O vereador Marcelo Ramos (PSB) enviou ontem, 8, à mesa diretora da CMM (Câmara Municipal de Manaus) requerimento solicitando que os representantes da empresa Emparsanco S/A Engenharia e Arquitetura, contratada pela Prefeitura de Manaus para realizar as operações do “Tapa Buracos”, sejam convocados a dar explicações sobre as denúncias feitas pela revista Veja, que revelam indícios de suposto envolvimento da prestadora de serviços com caixa dois, no período que antecedeu o 1º turno das eleições.
De acordo com o parlamentar, a empresa está envolvida em vários escândalos no país e, possivelmente, foi o modo encontrado pelo Executivo de tirar proveito do dinheiro público. A forma rápida com que a Emparsanco montou sua filial na cidade, praticamente às vésperas da licitação realizada pela prefeitura, foi um dos indícios levantados por Ramos.
“A empresa realizou uma Assembleia Geral no dia 15.07.2009 em São Paulo, onde decidiu criar uma filial em Manaus. No dia 19.08.2009 a empresa instalou-se nas salas 305, 306 e 307 do Shopping Millennium e já no dia 25.08.2009 venceu a licitação da prefeitura em um valor de R$ 69 milhões”, observou.
A única concorrente da Emparsanco foi a H. Guedes, que pertence ao mesmo dono da contratada. “Queremos saber por que tanta pressa na contratação de uma empresa que há pouco tempo havia chegado na cidade e principalmente o porquê dela estar instalada em um shopping onde não há possibilidade de abrigar materiais como retroescavadeiras, pás, carrinhos de mão e todos os outros materiais necessários para uma ação do porte da que se pretendia realizar”, questionou.
Segundo Ramos, a empresa já recebeu da prefeitura o equivalente a R$ 100 milhões, sendo que 25% do valor foi adiantado antes mesmo da Emparsanco realizar qualquer tipo de trabalho na cidade. “Diante da folha corrida da empresa e das justificáveis suspeitas sobre a licitação, tentamos de todas as formas aprovar requerimento na Câmara para que a prefeitura informasse as ruas recuperadas. O desespero dos líderes do prefeito em rejeitar o requerimento só nos fez suspeitar ainda mais. Denunciamos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas”, frisou.
Os questionamentos sobre a prestadora de serviços aumentaram ainda mais depois da prisão de Francisco Edvaldo Lopes, realizada pela PF (Polícia Federal) quando o vendedor tentava sacar R$ 5 milhões de uma agência do Banco do Brasil na capital. A conta corrente na qual estava depositada a quantia pertence à empreiteira Santher, de propriedade de Edivaldo Lopes de Aguiar, pelo qual o vendedor tentava se passar.
Usada como fachada, a empreiteira está diretamente ligada a Emparsanco, que seria a depositante do montante apreendido. “Acreditamos que esse é o real motivo de nossos requerimentos não serem aceitos e as informações sobre as ruas contempladas pelo projeto não serem divulgadas. Na realidade, não há o que divulgar, a empresa não tapou nenhum buraco na cidade, quem o fez foram os amarelinhos”, destacou.
Com seu pedido de habeas corpus negado, o “laranja” continua preso pela PF, que também solicitou a quebra de sigilo bancário da Emparsanco, na tentativa de apurar de quem era e para que seria destinado os R$ 5 milhões.
Tentativas frustradas
O vereador José Ricardo (PT) ingressou por duas vezes com requerimento junto à mesa diretora da CMM para obter da Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura) informações técnicas sobre a empresa, o andamento das obras, locais e custo.
O primeiro requerimento feito pelo petista foi em setembro de 2009 e o segundo, em maio de 2010. Ambos tiveram pedidos de vistas (quando um parlamentar solicita a análise de um documento) e, de acordo com o parlamentar, foi uma forma da bancada da situação segurar a questão.
José Ricardo também ingressou com um pedido junto ao TCE-AM (Tribunal de Contas) para que fosse instaurada uma comissão especial no intuito de inspecionar as obras e a auditoria contábil, financeira e orçamentária nas contas da prefeitura, juntamente com os livros contábeis da empresa. “Procurarei ainda essa semana ir ao tribunal para verificar o andamento do pedido que fiz em maio. Queremos saber o que tanto o prefeito e a empresa têm a esconder”, observou.







