Parlamentares avaliam cem dias

Em: 10 de abril de 2013
Desempenho do prefeito no início de seu mandato divide opinião de políticos e abre espaço para especulações
Desempenho do prefeito no início de seu mandato divide opinião de políticos e abre espaço para especulações

Determinar o prazo de 100 dias para resolver problemas que há décadas permanecem sem solução na cidade de Manaus pode ter sido apenas um esquema de marketing político para o prefeito Arthur Neto (PSDB), com resultados pífios para a população de Manaus. Eis o que pensam vários parlamentares entrevistados ontem (9) pelo Jornal do Commercio, avaliando o início das ações da nova administração municipal.
O deputado Sidney Leite, líder do DEM na Assembleia Legislativa, vê contradição entre o comportamento do prefeito na reta final da campanha eleitoral em relação ao aumento da tarifa do transporte coletivo e agora quando, sem consultar a Câmara Municipal e a sociedade, majorou a tarifa de R$ 2,75 para R$ 3,00. “De repente, ele cedeu à chantagem dos empresários?”, indaga Sidney.
Outro absurdo do governo tucano foi a promessa de resolver o histórico desabastecimento de água da cidade –e sobretudo das zonas Norte e Leste –em 100 dias. “Qual o resultado concreto que temos hoje? Temos aí um cabo de guerra entre a prefeitura e a Manaus Ambiental, e ninguém sabe que desdobramento terá esse caso, essa é a realidade”.
Sidiney e outros parlamentares entendem que o saldo de Arthur Neto, em 100 dias, é negativo, pois, na verdade, tem inaugurado obras da gestão anterior e não foi capaz de elaborar um plano convincente para enfrentar os “gargalos” do trânsito da capital e tampouco melhorar a qualidade do serviço do transporte coletivo e asfaltar ruas e avenidas, a fim de se mostrar inovador e diferenciado, correspondendo às expectativas de seus eleitores. “O que houve até o momento foi discurso e muitas bravatas”, diz Sidney.
O problema da água é visto como um dos desafios históricos que Arthur não superou em 100 dias e que prometem tirar o sono do prefeito nos próximos meses. Para o deputado Marco Antônio Chico Preto (PSD), a questão já deveria ter avançado e lembrou documento que encaminhou a Arthur há pouco mais de dois meses sobre o Quarto Termo Aditivo do contrato entre a PMM e a Manaus Ambiental.
“Mostramos que a Câmara de Arbitragem, criada para dirimir conflitos entre as partes, é um equívoco, pois é um instrumento para arbitrar apenas problemas entre empresas privadas”, aponta o deputado, esclarecendo que a instância adequada para solucionar o imbrólio contratual é o Poder Judiciário e o Ministério Público. “Afinal, estamos falando de concessão pública e não puramente um negócio privado”, expressa.
Na questão do aumento da tarifa de ônibus Chico Preto lamenta Arthur Neto não ter levado em conta os investimentos dos empresários no setor, atendendo às cobranças e às demandas da população. “Ele não analisou o plano de metas das empresas, foi um grande erro”, critica.
Cidade complicada
Diferente de Sidney Leite e Chico Preto, o deputado Fausto Souza (PSD) se diz satisfeito com os 100 dias de Arthur. “Nós temos que reconhecer que Manaus é uma cidade complicada, e, depois, temos que considerar o período chuvoso, que atrapalhou muito. Temos certeza de que, quando o verão chegar, o peso das ações de Arthur mudará a história de Manaus”, comenta.
Embora entenda 100 dias como o tempo em que qualquer administrador “arrumaria a casa”, o deputado José Ricardo Wendling, líder do PT na Aleam, não vê ações positivas na gestão tucana até agora. “Nada quanto a mobilidade urbana, o trânsito continua caótico e a única intervenção no transporte coletivo foi o aumento da tarifa, ajudando os empresários, além de uma tímida operação tapa-buraco e falta de água não somente nas zonas Norte e Leste, mas também na Compensa”, sustenta.
José Ricardo ressalta, ainda, a inércia do Poder Público Municipal sobre o Proama (Programa Água para Manaus). “O prefeito Arthur não se esforçou para mostrar resultados práticos acerca do Proama junto ao Governo do Estado, ele não faz um governo de participação popular e está longe de ser um governo de avanços, tomara que não seja um governo autoritário, que não ouve suas próprias bases”, expressa.

Manausprev

Na contramão do deputado petista, o vereador Marcelo Serafim (PSB) analisa os 100 dias de Arthur “como uma prova de amor à Manaus” e cita o resgate do Manausprev como um exemplo a ser seguido. Ao conseguir a redução da dívida da prefeitura e da Câmara Municipal com o Manausprev, de R$ 324 milhões para R$ 124 milhões, Arthur obteve uma grande vitória.
Marcelo destaca a competência do prefeito ao convencer o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, a avalizar acordo para sanar a dívida em 20 anos. “Em 100 dias o prefeito arrumou a prefeitura e aviso que a população de Manaus ainda vai se orgulhar muito dele”, salienta, garantindo que o prefeito se empenha para inserir o Proama ainda em 2013 no sistema municipal de abastecimento d’água.
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Manaus informou ontem que o prefeito Arthur Neto somente irá se pronunciar sobre os 100 primeiros dias de sua administração em coletiva à imprensa amanhã, no Paço Municipal.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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