobão

Apesar da boa intenção de Manaus, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tem reiterado que risco de desabastecimento de energia no Brasil é muito pequeno. “Esse risco é mínimo. Para tudo na vida existe um risco. Por que acreditar nessa possibilidade, e não que o risco é mínimo?”, disse ao chegar ao workshop das empresas do sistema Eletrobras, em Brasília. No entanto, o ministro já havia descartado o risco de apagão no início de fevereiro, mas mudou de ideia há uma semana, reconhecendo que havia risco de dificuldade no suprimento de energia caso os níveis dos reservatórios piorassem.
Para o governo, com a capacidade atual de geração de energia no país, incluindo as expansões previstas para 2014, o sistema estaria estruturalmente equilibrado, com sobras, em termos de balanço energético, considerando-se tanto o critério probabilístico, como as análises com as séries históricas de vazões, para o atendimento de uma carga prevista para 2014 da ordem de 67 mil MW médios de energia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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