Opala – cinquentão

Em: 22 de novembro de 2018
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Que levante a mão quem não se apaixonava quando, há 30, 40 anos, via um Opala novo circulando pelas ruas de Manaus. O tempo passou e no recente dia 19 o Opala completou 50 anos de lançado no Salão do Automóvel, em São Paulo, em 1968. Alguns poucos deles ainda podem ser vistos circulando aqui, mas no próximo dia 25, domingo, das 18h às 22h, ao menos 30 veículos estarão expostos na MF Amazônia, na Cidade Nova, para matar a curiosidade dos mais novos e fazer os mais velhos relembrar da beleza desse que foi o primeiro Chevrolet genuinamente brasileiro, idealizado para bater de frente com os também ‘gigantes’ Ford Galaxie e Dodge Dart. E conseguiu. Só perdeu a majestade três anos depois quando a GM lançou o Gran Luxo.

“Em Manaus, naquela época, os lançamentos demoravam anos para chegar e os primeiros Opalas só começaram a aparecer nos primeiros anos da década de 1970, tanto que o veículo mais antigo que estará na exposição é um Opala Coupé 1974”, disse Avelino Bulbol, presidente do Clube do Carro Antigo do Amazonas.

“Concessionárias Chevrolet no Brasil todo comemoraram os 50 anos do Opala, expondo em suas vitrines, exemplares da marca. Em Manaus eles podem ser vistos na Pedragon, desde o dia 19. Além desse Coupé 1974, também estão expostos um Sedan 1978 e uma Caravan 1990, transformada em ambulância de uma das empresas do então Distrito Industrial. Eles também estarão na MF Amazônia, no dia 25”, adiantou.

“Em São Paulo, no dia 19, no Anhembi, no Salão do Automóvel, estiveram expostos mais de mil Opalas. Em Manaus, somos bem mais modestos. Teremos uns 30 Opalas em nossa exposição”, revelou.

Carro de executivos
Mensalmente os apaixonados por carros antigos se reúnem e promovem o ‘Encontro de Relíquias’, onde exibem suas preciosidades. O ’50 Anos Opala’ será mais um destes eventos, “quando reunimos as famílias em torno de algo que a maioria dos brasileiros é apaixonada: o automóvel e, acredito, mais ainda quando ele é antigo”, falou.

“Eu tive um Opala, até o ano passado, mas estava precisando de dinheiro e me ofereceram um valor irrecusável por ele, e eu me vi obrigado a vendê-lo, mas até hoje sinto falta dele. Um carro potente, espaçoso, imponente, com um belo ronco de motor, tanto que era o carro preferido dos executivos. Costumo dizer que carro antigo não é para quem pode, mas para quem o quer”, filosofou.

“O primeiro protótipo do Opala foi lançado nesse dia 19 de novembro de 1968, em São Paulo, mas só no ano seguinte ele começou a ser comercializado. Na nossa exposição, além do Coupé 1974, terão vários outros dos anos de 1977 a 1992, quando a Chevrolet parou de fabricá-lo após vender um milhão de unidades. A paixão pelo modelo foi tão grande que, mesmo 26 anos após ter saído de linha, possui uma legião de fãs em todo o país, tanto de pessoas que o conheceram quando ele ainda era fabricado, quanto de novos fãs”, adiantou.

O ’50 Anos Opala’ será realizado pelo Opala Clube de Manaus, com o apoio do Clube do Carro Antigo do Amazonas, Clube do Fusca do Amazonas, Fusca Clube de Manaus, Quadrados AM e Chevette Car Club. O local é a MF Amazônia, av. Max Teixeira, 2191, Cidade Nova.

Outras atrações do evento serão: área de alimentação, mercado de peças voltadas para automóveis antigos, sonorização e iluminação. “E teremos sorteio de valiosos brindes”, assegurou Avelino.
A entrada é gratuita, mas pede-se que os visitantes doem 1 kg de alimento não perecível, kit de higiene pessoal, material de limpeza (um dos três itens), que serão doados para a Sociedade de Amparo à Hanseníase Casa Andrea.

Ficou para a história
Há 50 anos, o Chevrolet Opala começava a ser fabricado no Brasil. Tendo ficado em linha por 24 anos, o modelo se tornou um verdadeiro clássico nacional e foi o primeiro carro de passeio fabricado no país pela General Motors. Toda a história começou em 19 de novembro de 1968, quando a versão definitiva foi apresentada ao público no Salão do Automóvel, em São Paulo.

O projeto do Opala foi derivado do Opel Rekord, que era feito na Europa. A dianteira, porém, era diferente e foi inspirada na do Chevrolet Nova americano. No começo de sua vida, somente o sedã foi fabricado. Sob o capô, haviam duas opções – 3,8l de seis cilindros em linha e 125 cv ou o 2,5l de quatro cilindros e 80 cv, com a tração sendo sempre traseira.

Dois anos depois, em 1970, surgia a versão mais icônica do modelo. A esportiva SS aumentava o volume do seis cilindros para 4,1l. Com isso, a potência subia para 140 cv. Em 1972, era a vez da carroceria cupê estrear, sendo que a versão de alto desempenho também estava disponível.

Em 1975, junto com a primeira reestilização do Opala, a Caravan era lançada. Assim como nos membros da família, ela contava com os motores de 2,51 e 4,11 – que a essa altura já tinha substituído completamente o 3,81. Cinco anos depois, estreava o visual retilíneo em todos os modelos e que seguia a tendência dos anos 1980.

Com o projeto antigo, o Opala ainda ganhou uma leve reestilização em 1988 e outra em 1991. Em abril de 1992, após uma série final de despedida, saía da linha de montagem da GM, em São Caetano do Sul/SP o último Diplomata e a última Caravan sendo esta uma ambulância. Com quase um milhão de veículos produzidos, o Opala deixava a fábrica e entrava para a história.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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