OAB contesta Barbosa sobre TRFs

Em: 10 de abril de 2013
Críticas do presidente do STF sobre tribunais federais foram questionadas por vários segmentos no dia de ontem
Críticas do presidente do STF sobre tribunais federais foram questionadas por vários segmentos no dia de ontem

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) divulgou nota de repúdio na qual critica as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, sobre a criação de mais quatro tribunais regionais federais no país.
Em reunião tensa ontem com representantes de associações de magistrados, Barbosa afirmou que a aprovação da proposta no Congresso que cria os tribunais foi feita na “surdina” e de forma “sorrateira”, além de apostar que suas sedes serão construídas em “resorts e grandes praias”. O presidente do STF disse ainda que o projeto foi bom para a advocacia, pois cria empregos para advogados.
“Houve mais interesse político do que técnico. Os órgãos técnicos não se manifestaram. É bom para a advocacia a criação de tribunais, pois dá empregos através do quinto constitucional”, completou, referindo-se às vagas concedidas para advogados serem nomeados juízes em tribunais.
A ordem considerou as declarações ofensivas à classe dos advogados e disse que o assunto merece ser tratado em outros termos. “O Conselho Federal da OAB entende do seu dever refutar e repudiar tais declarações, por inexatas, impertinentes e ofensivas à valorosa classe dos advogados”, diz a nota de repúdio divulgada pela OAB.
A entidade ainda questiona a afirmação de Barbosa de que a proposta de criação dos novos tribunais foi aprovada de forma “açodada”.
“A bem da verdade, a Emenda Constitucional em questão tramita no Congresso Nacional desde o ano de 2002, tendo observado o processo legislativo próprio, revestido da mais ampla publicidade. Além disso, resultou de antiga e legítima aspiração dos jurisdicionados em nosso País e contou com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao aprovar a PEC 544/2002, após a realização de audiências públicas e intenso debate parlamentar, o Congresso Nacional exerceu, com ponderáveis e justas razões, o poder constituinte derivado, que lhe é exclusivo e indelegável”.
Ontem, ao sair da tensa reunião com o presidente do Supremo, o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Nino Toldo, afirmou que o diálogo entre eles “não será fácil”.
“A Ajufe, junto com as demais associações de classe da magistratura, procurou, nessa reunião, estabelecer diálogo com o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça. Contudo, o clima tenso da reunião mostra que esse diálogo não será fácil”, disse Toldo no site de sua instituição.

Novos Tribunais

Ignorando apelos do comando do STF e do próprio Barbosa, a Câmara aprovou na última quarta-feira uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que cria mais quatro tribunais regionais federais. A proposta depende apenas da promulgação do Congresso Nacional para começar a valer. O texto aprovado não menciona custos nem a quantidade dos cargos necessários para os novos tribunais. Fica estabelecido apenas um prazo de seis meses para a instalação das cortes.
Atualmente, existem cinco tribunais regionais -Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul, que julgam processos com origem nos demais Estados.
A emenda aprovada cria tribunais com sedes em Belo Horizonte, Salvador, Curitiba e Manaus.

Presidente da Câmara defende aprovação de PEC

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), defendeu ontem a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) aprovada na semana passada que criou quatro novos tribunais regionais federais.
Segundo Alves, a proposta “seguiu todo trâmite legal, regimental e jurídico” e só resta ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), promulgar o texto. “Eu acho que é dever do Congresso promulgar”, disse Alves.
Questionado sobre a eventual aprovação ser contestada na Justiça, o presidente defendeu a posição da Câmara. “Cada um no seu pedaço. O nosso pedaço é interpretar a manifestação que chegou à Casa. Aprovou, o que resta é a promulgação”, afirmou o deputado.
A criação dos tribunais foi duramente criticada pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Ele prevê um impacto de R$ 8 bilhões anuais e argumenta que a medida não vai desafogar a Justiça.
Ontem, em reunião com três entidades de juízes Barbosa afirmou que eles agiram sorrateiramente e na surdina na criação dos novos tribunais regionais federais.
Hoje, as associações as associações afirmaram que o ministro foi “desrespeitoso, premeditadamente agressivo, grosseiro e agiu de forma inadequada para o cargo que ocupa”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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