Da mesma forma que em todo o mundo, o varejo do Amazonas despertou para a potencialidade avassaladora da China. Com os solavancos enfrentados pela maior economia do mundo, a americana, o foco sobre o gigante asiático se tornou mais intenso. Prova disso é que os empresários locais do setor estão prospectando negócios diretamente no país, onde encontram redução de até 50% nos custos com produtos importados em comparação com os mesmos itens encontrados no mercado doméstico.
Ao todo, já são mais de 20 empresários que estão importando da China, principalmente itens relacionados ao setor da construção civil, tais como porcelanatos, lajotas e cerâmicas. Além disso, há informações de que tubos para o gasoduto também estão sendo trazidos de lá, assim como materiais plásticos, tais como talheres e outros descartáveis. “Esses produtos podem sair até ¼ mais barato do que os comercializados no mercado nacional”, disse o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ralph Assayag.
No entanto, os empresários precisam ter cautela ao negociar com fornecedores chineses. “É preciso olhar tudo com muito cuidado”, alerta Assayag. É aí que entra o papel da Consultoria Baumann, que esteve responsável pela logística dos empresários à Missão China 2008, durante a 103ª Canton Fair, segunda maior feira multissetorial do mundo e a principal multissetorial da Ásia.
Os principais riscos nos negócios com as importações da China consistem no risco financeiro, ou seja, de comprar e não receber a mercadoria ou a empresa não existir e tudo não passar de um golpe, e o outro está relacionado ao risco da qualidade, que pode ser inferior ao do produto solicitado. “Ambos os riscos são drasticamente minimizados seguindo-se uma metodologia de trabalho que vai da prospecção dos fornecedores ao acompanhamento e inspeções regulares”, afirmou o diretor executivo da Baumann, Renato Castro.
A Baumann foi contratada pelo grupo de empresários para apoiar as negociações com segurança, sendo responsável por serviços como a prospecção e seleção contínua de fornecedores no mercado asiático, pesquisa e análise de preços, diagnóstico completo de fornecedores, acompanhamento in loco do embarque, entre outros.
Missão China
A missão contribuiu para identificar parceiros comerciais e incentivar o processo de internacionalização das empresas brasileiras. “Essa tendência representa um avanço, pois está sendo criado um mercado regulador de preço, já que as empresas estão buscando menores custos para obter produtos mais em conta”, avaliou Assayag.
Segundo ele, a viagem teve resultados satisfatórios. “Em primeiro lugar pela cultura nova que conhecemos. Segundo, tirou a mística, onde todos achavam que o produto chinês não tinha qualidade. Terceiro, os empresários puderam prospectar negócios no gigante oriental, sobretudo, através da Canton Fair. Outro fator importante foi a relação entre os próprios participantes. A interação entre o grupo acabou aproximando e unindo todos os empresários que lá estavam”, disse.
China e Amazonas
Na visão do diretor executivo da Baumann, Renato Castro, há uma grande oportunidade para o varejo de todo o Estado na China. “Cada vez mais as empresas chinesas estão se especializando na venda direta ao varejo, diminuindo gradativamente as quantidades mínimas de produtos exigidas para as compras diretas. A delegação do Amazonas pôde conferir de perto estas oportunidades, participando de mais de quatro feiras durante sua permanência na China”, informou.
Segundo ele, empresários do setor de segurança e construção civil de Manaus iniciaram suas negociações com empresas chinesas ainda durante a feira. “Nos meses de maio e junho, finalizamos as compras e os primeiros containeres já devem chegar entre os meses de agosto e setembro”, disse.
O cenário é ainda mais animador, de acordo com o executivo, por conta do relacionamento comercial entre o Brasil e a China, que realizaram mais de US$ 25 bilhões em negócios em 2006, crescendo ano após ano. “A importação brasileira foi responsável por movimentar cerca de US$ 12.6 bilhões na China, que já aparece como segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo somente para os Estados Unidos”, informou Castro.
Produtos têm custos inferiores aos do Brasil
O presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Roberto Tadros, explica o porquê do mercado Chinês estar invadindo toda a América do Sul, com preços mais do que competitivos. “Isso ocorre porque a realidade da China é diferente da nossa. Eles não têm obrigações trabalhistas, fiscais, previdenciárias, enfim, o custo da produção da China é infinitamente inferior a do Brasil, os produtos brasileiros não são competitivos em relação aos da China”, destacou.
Na avaliação de Tadros é necessário verificar essa tendência com muito cuidado para evitar de amanhã sucatear grande parte do parque industrial brasileiro. “Aliás, a União Européia já está fazendo isso. Então, tem que se exigir que a China faça parte da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para se submeter às normas estabelecidas por todos os países que compõe o sistema capitalista internacional e poder competir em igualdade de condições”, declarou. Segundo o presidente, também há informações de que na China tem mais de 28 milhões de presos que são submetidos a trabalhos e a produzir em troca de quatro tigelas de arroz. “Eu não sei se verdadeiro ou não, mas isso então cai significativamente o custo da produção e da mão-de-obra”, completou.
Em relação a essa tendência do comércio amazonense, Tadros fez destaque sobre as diferenças entre as culturas chinesa e brasileira. “São duas realidades diferentes e a China passou muitos e muitos anos voltada para si mesma, então, hoje é que o país está entrando no processo capitalista. Assim, desde 1949 vivia sobre a égide do regime comunista e, antes disto, sofria influência da Inglaterra e de outros países”, avaliou.
Fluidez nas exportações
Com a finalidade de facilitar o processo de aquisição de produtos, a FCDL-AM disponibiliza uma empresa que faz a importação para pequenos e médios empreendimentos. “Isso proporciona mais agilidade e fluidez nas importações”, frisou Assayag. A entidade está em fase de divulgação para os setores do varejo. “A empresa já importa cargas com peças de automóveis”, informou. A tendência é de que mais empresas possam estar concentrando essas importações para o mercado local.







